Corinthians faz reforma intensa no gramado da Neo Química Arena
O Corinthians inicia em junho uma reforma intensa no gramado da Neo Química Arena, em São Paulo, aproveitando a pausa da Copa do Mundo. O clube promete devolver ao campo a qualidade da inauguração, em 2014, com um pacote de intervenções concentrado até julho.
Intervenção inédita em pleno inverno
O estádio fica sem jogos oficiais enquanto o futebol brasileiro para para acompanhar o Mundial, e o clube usa a brecha rara no calendário para atacar um problema antigo. A diretoria decide antecipar uma obra planejada inicialmente para o fim de 2025 e o início de 2026, período que se mostrava curto demais para o nível de serviço desejado.
O gramado, alvo de críticas em diferentes momentos da última década, passa agora por uma restauração descrita pelo próprio Corinthians como “intensiva”. O processo inclui raspagem da camada de matéria orgânica acumulada, que endurece o solo e prejudica a drenagem, e o erguer das fibras sintéticas costuradas ao campo híbrido, finalizadas em julho do ano passado. A combinação desses passos busca nivelar o terreno e recuperar a elasticidade que os jogadores sentem sob as chuteiras.
Ryegrass e padrão europeu no campo alvinegro
Os trabalhos ocorrem pela primeira vez no inverno, escolha que não é casual. O clube aposta na grama ryegrass, espécie usada em grandes estádios da Europa, por responder melhor a temperaturas mais baixas. A planta se desenvolve com força entre junho e julho, meses tradicionalmente mais secos e frios em São Paulo, e ajuda a compor um tapete mais denso e uniforme.
Na nota em que confirma a obra, o Corinthians ressalta que “época favorece o desenvolvimento da grama ryegrass, a mesma utilizada nos maiores estádios europeus”. A ideia é que, com o solo corrigido, fibras sintéticas reposicionadas e a nova cobertura vegetal bem enraizada, o campo suporte melhor o uso intenso previsto para o segundo semestre. A promessa é clara: “Com isso, o ciclo estará completo e a qualidade do gramado será a mesma da inauguração do estádio, em 2014”, afirma o clube.
Impacto para elenco, calendário e negócios
A troca de piso não é apenas uma questão estética. Um gramado nivelado e consistente reduz o risco de lesões musculares e torções, melhora a circulação da bola e permite que o time imponha um jogo mais rápido. Em uma temporada em que o Corinthians se equilibra entre competições nacionais e internacionais, qualquer ganho físico e técnico conta. A diretoria também enxerga a intervenção como investimento direto na imagem da Neo Química Arena, inaugurada em maio de 2014 e transformada em palco fixo de grandes jogos desde então.
O campo em boas condições amplia a chance de receber partidas decisivas de campeonatos organizados por federações e confederações, além de atrair amistosos internacionais e grandes shows. Em um estádio que se consolidou como uma das principais fontes de receita do clube, a manutenção em alto padrão vira diferencial competitivo. Torcedores que lotam o estádio em jogos importantes também sentem o efeito: menos interrupções por falhas no gramado, menos reclamações públicas de jogadores e um espetáculo mais fluido.
Reforma completa e próximos passos
A obra de junho e julho fecha um ciclo iniciado em julho de 2023, quando o Corinthians costura novas fibras sintéticas ao piso para reforçar a estrutura do gramado híbrido. A etapa agora remove o excedente orgânico acumulado ao longo dos anos, reposiciona as fibras e planta o ryegrass com a expectativa de que a cobertura esteja totalmente adaptada antes do retorno das competições. O clube trabalha com uma janela de cerca de 60 dias, tempo considerado mínimo para que a grama se estabeleça e resista ao uso intenso do segundo semestre.
O sucesso dessa reforma vai orientar o planejamento das próximas temporadas. Se o campo responder bem, a tendência é que o Corinthians repita o modelo de intervenções mais profundas em períodos de pausa, em vez de apostar apenas em manutenções pontuais. O desafio passa a ser o de sempre: conciliar um calendário cada vez mais apertado com a exigência de manter a Neo Química Arena no patamar que se esperava em 2014, quando o estádio abre as portas ao público pela primeira vez.
