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Alisson garante estar 100% e defende escolhas de Ancelotti no gol

Alisson afirma estar 100% recuperado fisicamente e pronto para a Copa do Mundo de 2026. Em coletiva nesta quinta-feira (11), em Basking Ridge, Nova Jersey, o goleiro titular da seleção brasileira também sai em defesa das escolhas de Carlo Ancelotti para a posição e explica as ausências de Hugo Souza e Bento.

Fim dos boatos e recado ao vestiário

O rosto de Alisson ajuda a contar a história. O goleiro do Liverpool chega à sala de entrevistas com ar sereno, mas atento às perguntas sobre seu corpo. Depois de uma temporada marcada por problemas físicos na Inglaterra, ele sabe que a primeira resposta, mais do que técnica, precisa ser um sinal para o vestiário e para as arquibancadas.

Ele corta os rumores logo de saída. Diz que não desembarca nos Estados Unidos baleado, nem em ritmo de recuperação. Afirma que trabalha sem restrições nos treinos e que se sente preparado para começar, na próxima semana, sua terceira Copa como dono da meta brasileira. A confirmação coloca fim a dias de especulações sobre uma eventual perda de espaço para Ederson ou até para Weverton.

O discurso também mira a confiança coletiva. Aos 33 anos, Alisson volta a ser peça central de um projeto que mira o hexa em 2026. A seleção estreia no dia 13 de junho, contra o Marrocos, em um grupo que ainda tem Haiti e Escócia. A dúvida sobre a condição do titular se torna, por algumas horas, o principal assunto de uma equipe que se prepara a 8.000 quilômetros de casa.

Na resposta mais longa da entrevista, ele faz questão de ampliar o foco e tirar o peso de um debate que costuma inflamar redes sociais e mesas-redondas: quem merece estar entre os goleiros convocados por Ancelotti. “O Weverton está sendo convocado por méritos, por tudo o que ele tem feito nos últimos anos, assim como eu, como o Ederson. E isso não significa que os outros também não mereciam estar aqui, o Hugo, o Bento, fazem grandes trabalhos em seus clubes. Todos os 26 convocados estão aqui por méritos próprios e pela confiança do Ancelotti”, afirma.

Marca histórica, críticas acumuladas e disputa pelo gol

A presença de Alisson na lista final leva a seleção a um raro capítulo estatístico. Se iniciar a Copa como titular, ele iguala uma marca alcançada apenas por Gylmar dos Santos Neves e Taffarel: três Mundiais seguidos como goleiro principal do Brasil. Gylmar defende o gol em 1958, 1962 e 1966. Taffarel ocupa a posição em 1990, 1994 e 1998. Emerson Leão, com quatro Copas entre 1970 e 1986, segue como o recordista em participações na posição, embora nem sempre como titular.

O número reforça o peso simbólico do momento. Alisson atravessa a década como referência, mas não escapa às cicatrizes. Em 2018, na Rússia, parte da torcida reclama da reação ao chute de Kevin De Bruyne, que abre o placar para a Bélgica nas quartas de final, eliminando o Brasil. Em 2022, no Catar, a performance na disputa de pênaltis volta a ser questionada, enquanto o país acompanha milagres de Thibaut Courtois e Manuel Neuer em outros gramados.

A comparação se torna quase permanente. Alisson é visto por muitos como o goleiro que não protagoniza defesas espetaculares, mas mantém índices de regularidade acima da média na Europa. A análise fria mostra temporadas de destaque no Liverpool, com títulos nacionais e continentais, e uma sequência sólida na seleção. A percepção, porém, oscila com o resultado de um chute a poucos metros da linha do gol.

As ausências de Hugo Souza e Bento, dois nomes associados ao futuro da posição, alimentam o debate. O primeiro constrói carreira com altos e baixos recentes, mas continua avaliado como goleiro de potencial para o ciclo seguinte. Bento, destaque no futebol brasileiro, vira símbolo de uma geração que assiste ao Mundial pela televisão enquanto a experiência pesa na balança de Ancelotti. A escolha por Weverton, 36, e Ederson, 32, ao lado de Alisson, reforça o recado do treinador: na Copa, a margem para risco é curta.

A decisão também informa o vestiário. O trio chega ao Mundial com histórico consolidado em competições de alto nível, de Champions League a Libertadores. O comando do gol, ao menos neste ciclo, permanece nas mãos de quem já passa por finais europeias, decisões de mata-mata e partidas sob pressão constante. Os jovens devem disputar espaço a partir de 2027, quando o ciclo para 2030 começa a ser desenhado.

Caminho do Brasil e pressão pela resposta em campo

O cenário ao redor amplia o peso de cada frase dita em Basking Ridge. O Brasil integra o Grupo C e estreia contra o Marrocos, semifinalista em 2022 e sensação do último Mundial. Depois enfrenta o Haiti e encerra a primeira fase diante da Escócia. A projeção mais provável coloca a seleção na liderança da chave, mas o prêmio por cumprir a obrigação não é dos mais confortáveis.

Se confirmar o primeiro lugar, o Brasil encara o segundo colocado do Grupo F, que tem a Holanda como favorita, além de Tunísia, Japão e Suécia. A Copa de 2026 introduz a fase de 16-avos de final, etapa anterior às tradicionais oitavas, o que aumenta o número de jogos eliminatórios e a necessidade de estabilidade emocional e física. Em caso de classificação, a seleção pode cruzar com o vencedor do duelo entre os segundos colocados dos Grupos E e I. Nessa combinação aparecem possíveis adversários de peso, como Alemanha, França e Senegal.

Um tropeço inesperado em qualquer uma dessas chaves pode antecipar um confronto com alemães ou franceses já na segunda etapa do mata-mata. A partir daí, o tabuleiro abre cenários que incluem um encontro com a Inglaterra nas quartas e uma semifinal contra a Argentina. Em um torneio que deve se estender por pouco mais de 30 dias, o goleiro que hoje garante estar inteiro terá de sustentar a narrativa com decisões rápidas em jogos que podem virar nos acréscimos ou em séries de cinco pênaltis.

O impacto imediato da fala de Alisson é interno. Jogadores e comissão técnica recebem a confirmação de que o titular se sente pronto, o que ajuda a organizar a hierarquia no elenco às vésperas da estreia. Para fora, a mensagem tenta esfriar o ambiente e transformar desconfiança em expectativa. A lógica é simples: se o goleiro mais experiente se diz inteiro, o próximo passo é provar isso em campo, diante de uma seleção que quebra a linha de pressão com facilidade e testa a velocidade de reação de quem ocupa o gol.

A Copa começa para o Brasil em 48 horas, mas a disputa pelo discurso já está em jogo. Ancelotti bancou a experiência no gol. Alisson, em Nova Jersey, assume a responsabilidade e se coloca como rosto dessa aposta. A resposta definitiva não vem na sala de entrevistas, e sim na pequena área, quando o time precisar de uma defesa que valha uma vaga nas quartas ou mantenha vivo o caminho até o hexa.

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