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Irã promete resposta mais severa a ataques dos EUA e fecha Estreito de Ormuz

O vice-presidente iraniano Mohammad Mokhber afirma nesta quinta-feira (11), em Teerã, que o Irã responderá com “mais severidade e força” a qualquer novo ataque dos Estados Unidos. Ele diz que o futuro da guerra depende exclusivamente das decisões do governo Donald Trump.

Escalada após ataques aéreos e Ormuz fechado

A declaração de Mokhber à CNN ocorre poucas horas depois de uma nova troca de ataques aéreos entre Estados Unidos e Irã na região do Golfo Pérsico. A Guarda Revolucionária confirma ter bombardeado bases americanas na Jordânia, no Kuwait e no Bahrein, em resposta ao ataque militar lançado por Washington contra alvos iranianos durante a noite.

O governo iraniano anuncia ainda o fechamento do Estreito de Ormuz “até novo aviso”, obrigando petroleiros e navios cargueiros a mudar rotas em uma das passagens marítimas mais sensíveis do planeta. Cerca de um quinto do petróleo consumido no mundo cruza diariamente esse corredor de menos de 50 quilômetros de largura em seu ponto mais estreito, o que amplia o potencial de choque imediato nos preços de energia.

Mensagens cruzadas entre retaliação e negociação

Mokhber adota tom de desafio direto a Washington. “Sempre que eles (os EUA) atacam, respondemos com mais severidade e mais força”, afirma. Para ele, Trump precisa compreender que “a República Islâmica não recuará nem abrirá mão de sua independência e de seus interesses nacionais. E faremos com que os agressores se arrependam”.

Questionado se acredita em retomada da guerra em larga escala entre os dois países, o dirigente devolve a responsabilidade à Casa Branca. “Essa questão está nas mãos dele. Se respeitarem os interesses do Irã e agirem de acordo, a guerra terminará. Caso contrário, a guerra continuará”, diz. A CNN lembra que opera no Irã apenas com autorização do governo, mas mantém controle editorial sobre as reportagens.

Nos bastidores, o discurso duro convive com uma negociação delicada. Três fontes iranianas e um funcionário europeu relatam que Teerã e Washington trocam mensagens sobre os detalhes de um memorando, após um entendimento político inicial. O texto, segundo essas fontes, ainda esbarra em pontos sensíveis, como o mecanismo para liberar bilhões de dólares em ativos iranianos congelados no exterior desde rodadas anteriores de sanções.

Uma das fontes iranianas define o impasse militar como “um beco sem saída”. Segundo ela, os americanos não conseguem atingir objetivos estratégicos apenas com ataques ao território iraniano, ao mesmo tempo em que sofrem com a vulnerabilidade de suas bases espalhadas pela região. “Houve progresso nas negociações”, afirma, ao descrever um processo que alterna pressão militar e gestos diplomáticos.

Trump repete nos últimos dias que um acordo “está próximo”, sem apresentar cronograma claro ou detalhar compromissos. Autoridades americanas evitam comentar publicamente o estágio das conversas indiretas. A Casa Branca tenta manter margem de manobra para, ao mesmo tempo, ameaçar novos ataques e sustentar a narrativa de que busca um entendimento amplo com a liderança iraniana.

Bases sob pressão e impacto global no petróleo

O cenário mais imediato da escalada aparece nas bases americanas espalhadas pelo Golfo. Na Jordânia, militares recebem ordem para se abrigar após alertas de mísseis e drones. A Guarda Revolucionária afirma ter “destruído instalações e um grande número de aeronaves de combate” na base aérea de Al-Azraq, segundo a mídia estatal iraniana. Washington não confirma a extensão dos danos.

No Kuwait, autoridades fecham o espaço aéreo e acionam baterias de defesa antiaérea contra o que descrevem como “objetos hostis”. No Bahrein, sirenes soam em áreas próximas a instalações militares, de acordo com o Ministério do Interior. A multiplicação de focos de tensão eleva o risco de erros de cálculo e de incidentes fora de controle, em uma região que abriga mais de 30 mil militares americanos e concentra parte importante da infraestrutura naval dos EUA.

O fechamento do Estreito de Ormuz adiciona uma camada econômica à crise. Armadores relatam atrasos e reprogramação de rotas em contratos de entrega de petróleo e derivados. Em episódios anteriores de tensão semelhante, como em 2019, o simples temor de bloqueio parcial da passagem fez o barril de Brent subir mais de 10% em poucos dias. Agora, com a confirmação oficial de que o estreito está “fechado até novo aviso”, operadores de mercado projetam nova rodada de alta, com impacto direto sobre combustíveis, fretes e inflação global.

Países importadores de energia na Ásia e na Europa monitoram efeitos sobre cadeias de produção que ainda se recuperam de choques recentes, como a pandemia de Covid-19 e a guerra na Ucrânia. Governos discutem uso de reservas estratégicas de petróleo e reforço de rotas alternativas, mas essas medidas têm alcance limitado diante da centralidade de Ormuz no fluxo diário de navios-tanque.

Pressão sobre diplomacia e incerteza à frente

A combinação de retórica inflamada, ataques de mísseis e acenos de negociação empurra a comunidade internacional para uma diplomacia de urgência. Nações com laços econômicos com Teerã e Washington tentam evitar que a escalada feche de vez a janela para um acordo que envolve não apenas o fim imediato dos ataques, mas também o futuro do programa nuclear iraniano e o destino de sanções que restringem a economia do país há mais de uma década.

Dentro do Irã, a fala de Mokhber reforça a narrativa de resistência contra o que o regime chama de agressão americana e defesa da “independência nacional”. A linha dura da liderança vê na disposição de retaliar, e no uso do Estreito de Ormuz como instrumento de pressão, uma forma de elevar o preço político para qualquer ofensiva militar de Washington. Do lado americano, Trump tenta equilibrar a promessa de firmeza com o cálculo eleitoral doméstico, ciente de que uma guerra prolongada no Oriente Médio costuma desgastar presidentes.

Diplomatas europeus envolvidos nas conversas alertam que o relógio corre contra uma solução ordenada. Cada novo ataque, de um lado ou de outro, dificulta a construção de um texto aceitável para Teerã e Washington. A liberação gradual de recursos iranianos congelados, vista por negociadores como chave para destravar o memorando, enfrenta resistências no Congresso americano e entre aliados regionais preocupados com um Irã mais fortalecido financeiramente.

As próximas horas devem indicar se prevalece a lógica da retaliação ou da barganha. Um cessar-fogo formal, mesmo que descrito pela ONU como simples “redução de combates”, teria potencial para aliviar temporariamente os mercados e abrir espaço a uma negociação mais detalhada. Se o tom de Mokhber se converter em nova rodada de ataques e respostas, o conflito tende a se espalhar por uma região já saturada de crises e a manter em suspenso a pergunta central: até onde Estados Unidos e Irã estão dispostos a ir para defender, na prática, os interesses que juram não abandonar.

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