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Queda de avião em Marília mata duas pessoas e fere uma

A queda de um avião de pequeno porte mata duas pessoas e deixa um ferido em Marília, no interior de São Paulo, na manhã de 10 de junho de 2026. A aeronave cai poucos minutos após decolar do aeroporto da cidade e provoca uma operação de resgate que mobiliza bombeiros, Samu e a administração do terminal.

Acidente perto de campo de futebol choca comunidade

O avião, de prefixo PT-MDB, cai na região de um clube, ao lado de um campo de futebol, a poucos quilômetros da pista de pouso e decolagem. A bordo estão o piloto Gabriel Maloni Mendes da Cruz, o passageiro Henrique Guariente e um terceiro ocupante identificado como Pablo.

O impacto deixa Gabriel e Henrique presos às ferragens. Eles morrem no local antes da chegada ao hospital. Pablo é retirado com vida da cabine, atendido por equipes do Corpo de Bombeiros e do Samu e levado para atendimento médico. Até o fim da tarde, seu estado de saúde não é detalhado pelas autoridades.

Segundo a Rede Voa, que administra o aeroporto de Marília, o monomotor decola por volta das 11h e cai logo em seguida, ainda na área urbana. Sete viaturas de resgate e combate a incêndio são enviadas à região do clube, que é isolada para a atuação das equipes. A cena do acidente atrai moradores e frequentadores do campo, enquanto policiais orientam curiosos a se afastar.

Dono da aeronave lamenta mortes e diz colaborar com apuração

A aeronave pertence ao empresário Carlos Eduardo Alves, dono do Grupo Ponzan Alimentos, que mantém operações na região. Gabriel, que pilotava o avião no momento da queda, presta serviços à empresa há cerca de dois anos. Nas redes sociais, Carlos confirma que não está a bordo e afirma estar bem fisicamente, mas abalado com a morte do funcionário e do outro passageiro.

“Como muitos sabem, nossa aeronave acabou vindo a cair hoje em uma fatalidade com nosso piloto e pessoas que estavam juntas. Meus sentimentos à família. Gabriel amava o que fazia, toda hora disposto a cumprir o que servia, para mim é uma perda tamanha”, escreve o empresário. Colegas de trabalho relatam que o piloto cumpre rotas regulares para a empresa, em voos corporativos curtos pelo interior do estado.

Em nota oficial, o Grupo Ponzan afirma que acompanha as investigações e que presta apoio às famílias. “Neste momento de imensa tristeza, toda a família Grupo Ponzan se solidariza com os familiares, amigos e colegas de trabalho de Gabriel, expressando nossas mais sinceras condolências diante desta perda irreparável”, informa o texto. A empresa confirma que outra pessoa também morre no acidente e que uma terceira vítima está hospitalizada.

O comunicado destaca que “as circunstâncias da ocorrência estão sendo apuradas pelos órgãos e autoridades competentes” e que a companhia oferece “total colaboração”. A direção pede respeito à memória das vítimas e reforça que presta suporte psicológico e assistencial às famílias atingidas.

Investigação analisa causas e acende alerta sobre segurança

Registros da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) consultados no Registro Aeronáutico Brasileiro indicam que o avião está em “situação normal” de aeronavegabilidade. O modelo é de uso privado e possui dois motores convencionais, configuração comum na aviação executiva brasileira. A checagem da documentação reduz a suspeita de irregularidades formais, mas não afasta a necessidade de perícia extensa.

Peritos da polícia técnica e especialistas em investigação de acidentes aéreos passam a tarde no local recolhendo partes da fuselagem, documentos e relatos de testemunhas. Entre os pontos em análise estão condições meteorológicas, possível falha de motor, peso da aeronave, plano de voo e experiência do piloto. Moradores relatam ter visto o avião perder altitude de forma rápida logo após a decolagem.

Quedas de aeronaves de pequeno porte voltam a expor fragilidades do setor, que concentra a maior parte dos acidentes da aviação civil no país. Relatórios do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos mostram historicamente que falhas de manutenção, decisões de voo sob pressão e condições de pista são fatores recorrentes em ocorrências com aviões executivos e táxis aéreos.

O caso em Marília se soma a outros episódios recentes em cidades como Nova Iguaçu (RJ), Belo Horizonte (MG) e no próprio estado de São Paulo, que registram acidentes com mortes em trajetos curtos. Para moradores e funcionários do aeroporto, a tragédia interrompe a rotina de pousos e decolagens e reacende a cobrança por fiscalização mais rígida de aeronaves privadas.

Comunidade em luto aguarda respostas oficiais

Famílias das vítimas e funcionários do Grupo Ponzan passam o dia entre o IML, o aeroporto e a sede da empresa, em busca de informações. Colegas descrevem Gabriel como um profissional experiente, acostumado à rota na região. Amigos de Henrique e de Pablo acompanham as notícias sobre o estado de saúde do sobrevivente e cobram esclarecimentos sobre o que acontece nos minutos finais do voo.

A prefeitura de Marília oferece apoio às famílias e coloca equipes de assistência social à disposição. Moradores da vizinhança do clube onde o avião cai relatam medo com o barulho e lembram que o campo costuma receber crianças para partidas e treinamentos, principalmente nos fins de semana. No momento do acidente, não há jogos em andamento.

As próximas semanas devem ser dedicadas à análise minuciosa dos destroços e dos registros de manutenção, além da escuta formal de testemunhas e de representantes da empresa. Laudos preliminares costumam levar pelo menos 30 dias, enquanto o relatório final pode demorar meses. Até que os técnicos indiquem com precisão o que leva o avião ao solo, a pergunta que ecoa entre moradores, familiares e colegas de trabalho permanece a mesma: como um voo tão curto termina em uma perda tão grande?

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