Maioria ainda não vê Brasil campeão, mas otimismo cresce às vésperas da Copa
A maioria dos brasileiros ainda não acredita no hexa em 2026, mostra pesquisa Quaest divulgada nesta quinta-feira (11), dia da abertura da Copa. O levantamento aponta que 56% não veem a Seleção como campeã, mas registra avanço consistente do otimismo às vésperas da estreia contra Marrocos.
País dividido entre desconfiança e esperança
O estudo, feito com 2004 pessoas de 16 anos ou mais entre 5 e 8 de junho, indica um país ainda descrente, porém menos pessimista do que em abril. A fatia dos que não acreditam no título caiu 8 pontos percentuais desde o último levantamento, sinal de que o ambiente em torno da equipe melhora na reta final de preparação.
Ao mesmo tempo, 35% dos entrevistados dizem confiar na conquista do hexa neste ano, um crescimento de 10 pontos em relação à sondagem anterior. Os que não souberam ou não quiseram responder somam 9%. A margem de erro da pesquisa é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos.
Os números saem no exato dia em que a Copa do Mundo começa em Estados Unidos, Canadá e México, cenário que há oito anos não inclui o Brasil como protagonista em fases decisivas. Desde o 7 a 1 de 2014 e a eliminação nas quartas de 2018 e 2022, o torcedor convive com uma mistura de apego à tradição e memória recente de frustrações.
Nesse contexto, o levantamento da Quaest funciona como termômetro do humor do país diante de uma Seleção comandada por um treinador estrangeiro, Carlo Ancelotti, e ainda dependente do talento e da recuperação física de Neymar. A combinação de fatores alimenta o debate nas mesas de bar, nas redes sociais e nas transmissões esportivas.
Nordeste puxa otimismo; mulheres lideram confiança
O mapa da confiança no Brasil de 2026 não é homogêneo. O Nordeste aparece como a região mais confiante na Seleção: 41% dos moradores acreditam no hexa, alta de 11 pontos ante abril. No Centro-Oeste e Norte, 40% apostam na conquista, 8 pontos a mais do que na pesquisa anterior.
Nas regiões Sul e Sudeste, a cautela predomina. Entre os entrevistados que menos acreditam na vitória da equipe de Carlo Ancelotti, os sulistas se destacam. Eles representam 26% do público que demonstra fé na conquista, seguidos pelos moradores do Sudeste, com 32%. Em abril, esses percentuais eram ainda menores, 24% e 20%, respectivamente, o que indica uma evolução tímida, mas constante.
A divisão de gênero também revela nuances do torcedor brasileiro. As mulheres se mostram mais otimistas: 38% confiam no título, contra 32% dos homens. A diferença sugere uma relação afetiva distinta com a Seleção, menos guiada apenas pelo desempenho recente em campo e mais ligada ao ritual de acompanhar a Copa em família e entre amigos.
O técnico Carlo Ancelotti, primeiro estrangeiro a comandar o Brasil em uma Copa desde os anos 1960, entra no Mundial respaldado pela opinião pública. Segundo a Quaest, 58% dos entrevistados aprovam o trabalho do treinador, enquanto 14% o desaprovam. Outros 28% ainda não formaram opinião ou preferem não avaliar.
A convocação de Neymar, alvo recorrente de debates por causa de lesões e controvérsias fora de campo, também passa por uma guinada. A aprovação à presença do atacante na lista da Copa chega a 53%, seis pontos a mais do que no levantamento anterior. A desaprovação cai de 45% para 38%, e os que não sabem opinar oscilam de 8% para 9%.
Clima nas arquibancadas e nas telas
O Brasil estreia no Mundial neste sábado (13), às 19h (horário de Brasília), contra o Marrocos, no MetLife Stadium, em Nova Jersey, nos Estados Unidos. A partida marca o primeiro teste real da Seleção de Ancelotti em um torneio que espalha jogos por três países e exige logística complexa de deslocamentos e adaptação.
A percepção captada pela Quaest ajuda a explicar o clima que se desenha nas arquibancadas e nas transmissões. Um torcedor menos confiante tende a consumir a Copa com mais desconfiança, acompanhando cada escalação, substituição e entrevista coletiva em busca de sinais de que o time engrena. O avanço do otimismo em 10 pontos entre os que acreditam no título, porém, indica espaço para uma reaproximação emocional, caso os primeiros resultados sejam positivos.
Na prática, esse humor dividido impacta desde campanhas publicitárias até a audiência de jogos e programas esportivos. Regiões mais confiantes, como Nordeste e Centro-Oeste/Norte, tendem a engajar mais cedo com a cobertura, enfeitar ruas, organizar telões e lotar bares em dias de partida. Áreas mais céticas podem se aquecer apenas se a Seleção mostrar desempenho convincente nas primeiras rodadas.
A aprovação majoritária de Ancelotti e o crescimento do apoio a Neymar também ajudam a reduzir o ruído político em torno da Seleção, que esteve presente em Copas recentes. Com menos foco em disputas extracampo, a narrativa se desloca para o que acontece dentro das quatro linhas: o esquema tático, a forma física dos principais jogadores e a capacidade de reação do time em jogos decisivos.
As emissoras de TV, plataformas de streaming e redes sociais monitoram esse movimento em tempo real. Quanto mais o torcedor acredita na campanha, maior a disposição para acompanhar pré-jogos, programas de análise e bastidores de concentração. A própria CBF e seus patrocinadores ajustam ações de marketing e conteúdo digital de acordo com o humor captado por pesquisas como a da Quaest.
Próximos jogos e o teste da confiança
Os primeiros dias da Copa vão mostrar se o salto de otimismo registrado em junho se sustenta ou se a desconfiança volta a crescer. Um bom resultado contra Marrocos pode acelerar a reconciliação do torcedor com a Seleção, especialmente entre quem hoje ainda não acredita no hexa, mas demonstra disposição para se deixar convencer.
A cada partida, o time de Ancelotti terá diante de si não apenas o adversário em campo, mas também a tarefa de reconstruir a imagem de uma camisa que já foi sinônimo automático de favoritismo. O Brasil entra em campo carregando o peso de cinco títulos, duas décadas sem levantar a taça e um país que oscila entre o ceticismo e a velha esperança verde e amarela. A Copa recém-começa, e a próxima pesquisa pode revelar se a arquibancada decidiu, enfim, voltar a acreditar.
