Trump pressiona Irã e diz que acordo depende de “começar a assinar”
Donald Trump afirma nesta quarta-feira (10) que o Irã só precisa “começar a assinar” um documento já negociado para concluir um acordo com os Estados Unidos. A declaração ocorre no Salão Oval da Casa Branca, em meio a uma escalada militar e diplomática entre Washington e Teerã.
Pressão máxima no Salão Oval
O presidente americano diz que o texto, resultado de meses de conversas sigilosas e confrontos públicos, está pronto. Falta apenas, segundo ele, a decisão política iraniana. “Tudo o que eles precisam fazer é começar a assinar um documento. Está totalmente negociado”, afirma Trump, cercado de assessores, na Casa Branca, em Washington.
Na mesma fala, o republicano deixa claro que a paciência com Teerã se esgota. “Temos um documento totalmente negociado — mas eles estão protelando, e dizem: ‘Tudo bem, vamos dar a eles mais alguns dias’. Eles estão protelando porque é um documento importante”, diz. Ao insistir na ideia de que só falta a assinatura, o governo americano tenta deslocar a responsabilidade pelo impasse para o líder iraniano e sua cúpula militar.
O acordo em discussão busca selar um entendimento mais amplo entre os dois países, após anos de sanções econômicas, incidentes militares e ameaças recíprocas. O texto, segundo assessores de Trump, envolve limites às atividades militares iranianas na região, mecanismos de verificação mais rígidos e um cronograma para alívio gradual de sanções que hoje bloqueiam dezenas de bilhões de dólares em ativos e exportações.
Ameaça de novos ataques e risco de escalada
Trump combina pressão diplomática com ameaças militares diretas. Poucas horas antes das declarações no Salão Oval, ele escreve nas redes sociais que o Irã “demora demais para negociar um acordo que teria sido ótimo para eles”. Diante de repórteres, eleva o tom. “Vamos atacá-los, atacá-los com muita força”, afirma, ao comentar o derrubamento de um helicóptero Apache americano no Estreito de Ormuz, ponto estratégico por onde passa cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo.
“Com base no helicóptero, acho que temos o direito de fazer isso”, diz o presidente, sugerindo que o episódio, ocorrido em uma das rotas mais sensíveis do Golfo Pérsico, abre espaço para uma resposta militar robusta. A Casa Branca não divulga números oficiais sobre mortos ou feridos, mas fontes militares descrevem o ataque como o incidente mais grave na região em meses. A combinação de um acordo “pronto para assinatura” com a ameaça de novos bombardeios cria um jogo de cenários extremos para Teerã, que oscila entre ganhos econômicos potenciais e o risco de sofrer ataques adicionais em seu território ou contra ativos no exterior.
Nos bastidores, diplomatas europeus envolvidos em tentativas de mediação alertam que o endurecimento público de Washington reduz a margem de manobra iraniana. Cada nova ameaça, avaliam, fortalece setores mais radicais em Teerã, que veem o recuo como sinal de fraqueza. Desde a saída dos EUA do acordo nuclear de 2015, há mais de dez anos, as negociações entre os dois países seguem marcadas por desconfiança, mudanças de rota e episódios de violência no Golfo.
Economia, petróleo e o custo do impasse
O impasse atual tem impacto direto na economia iraniana e nos mercados globais. As sanções americanas restringem a venda de petróleo, principal fonte de receita de Teerã, e travam o acesso a reservas estimadas em dezenas de bilhões de dólares em bancos estrangeiros. Trump avisa que não pretende descongelar ativos antes de um acordo de paz formal, reforçando a lógica de “tudo ou nada” nas negociações.
Enquanto o documento não é assinado, companhias de energia acompanham cada movimento no Estreito de Ormuz. Qualquer sinal de conflito mais amplo pode pressionar o barril de petróleo para cima em questão de horas, afetando inflação, custos de transporte e preços de combustíveis em economias dependentes de importação, como Brasil e países europeus. Analistas de mercado veem na combinação de ameaças militares e indefinição diplomática um dos principais fatores de volatilidade para os próximos meses.
Os efeitos ultrapassam o campo econômico. O aumento da presença militar americana no Golfo, com navios, aviões e sistemas antimísseis adicionais, coloca aliados regionais em posição delicada. Países como Arábia Saudita, Emirados Árabes e Israel pressionam por uma postura dura contra Teerã, mas temem se tornar alvos diretos em caso de retaliação. Ao mesmo tempo, Rússia e China aproveitam o desgaste para aprofundar laços com o Irã, oferecendo cooperação militar, tecnológica e energética, o que redesenha equilíbrios de poder no Oriente Médio.
Corrida contra o relógio diplomático
Trump insiste que os Estados Unidos estão nos “estágios finais” das tratativas. A frase ecoa em chancelerias de todo o mundo, que tentam decifrar se se trata de um anúncio real de avanço ou de mais uma rodada de pressão pública. Assessores do presidente falam, em caráter reservado, em uma janela de poucas semanas para que o Irã dê uma resposta clara ao texto apresentado.
Se Teerã seguir resistindo, Washington já indica o caminho: sanções prolongadas, possível ampliação de restrições a bancos e empresas que negociem com o país, e aumento gradual da presença militar na região do Golfo. Especialistas em segurança alertam também para o risco de ciberataques, sabotagens a infraestrutura de energia e ações indiretas por grupos aliados ao Irã em países vizinhos.
A cada novo pronunciamento de Trump, o custo político de recuar aumenta para os dois lados. Um acordo assinado pode destravar investimentos, aliviar a pressão sobre a população iraniana e reduzir o risco de um confronto aberto. A ausência de assinatura mantém o Oriente Médio em suspenso, com a diplomacia correndo atrás de um entendimento que, segundo a Casa Branca, cabe agora ao Irã apenas “começar a assinar”.
