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Bill Gates diz ao Congresso dos EUA que foi chantageado por Jeffrey Epstein

Bill Gates afirma, em depoimento ao Congresso dos Estados Unidos em junho de 2026, que Jeffrey Epstein o chantageia com informações sobre casos extraconjugais. O relato reacende dúvidas sobre a extensão da influência do financista sobre a elite global.

Depoimento expõe bastidores da relação

Sentado diante de parlamentares em Washington, Gates descreve uma relação que classifica como “um grave erro de julgamento”. Ele confirma encontros com Epstein entre 2011 e 2013, anos depois de o financista já enfrentar o rótulo público de abusador sexual. Afirma que, nesse período, o bilionário usa informações sobre sua vida pessoal para tentar ampliar sua influência.

Gates relata que Epstein o ameaça expor casos extraconjugais, conhecidos por um círculo restrito de assessores e advogados. Nas palavras do fundador da Microsoft, tratam-se de “questões profundamente pessoais, que não dizem respeito ao interesse público, mas foram usadas como arma”. A declaração, feita sob juramento, rompe a linha oficial de defesa que, por anos, tenta reduzir os encontros a conversas sobre filantropia e projetos de saúde global.

O depoimento ocorre em um momento em que o Congresso americano busca entender a extensão da rede de relações de Epstein, morto em uma cela federal em agosto de 2019, em Nova York. Parlamentares querem mapear quem se beneficia de sua capacidade de intermediar encontros, doações e investimentos de alto valor, muitas vezes em ambientes sem registro formal. A sessão é transmitida ao vivo por canais públicos e redes de notícias, com audiência estimada em milhões de pessoas.

Gates, que ocupa a lista dos homens mais ricos do mundo há mais de duas décadas, tenta construir uma narrativa de vítima de manipulação. “Não há desculpa para eu ter aceitado qualquer encontro com Epstein. Ele explorou minha vulnerabilidade em um momento em que meu casamento passava por dificuldades”, declara. O casamento com Melinda French Gates termina oficialmente em 2021, após 27 anos, em um acordo estimado em mais de US$ 60 bilhões em patrimônio partilhado.

Rede de poder, chantagem e reputação em jogo

As palavras de Gates reverberam além da sala de audiência. A menção explícita à chantagem reforça a hipótese de que Epstein se apoia em informações íntimas para manter proximidade com figuras poderosas. Essa dinâmica já surge em documentos judiciais e depoimentos anteriores, mas raramente é reconhecida de forma tão direta por um nome de peso semelhante.

Com faturamento anual de mais de US$ 200 bilhões em 2025, a Microsoft tenta se distanciar do episódio. A empresa divulga nota curta, lembrando que Gates deixa o conselho em 2020 e não ocupa cargo executivo desde 2008. Ainda assim, o depoimento reacende questionamentos de investidores sobre políticas de governança e mecanismos internos de proteção de reputação em gigantes de tecnologia, que concentram poder econômico e político sem precedentes.

Fundos de pensão e gestores de recursos, responsáveis por trilhões de dólares em ativos, analisam se novas políticas de transparência pessoal para líderes empresariais se tornam necessárias. Conselhos de administração passam a discutir, em reuniões fechadas, a inclusão de cláusulas de conduta e de dever de informação sobre riscos de chantagem. Em várias jurisdições, autoridades reguladoras observam o caso como possível gatilho para endurecer regras de compliance e de prevenção a conflitos de interesse.

Especialistas em ética pública apontam outro efeito concreto. A narrativa de Gates pode encorajar outras figuras a relatar situações semelhantes, envolvendo não apenas Epstein, mas operadores menos conhecidos, que transitam entre política, finanças e filantropia. “Quando alguém desse porte admite que se deixou capturar por chantagem, mostra que o problema não se limita a indivíduos vulneráveis ou fora do poder”, avalia um professor de governança de Harvard ouvido pelo portal.

O impacto internacional também se torna evidente. Parlamentos na Europa e na América Latina já discutem, desde 2023, propostas para obrigar autoridades a declarar riscos de extorsão e exposição de dados pessoais sensíveis. O depoimento de Gates oferece munição política para acelerar projetos que criam protocolos de proteção e canais seguros de denúncia para líderes sob ameaça.

Investigações ampliadas e pressão por transparência

A revelação sobre chantagem potencializa uma nova rodada de investigações sobre o círculo de influência de Epstein. Comissões do Congresso indicam que podem convocar outros executivos, banqueiros e ex-autoridades citados em agendas de viagens, registros de jatos particulares e diários apreendidos pelo FBI. A meta é estabelecer se a tática descrita por Gates se repete em outros casos e se houve contraprestações em forma de contratos, doações ou favorecimentos regulatórios.

Promotores federais avaliam se novas frentes de apuração são juridicamente possíveis, mesmo após a morte de Epstein. Colaboradores e ex-sócios ainda vivos podem ser alvo de intimações para esclarecer o uso de dados pessoais como instrumento de pressão. Organizações de defesa de vítimas de exploração sexual, por sua vez, cobram que a atenção não se restrinja à elite global, mas se traduza em maior proteção a pessoas sem poder econômico que enfrentam chantagem cotidiana.

Gates tenta encerrar o depoimento com um gesto de mea-culpa controlado. Diz que, em retrospecto, deveria ter cortado todos os laços com Epstein na primeira reunião e informado conselheiros e autoridades competentes sobre a tentativa de chantagem. “Falhei nesse ponto. Hoje, estou ciente de que o silêncio ajuda esse tipo de comportamento a prosperar”, afirma.

O Congresso pretende divulgar, nas próximas semanas, um relatório preliminar com recomendações para o Executivo, o Judiciário e o setor privado. A expectativa é que o documento proponha prazos claros para reporte de ameaças, punições mais duras a agentes de chantagem e incentivos à adoção de programas internos de proteção a denunciantes. A sessão com Bill Gates encerra o dia legislativo, mas deixa em aberto a principal questão que paira sobre o caso Epstein: quantas histórias semelhantes ainda permanecem em silêncio e quanto poder elas continuam a produzir nos bastidores.

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