Lesionado, Neymar vai ao gramado apoiar seleção na estreia da Copa
Neymar, ainda em recuperação de lesão na panturrilha direita, vai acompanhar os jogadores no gramado neste sábado (13), na estreia do Brasil contra o Marrocos, no MetLife Stadium, em Nova Jersey. O camisa 10 permanece ao lado da comissão técnica na cerimônia de abertura, mesmo sem condições de jogo.
Presença em campo vira gesto de liderança
A seleção entra em campo para o primeiro jogo da Copa com seu principal jogador ausente da escalação, mas presente na linha lateral. Neymar deixa o centro de treinamento em Morristown, a cerca de 30 minutos do estádio, pouco antes da delegação, para reduzir qualquer desgaste físico. No gramado, participa da cerimônia inicial e acompanha o aquecimento dos companheiros.
O arranjo é resultado de um entendimento interno de que o atacante continua peça central no ambiente da seleção, mesmo limitado a treinos na academia e fisioterapia. A comissão técnica avalia que a presença do camisa 10 perto do grupo, visível para jogadores e torcedores, ajuda a manter a confiança em um momento em que o time estreia sem seu principal protagonista.
A decisão não nasce de improviso. Na última segunda-feira (8), a reportagem já havia antecipado que o atacante estaria no MetLife Stadium, mesmo dedicado a um plano de recuperação intensivo. A experiência recente no amistoso contra o Panamá, no Maracanã, reforça essa estratégia: fora da lista por causa da mesma lesão, o jogador ocupa lugar nas tribunas, é aclamado e transforma uma ausência em demonstração pública de apoio.
Projeto de recuperação corre em paralelo à Copa
Enquanto a bola rola em Nova Jersey, o chamado “Projeto Neymar” avança em silêncio. O plano, descrito por pessoas próximas ao jogador, combina treinos de academia e sessões de fisioterapia duas vezes por dia, com acompanhamento médico e nutricional permanente. A rotina inclui exercícios inclusive em dias de descanso da seleção, como neste sábado de estreia.
Neymar treina pela manhã no CT em Morristown e, poucas horas depois, segue para o estádio apenas para a cerimônia e o apoio moral ao grupo. O deslocamento curto permite conciliar presença simbólica e preservação física, argumento que pesa na decisão de mantê-lo em Nova Jersey enquanto parte da delegação já se desloca para compromissos em outros estados.
A Confederação Brasileira de Futebol divulga nesta semana que o quadro do atacante mostra “boa evolução” após novos exames, mas evita detalhar o estágio da recuperação ou estabelecer prazo oficial para retorno aos treinos em campo. Ortopedistas ouvidos pela CNN estimam cerca de três semanas para a cicatrização da lesão, somadas a mais três ou quatro dias de recuperação física plena, tempo necessário para que o jogador volte a suportar o ritmo de jogo.
A contusão ocorre em partida do Santos contra o Coritiba, pelo Brasileirão, e completa um mês na próxima quarta-feira (17). Nesse intervalo, o atacante faz apenas trabalhos controlados, sem contato e sem impacto mais intenso na panturrilha direita. A meta, dentro da comissão, é tê-lo à disposição na fase seguinte da competição, com foco especial no confronto contra o Haiti, caso a evolução clínica se confirme.
Impacto no vestiário e mensagem aos torcedores
A imagem do camisa 10 à beira do gramado, próximo aos demais jogadores, funciona como gesto calculado de liderança e tentativa de blindar o ambiente. A presença no campo ajuda a reduzir especulações sobre uma eventual gravidade maior da lesão e reforça a ideia de que o atacante continua integrado ao dia a dia da seleção, mesmo em tratamento.
Nos bastidores, membros da comissão técnica descrevem o papel de Neymar como espécie de elo entre o grupo e a arquibancada. “Ele mobiliza o estádio antes mesmo do apito inicial”, admite, em caráter reservado, um integrante da equipe. A avaliação é que o apoio do jogador, ainda que fora das quatro linhas, pode aliviar a pressão sobre os mais jovens e concentrar a atenção sobre um rosto já acostumado a lidar com grandes palcos.
O torcedor, por sua vez, ganha um sinal concreto de que o principal craque não está distante do projeto da Copa. A simples caminhada do atacante rumo ao banco de reservas, com câmeras e celulares apontados, tende a dominar as primeiras imagens da transmissão e das redes sociais. Em um Mundial em que a seleção busca reconstruir confiança, cada gesto público de união conta.
O que vem a seguir para Neymar e para a seleção
Os próximos dias serão decisivos para transformar presença simbólica em participação efetiva. Novos exames de imagem na panturrilha, previstos ainda para esta semana, vão indicar se o cronograma de três semanas de recuperação se mantém ou se exigirá ajustes. A partir desses resultados, a comissão técnica define se o jogador inicia transição para o campo ou permanece restrito ao trabalho interno.
Enquanto isso, a estreia contra o Marrocos serve como teste emocional tanto para o elenco quanto para o próprio Neymar, que observa do lado de fora um time que, em algum momento da Copa, terá de aprender a jogar sem ele. A noite no MetLife Stadium não responde a todas as dúvidas, mas deixa uma certeza para torcedores e comissão: a liderança do camisa 10, ao menos por enquanto, continua presente, mesmo quando a bola não passa por seus pés.
