Coreia do Sul e República Tcheca decidem fôlego no Grupo A
Coreia do Sul e República Tcheca encerram, às 23h (de Brasília) desta quinta-feira (11), o primeiro dia da Copa do Mundo de 2026. No Estádio Akron, em Zapopan, as seleções abrem a disputa direta por uma vaga no mata-mata do equilibrado Grupo A.
Duelo define rumo do grupo logo na largada
O jogo no interior de Jalisco não vale apenas três pontos. A partida coloca frente a frente os dois candidatos mais diretos a desafiar o favoritismo do México e evitar surpresas da África do Sul no grupo inicial do Mundial.
A Coreia do Sul chega com a estabilidade de quem disputa sua 11ª Copa seguida, em sequência iniciada em 1986. A República Tcheca volta ao torneio após 20 anos de ausência, carregando a pressão de justificar a vaga conquistada na marra, só confirmada em duas disputas de pênaltis na repescagem europeia.
O encontro em Zapopan também inaugura uma nova camada na rivalidade discreta entre as duas seleções. Em três confrontos anteriores, todos amistosos, cada lado soma uma vitória, além de um empate: 2 a 2 em Seul, em 1998, goleada tcheca por 5 a 0 em Drnovice, em 2001, e triunfo sul-coreano por 2 a 1 em Praga, em 2016.
Son persegue recorde, Schick lidera retorno tcheco
O time asiático se ancora mais uma vez em Son Heung-Min, 33 anos, rosto global do futebol coreano. Hoje no Los Angeles, dos Estados Unidos, depois de longa passagem pelo Tottenham, o atacante chega ao Mundial a dois gols de se tornar o maior artilheiro da história da seleção.
Son soma 56 gols pela Coreia do Sul, apenas dois a menos que Cha Bun-Kun, ídolo nacional nas décadas de 1970 e 1980. A noite mexicana pode colocá-lo sozinho no topo da lista, ao mesmo tempo em que recoloca o país em rota de ambição semelhante à de 2002, quando os coreanos terminaram em quarto lugar como coanfitriões ao lado do Japão.
O astro também carrega a experiência de 144 partidas pela seleção, trunfo valioso para o técnico Hong Myung-Bo, ele próprio ex-zagueiro e símbolo da campanha de 2002. Ao redor do camisa 7, o treinador arma uma equipe que mistura rodagem europeia e energia jovem. Lee Jae-Sung, há cinco anos no Mainz, da Alemanha, é o segundo jogador com mais jogos no elenco. Lee Kang-In, meia do Paris Saint-Germain e bicampeão europeu pelo clube francês, oferece o passe entre linhas que sustenta o estilo agressivo coreano.
Do outro lado, a República Tcheca tenta transformar um ciclo turbulento em combustível. A seleção sofreu uma derrota constrangedora para as Ilhas Faroe nas eliminatórias, tropeçou em resultados improváveis e precisou da repescagem para sobreviver. Nas decisões contra Irlanda e Dinamarca, avançou nos pênaltis e ganhou novo fôlego.
Patrick Schick, destaque do Bayer Leverkusen, assume o papel de referência ofensiva. O centroavante marca cinco gols na campanha e fecha a classificatória como artilheiro tcheco, justificando a confiança num time que volta ao palco global consciente da própria fragilidade, mas também do potencial em jogos únicos.
Koubek faz história; jogo mexe com equilíbrio do Mundial
O banco tcheco também entra em campo com números históricos. Miroslav Koubek, 74 anos e nove meses, assume a seleção na repescagem e comanda o time no México já com um recorde à vista. Ao enfrentar a Coreia, ele ultrapassa o belga Hugo Broos, técnico da África do Sul, e se torna o treinador mais velho a dirigir uma equipe em Copas.
O meio-campista Tomás Soucek, hoje um dos líderes do elenco, também persegue marcas pessoais. Se atuar ao menos nas três partidas da fase de grupos, o jogador chega a 93 jogos pela seleção e entra no top 5 de atletas com mais atuações pelo país desde a dissolução da Tchecoslováquia, em 1992.
O peso do jogo ultrapassa as estatísticas individuais. Quem vencer em Zapopan assume posição privilegiada na corrida por uma vaga nas oitavas e redistribui a pressão do Grupo A. Um triunfo da Coreia fortalece o discurso de continuidade de um projeto que emenda 11 participações consecutivas em Mundiais. Uma vitória tcheca confirma a recuperação de uma seleção que já teve a antecessora Tchecoslováquia como vice-campeã em 1934 e 1962.
O empate, por sua vez, mantém a chave aberta e aumenta a tensão para mexicanos e sul-africanos nas rodadas seguintes. Em um Mundial de 48 seleções, a margem de erro parece maior, mas o calendário apertado e a logística da Copa tripla entre México, Estados Unidos e Canadá reduzem o espaço para vacilos logo na largada.
Grupo A ganha novo enredo após apito final em Zapopan
As consequências do confronto em Jalisco vão além da matemática do grupo. Uma atuação convincente de Son, Schick ou de jovens como Lee Kang-In pode redefinir hierarquias internas, influenciar futuras convocações e até mexer no mercado de transferências, que segue em plena atividade durante o torneio.
O desempenho das duas seleções também alimenta um debate mais amplo sobre a distribuição de forças no futebol mundial. A Coreia representa o avanço de projetos asiáticos que investem há décadas em centros de treinamento, intercâmbio e exportação de talentos. A República Tcheca simboliza o esforço de países de médio porte da Europa Central para se manterem relevantes diante da concentração de dinheiro nas grandes ligas do continente.
O apito final em Zapopan não encerra apenas o primeiro dia de Copa. Ele redefine a rota de duas seleções com histórias distintas e expectativas semelhantes. A partir dali, México e África do Sul passam a olhar com ainda mais cuidado para quem sai na frente. A pergunta, enquanto a bola rola no Estádio Akron, é simples e decisiva: quem aproveita melhor a primeira grande chance de comandar o enredo do Grupo A?
