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Guerra contra o Irã expõe racha entre Trump e Netanyahu em 2026

A campanha militar dos Estados Unidos contra o Irã, em 2026, estreita a dependência entre Donald Trump e Benjamin Netanyahu, mas expõe fissuras inéditas na aliança. Sob pressão interna e isolado externamente, o presidente americano cobra alinhamento total de Israel, enquanto o premiê israelense resiste a seguir a estratégia da Casa Branca ponto a ponto.

Aliados sob fogo cruzado

O esforço de guerra, iniciado no primeiro semestre de 2026 com uma sequência de ataques aéreos e cibernéticos contra alvos iranianos, muda o eixo da política em Washington e Jerusalém. Em poucos meses, pesquisas internas da Casa Branca mostram queda de quase 15 pontos na aprovação de Trump entre independentes e eleitores suburbanos, grupo-chave para qualquer disputa nacional. No mesmo período, a coalizão de Netanyahu enfrenta protestos nas ruas de Tel Aviv e Haifa e vê crescer, no Knesset, a pressão por uma revisão da coordenação militar com os EUA.

A relação pessoal entre os dois líderes, construída desde o primeiro mandato de Trump, ganha tom de dependência mútua. Trump precisa de vitórias rápidas para apresentar ao eleitorado em ano eleitoral; Netanyahu busca garantias de segurança e apoio diplomático num Oriente Médio em ebulição. A guerra contra o Irã, porém, transforma essa parceria em fonte de desgaste. Em reuniões fechadas, assessores de ambos os lados descrevem conversas tensas sobre alvos, prazos e limites para a escalada, com recados públicos cuidadosamente calibrados para não romper a imagem de unidade.

Divergências estratégicas à vista

As diferenças emergem em três frentes principais: tempo da guerra, profundidade dos ataques e papel de Israel em operações diretas. Trump pressiona por ofensivas mais amplas nos primeiros 90 dias, na tentativa de atingir a infraestrutura militar iraniana e impor uma negociação em posição de força. Netanyahu calcula custos de longo prazo e teme uma resposta coordenada de grupos aliados a Teerã na Síria, no Líbano e em Gaza, que poderia abrir vários frontes simultâneos contra Israel.

Nas reuniões com o Conselho de Segurança israelense, oficiais das Forças de Defesa de Israel alertam que um conflito prolongado com o Irã, sem plano de saída claro, ameaça a estabilidade regional. “Não podemos nos dar ao luxo de travar a guerra de outro país”, resume, em conversa reservada, um general da reserva, ecoando sentimento que ganha espaço em setores da direita israelense tradicionalmente próximos aos republicanos. Em Washington, diplomatas veem a postura mais cautelosa de Netanyahu como sinal de que Israel não pretende assumir sozinho o custo de uma campanha aberta e de prazo indefinido.

Pressão doméstica nos EUA e em Israel

Nos Estados Unidos, a guerra rapidamente domina o debate público. Em até 6 meses de operações, grupos contrários à intervenção registram crescimento de filiações e doações on-line, enquanto manifestações em grandes cidades, como Nova York e Chicago, reúnem dezenas de milhares de pessoas. Pesquisas divulgadas por institutos independentes apontam maioria de 55% do eleitorado contrária à continuidade da campanha militar caso não haja uma meta clara de encerramento.

Trump responde endurecendo o discurso. Em comícios transmitidos ao vivo, insiste que o Irã representa “ameaça existencial” à segurança americana e acusa críticos internos de “fraqueza estratégica”. A retórica encontra eco em parte da base republicana, mas perde força entre moderados, preocupados com o impacto econômico da guerra: o barril de petróleo ultrapassa sucessivamente patamares simbólicos, pressiona inflação e encarece combustível em todo o país. Em estados decisivos, campanhas locais republicanas passam a tratar do tema com cautela para não se associarem diretamente à política externa da Casa Branca.

Israel revisa a conta da aliança

Em Israel, a discussão é menos sobre o objetivo de conter o Irã e mais sobre o preço a pagar pela proximidade absoluta com Washington. Partidos da coalizão de Netanyahu exigem garantias concretas, em prazos definidos, de reposição de arsenais, reforço de defesa antimísseis e apoio diplomático em organismos internacionais. Deputados de oposição cobram transparência sobre as condições impostas por Trump em troca desse suporte. “A parceria com os EUA é estratégica, mas não pode ser um cheque em branco”, afirma um parlamentar centrista em sessão na Comissão de Defesa, refletindo a sensação de que o tradicional alinhamento automático já não é consenso.

O debate ganha contornos mais amplos quando analistas de segurança apontam que, desde o início dos ataques, a frequência de lançamentos de foguetes de milícias ligadas ao Irã aumenta em mais de 40% em alguns meses, forçando Israel a manter parte de suas forças em alerta máximo no norte. A percepção de vulnerabilidade renova questionamentos sobre a dependência de garantias americanas e estimula discussões, ainda discretas, sobre possíveis margens de autonomia estratégica em relação à Casa Branca.

Aliança sob teste e cenário internacional em mutação

No plano internacional, a deterioração da relação entre Washington e Jerusalém cria espaço para outros atores. Potências europeias tentam mediar cessar-fogo parciais e explorar frestas entre as posições de Trump e Netanyahu. Rússia e China buscam se apresentar como alternativas de diálogo para países árabes incomodados com a escalada. A tradicional imagem de bloco monolítico entre EUA e Israel se desfaz aos poucos, substituída por uma coordenação mais tensa, sujeita a vazamentos, recuos e declarações contraditórias.

Especialistas em Oriente Médio destacam que a crise de 2026 se soma a uma década de conflitos que já altera de forma estrutural a geopolítica regional. “Conflitos dessa escala não se encerram quando os bombardeios diminuem; eles reconfiguram alianças por anos”, avalia um pesquisador ouvido pela reportagem. A guerra contra o Irã reabre feridas de intervenções anteriores e alimenta a percepção, em parte da opinião pública global, de que as alianças tradicionais do pós-Guerra Fria não conseguem mais oferecer estabilidade duradoura.

O que vem depois da guerra

À medida que o conflito se arrasta além do que estrategistas em Washington projetam para 2026, cresce a dúvida sobre como Trump e Netanyahu sairão politicamente desse episódio. O presidente americano entra na reta final de mandato com índices de aprovação pressionados e enfrenta resistência até em segmentos empresariais que se beneficiaram de seu governo, mas temem a volatilidade gerada pela guerra. O premiê israelense, por sua vez, passa a depender de uma base política mais estreita, mais ideológica e menos disposta a concessões diplomáticas.

A aliança entre EUA e Israel continua formalmente intacta, sustentada por décadas de cooperação militar, inteligência compartilhada e interesses convergentes. A forma como ambos administram as divergências expostas na campanha contra o Irã, porém, definirá o peso dessa parceria na próxima década. O pós-guerra deve mostrar se o racha de 2026 é apenas um desvio temporário em uma relação histórica ou o primeiro sinal de uma rearrumação mais profunda no tabuleiro do Oriente Médio.

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