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Neymar completa 10 dias sem treinar em campo com a seleção

Neymar completa nesta quinta-feira (12) dez dias sem participar dos treinos em campo da seleção brasileira em Nova Jersey. O camisa 10 cumpre apenas rotina intensa de fisioterapia e fortalecimento muscular às vésperas da estreia do Brasil na Copa do Mundo, contra o Marrocos, no sábado (14).

Rotina trancada nas dependências da seleção

Desde que a delegação desembarca nos Estados Unidos, em 2 de junho, a vida de Neymar se concentra entre sala de fisioterapia, academia e trabalhos internos. O Brasil treina em solo americano há nove dias, com uma folga no período. Em nenhum deles o atacante pisa no gramado para participar das atividades táticas e técnicas com o restante do elenco.

Ao longo dessa sequência, a comissão técnica soma dezenas de horas de atendimento fisioterápico e sessões de fortalecimento muscular específicas para o jogador. Só na quarta-feira (11) o camisa 10 aparece em uma atividade com bola, limitada a um aquecimento recreativo, a tradicional “altinha” em espaço reduzido, sem arrancadas nem choques mais fortes.

O roteiro contrasta com a expectativa inicial na própria seleção. Internamente, membros da comissão projetam ainda na semana passada que Neymar voltaria ao campo nesta semana de estreia. A quinta-feira chega, o Brasil faz o penúltimo treino antes de enfrentar o Marrocos, e a cena se repete: o time trabalha no gramado, enquanto o astro segue em tratamento atrás das portas fechadas do centro de treinamento.

Na última segunda-feira (9), o atacante passa por uma ressonância magnética em Nova Jersey. A CBF divulga uma nota curta, sem detalhes de laudo ou prazos, limitando-se a informar que o jogador “evolui dentro do esperado”. A escolha por uma comunicação econômica alimenta especulações, mas confirma a leitura principal da comissão: qualquer risco agora é exagero.

Estreia sem o camisa 10 e ajustes de campo

A decisão médica e técnica já produz um efeito concreto. Neymar está fora da estreia na Copa do Mundo, às 19h deste sábado, no MetLife Stadium, também em Nova Jersey, contra o Marrocos. A ideia, como a própria seleção indica reservadamente desde o início da semana, é mirar o dia 19 de junho, em Filadélfia, contra o Haiti, como ponto de virada possível para a volta do camisa 10.

Sem o principal jogador, Carlo Ancelotti reorganiza a rotina no campo. O treinador divide o grupo em três blocos de trabalho, testando formações e funções para compensar a ausência de um criador central, responsável por acelerar o jogo entre linhas e concentrar a bola parada ofensiva. Nos 15 minutos abertos à imprensa no treino mais recente, o que se vê é apenas um exercício recreativo, sem pistas claras de escalação.

A comissão tenta reduzir o peso da notícia internamente, mas a adaptação é inevitável. A seleção se prepara para uma estreia de Copa sem seu protagonista, cenário que o país não enfrenta em um Mundial desde 1966, quando Pelé se lesiona ainda na fase de grupos. Agora, com mais de R$ 1 bilhão investidos em premiações e logística para a campanha de 2026, cada decisão sobre minutos em campo vira cálculo de risco.

O impacto transborda o gramado. Em Nova Jersey, torcedores que acompanham os treinos na porta do hotel e nas arquibancadas dos períodos abertos se dividem entre a frustração de não ver Neymar em ação e a sensação de que a seleção aprende a viver sem ele. A imagem que circula é a de um camisa 10 presente, sorridente com os companheiros, mas ausente da parte que mais conta para quem olha de fora: a bola rolando.

Pressão por respostas e corrida contra o tempo

A opção da CBF por cautela reabre um debate conhecido em Copas recentes: até que ponto vale acelerar o retorno de um jogador decisivo às vésperas de jogos eliminatórios. Em 2014, uma pancada nas costas tira Neymar do Mundial em casa. Em 2022, o tornozelo direito vira novela desde a estreia no Catar, com um retorno em tempo limitado na fase final. A memória recente pesa na decisão atual de segurar qualquer passo em falso.

Do ponto de vista tático, o Brasil se ajusta para um início de torneio com maior distribuição de responsabilidade criativa entre meio-campistas e pontas. Atacantes que costumam orbitar Neymar agora ganham mais liberdade para buscar a bola e tentar decisões próprias. A mudança pode acelerar a adaptação de uma geração que, há quase uma década, entra em campo sob a sombra e o brilho do mesmo jogador.

Do lado de fora, a pressão aumenta a cada boletim médico. A mídia acompanha de perto a rotina de treinos, cronometra aparições, compara imagens, especula escalações. Torcedores lotam redes sociais oficiais da seleção em busca de indícios, reagem a qualquer foto de chuteiras calçadas ou bola próxima ao camisa 10. A comissão técnica tenta blindar o ambiente, mas sabe que o silêncio absoluto também cobra seu preço.

Os próximos dias definem mais do que a estreia. Se Neymar evolui bem e consegue voltar ao campo em Filadélfia, a narrativa muda de apreensão para redenção em menos de uma semana. Se o retorno atrasa, o Brasil se vê obrigado a consolidar um plano B em plena Copa, enquanto lida com a dúvida que acompanha cada grande torneio desde 2010: até quando a seleção consegue depender do mesmo jogador para decidir seus maiores jogos.

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