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Ex-zagueiro Ricardo Rocha é preso por dívida de pensão no Rio

O ex-zagueiro da Seleção Brasileira Ricardo Rocha é preso nesta quarta-feira (10), em um aeroporto do Rio de Janeiro, por dívida de pensão alimentícia. A detenção ocorre quando ele se prepara para embarcar para os Estados Unidos, onde participaria da cobertura da Copa do Mundo de 2026.

Mandado de prisão e dívidas na Justiça de Família

Ricardo Rocha é abordado por policiais no saguão do aeroporto, diante de passageiros que se organizam para os voos internacionais. O ex-jogador, hoje comentarista esportivo, tem contra si um mandado de prisão expedido pela 16ª Vara de Família da Comarca de Fortaleza, no Ceará. A ordem judicial está vinculada a uma dívida de pensão alimentícia que, atualizada, chega a cerca de R$ 2,4 mil, valor reajustado pela Justiça no fim de 2024.

O mandado determina que o ex-zagueiro quite o débito em até 45 dias para que a medida seja revogada. A decisão envolve a pensão devida a Victória Valente, de 24 anos, cuja paternidade é reconhecida por Ricardo Rocha em 2024, após processo judicial. A jovem convive com uma deficiência e depende de cuidados médicos contínuos, o que torna o cumprimento regular da pensão um ponto central do conflito.

No ano seguinte ao reconhecimento da paternidade, a mãe de Victória procura a Justiça para relatar que o ex-atleta não vem cumprindo integralmente as obrigações assumidas no acordo. Um dos episódios citados pela família envolve a internação da jovem em uma clínica psiquiátrica, com tratamento estimado em cerca de R$ 12 mil. Segundo a mãe, Ricardo Rocha não participa financeiramente dessa despesa.

O ex-jogador apresenta versão diferente. Ele afirma, nos autos, que segue o que está previsto no acordo firmado entre as partes e contesta a ideia de inadimplência sistemática. A divergência entre as narrativas desemboca na decisão da Vara de Família, que opta por autorizar a prisão civil, medida prevista na legislação brasileira para casos de atraso no pagamento de pensão alimentícia.

Figura pública, deveres privados e repercussão no esporte

A notícia da prisão corre rápido por grupos de jornalistas, comentaristas e ex-jogadores. A imagem de Ricardo Rocha, campeão mundial com a Seleção em 1994 e personagem frequente em transmissões esportivas, contrasta com o cenário de um mandado por pensão alimentícia atrasada. A proximidade da Copa do Mundo de 2026, que começa neste mês na América do Norte, amplifica a repercussão do caso.

Ricardo Rocha viaja aos Estados Unidos para integrar a equipe de cobertura do Mundial em um grande canal esportivo. A detenção levanta dúvidas imediatas sobre sua participação na programação e sobre possíveis restrições à sua saída do país. A prisão por pensão tem caráter específico: a legislação permite a detenção do devedor para forçar o pagamento, mas não é uma punição criminal clássica, como ocorre em casos de roubo ou violência.

Especialistas em direito de família ouvidos em casos semelhantes destacam que a prisão civil busca proteger o direito básico de subsistência de filhos e dependentes. A lei brasileira prevê esse tipo de medida para parcelas recentes em atraso, justamente para garantir que necessidades imediatas, como alimentação, saúde e moradia, não fiquem descobertas. Em processos que envolvem pessoas com deficiência, como no caso de Victória, juízes costumam demonstrar menos tolerância com atrasos reiterados.

O episódio também reacende discussões sobre a responsabilidade de atletas e ex-atletas em relação à vida privada após o fim da carreira. Muitas dessas figuras seguem expostas em programas esportivos e redes sociais, mas enfrentam disputas familiares longe dos gramados. Quando há mandados de prisão ou cobranças judiciais, a visibilidade se volta para conflitos pessoais que, em geral, permanecem restritos às varas de família.

Revogação da ordem, agenda mantida e próximos capítulos

Horas após a prisão, a assessoria de Ricardo Rocha informa, em nota enviada ao portal Metrópoles, que o ex-zagueiro se apresenta à Justiça e esclarece a situação. Segundo o comunicado, o juiz responsável revoga a ordem de prisão após a manifestação da defesa. “Ricardo Rocha esclareceu todos os pontos pendentes perante o juízo competente, que já revogou a ordem de prisão”, afirma a equipe do ex-jogador.

A nota também ressalta que o ex-zagueiro mantém “o compromisso de cumprir suas obrigações legais” e seguirá com sua agenda profissional. A previsão da defesa é que ele embarque para os Estados Unidos ainda nesta semana, a tempo de participar da cobertura da Copa do Mundo, em que a Seleção Brasileira busca o hexa na América do Norte. A confirmação definitiva da viagem, porém, depende de ajustes burocráticos após a revogação da medida.

Do lado da família de Victória, o processo continua em Fortaleza. A Justiça acompanha a regularidade dos pagamentos e avalia eventuais pedidos de revisão, tanto para cima quanto para baixo, conforme a renda e as necessidades da filha. Despesas médicas, tratamentos psiquiátricos e eventuais terapias especializadas seguem no centro do debate, com impacto direto no valor exigido mensalmente.

O caso expõe, mais uma vez, como decisões de varas de família podem atravessar fronteiras do foro reservado e atingir a arena pública, principalmente quando envolvem nomes conhecidos do futebol. A Copa do Mundo de 2026 coloca Ricardo Rocha novamente sob os refletores, agora dividido entre o papel de comentarista e o peso de uma disputa judicial que não se resolve em 90 minutos. A questão que permanece, para além da revogação da prisão, é se o episódio servirá como ponto de virada no cumprimento das obrigações familiares ou se novos capítulos voltarão a sair das páginas dos processos para o noticiário.

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