Aprovação de Lula sobe e empata tecnicamente com desaprovação
A aprovação ao governo Lula sobe a 47% e empata tecnicamente com a desaprovação, de 48%, segundo pesquisa Genial/Quaest feita entre 5 e 8 de junho de 2026. O resultado indica reversão parcial do cenário negativo que marcava os meses anteriores. O movimento é sustentado sobretudo pelo Nordeste e por beneficiários do Bolsa Família.
Avaliação melhora e reduz distância para críticos
O levantamento, realizado com 2.004 entrevistas presenciais em todas as regiões do país, mostra um governo que deixa para trás a fase de maior desgaste. A diferença entre aprovação e desaprovação, que chega a nove pontos em abril, cai agora para apenas um ponto percentual, dentro da margem de erro de dois pontos. O registro na Justiça Eleitoral é BR-07661/2026, com nível de confiança de 95%.
Em abril, 43% dos entrevistados aprovavam o trabalho de Lula, enquanto 52% desaprovavam. Em maio, a distância ainda era desfavorável: 46% de aprovação contra 49% de desaprovação. A nova rodada consolida uma trajetória de recuperação gradual, que reduz a vantagem dos críticos e abre espaço para um cenário mais equilibrado no debate político.
A pesquisa pergunta de forma direta se o eleitor aprova ou desaprova o trabalho que o presidente está fazendo. Apenas 5% não sabem ou preferem não responder, o que indica um julgamento consolidado, mesmo em meio a turbulências econômicas e disputas em Brasília. A Quaest também mede a avaliação do governo em três faixas: positiva, regular e negativa.
Nesse recorte, 34% classificam o governo como positivo, 26% o veem como regular e 38% o consideram negativo. Outros 2% não opinam. A fatia dos que enxergam o governo de forma negativa recua um ponto em relação a maio, quando estava em 39%, enquanto a percepção positiva permanece estável em 34%. O grupo do meio, que considera o desempenho regular, oscila de 25% para 26%.
Esse eleitorado que enxerga o governo como “regular” se torna peça central para a disputa de narrativa nos próximos meses. É nele que tanto governo quanto oposição devem mirar seus discursos. Parte desses eleitores aprova o presidente em comparação com alternativas do passado recente, mas ainda mantém reservas em relação aos resultados concretos na economia e na vida cotidiana.
Nordeste, Bolsa Família e baixa renda ancoram apoio
O mapa da pesquisa revela um país dividido, mas com bolsões de apoio sólido ao governo. O Nordeste segue como principal base de Lula: 61% aprovam o governo na região, enquanto 34% desaprovam. No Sudeste, região mais populosa e decisiva em qualquer eleição nacional, o quadro se inverte: 43% aprovam e 51% desaprovam o presidente.
No Sul, a rejeição é ainda mais intensa, com 33% de aprovação contra 63% de desaprovação. No Centro-Oeste e Norte, agrupados pela pesquisa, 44% aprovam e 50% desaprovam. As diferenças regionais refletem tanto o histórico eleitoral de Lula quanto o peso de políticas sociais e de investimentos públicos em cada parte do país.
Entre os beneficiários do Bolsa Família, principal programa social do governo, a aprovação chega a 60%, ante 35% de desaprovação. Entre quem não recebe o benefício, o cenário volta a se tornar desfavorável: 43% aprovam e 52% desaprovam. Os dados confirmam que a política de transferência de renda ainda sustenta boa parte do capital político petista.
A renda familiar também marca cortes claros. Entre entrevistados que ganham até dois salários mínimos, 59% aprovam o governo e 36% desaprovam. Na faixa de mais de dois a cinco salários, há virtual empate dentro da margem de erro: 46% aprovam, 48% desaprovam. Entre os que recebem mais de cinco salários mínimos, 35% aprovam e 60% desaprovam.
O recorte por escolaridade reforça a clivagem. No grupo com ensino fundamental, 58% aprovam o governo e 38% desaprovam. Entre eleitores com ensino médio, a aprovação cai para 41%, enquanto a desaprovação sobe a 53%. No ensino superior, 37% aprovam e 57% desaprovam. A fotografia indica que Lula preserva força entre os mais pobres e com menor escolaridade, mas enfrenta resistência entre segmentos de renda e instrução mais altas.
A religião também pesa na balança. Entre católicos, grupo ainda majoritário no país, 51% aprovam o governo e 44% desaprovam. Entre evangélicos, a relação se inverte: 35% aprovam e 60% desaprovam. A disputa por esse eleitorado, fundamental em eleições recentes, segue como um dos principais desafios do Planalto.
A divisão de gênero completa o quadro. No eleitorado feminino, 49% aprovam o governo Lula e 44% desaprovam. Entre homens, 44% aprovam e 53% desaprovam. O contraste reforça a percepção de que o presidente encontra um ambiente um pouco mais favorável entre mulheres, enquanto permanece pressionado entre homens, sobretudo de renda e escolaridade mais altas.
Cenário político testa fôlego da recuperação
O empate técnico entre aprovação e desaprovação não representa um cheque em branco para o governo, mas afasta, ao menos por ora, o risco de um desgaste contínuo. Com a popularidade em leve alta e a rejeição em queda, o Planalto ganha margem para tentar avançar em pautas econômicas e sociais que dependem de apoio no Congresso e na opinião pública.
O movimento tende a influenciar o cálculo de governo e oposição. Aliados de Lula podem enxergar na nova fotografia um estímulo para intensificar a entrega de obras, programas e anúncios em áreas sensíveis, principalmente Norte e Nordeste. A oposição, por sua vez, deve explorar a insatisfação concentrada nas regiões Sul e Sudeste e nos segmentos de renda mais alta, onde mantém vantagem clara.
O resultado também entra no radar de mercados e investidores, que monitoram o humor do eleitorado para avaliar a viabilidade de reformas e a estabilidade política. Um governo menos pressionado tende a reduzir o risco de agendas erráticas ou recuos bruscos, mas o cenário de divisão quase meio a meio mantém o grau de tensão elevado.
As próximas rodadas da Quaest e de outros institutos vão mostrar se a recuperação se consolida ou se o movimento atual é apenas uma oscilação dentro da margem de erro. A trajetória da inflação, do emprego e da renda, somada à capacidade do governo de comunicar resultados concretos, deve definir o rumo dessa curva.
Enquanto o país se aproxima de um novo calendário eleitoral municipal e discute sucessões futuras, Lula encara um quadro ambíguo: volta a respirar nas pesquisas, mas governa um Brasil claramente dividido. A pergunta em aberto é se o Planalto conseguirá transformar o empate técnico de hoje em vantagem sustentável amanhã.
