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Israel retoma ataques aéreos ao Irã em meio a pressão sobre acordo

Israel retoma ataques aéreos contra alvos estratégicos no Irã em junho de 2026, em plena reta decisiva das negociações mediadas pelos EUA para encerrar a guerra no Oriente Médio. A nova ofensiva busca pressionar o regime de Teerã e sinalizar a Washington que o governo de Benjamin Netanyahu não aceita um acordo que limite sua liberdade de ação militar na região.

Escalada militar em meio à diplomacia

Os bombardeios atingem instalações ligadas ao programa de mísseis e centros de comando da Guarda Revolucionária, segundo fontes militares ocidentais ouvidas sob condição de anonimato. As primeiras ondas de ataque ocorrem na madrugada desta quarta-feira, horário local, com relatos de explosões nas proximidades de Isfahan e na província de Khuzistão, região sensível para a infraestrutura energética iraniana.

Os ataques marcam a retomada de uma estratégia que vinha sendo contida desde o início das conversas diretas entre Teerã e Washington, em abril. Nas últimas quatro semanas, diplomatas americanos e iranianos se reúnem em Genebra para discutir um pacote de cessar-fogo regional e limites reforçados ao programa nuclear de Teerã, com prazo informal de até 30 dias para a conclusão de um texto-base. A ação israelense, lançada quando esse relógio se aproxima da metade, expõe o desconforto de Jerusalém com a arquitetura do acordo em gestação.

Em pronunciamento transmitido em rede nacional, Netanyahu afirma que Israel “não ficará preso a arranjos que coloquem em risco a segurança de seus cidadãos”. Sem mencionar diretamente os EUA, o premiê diz que o país “age hoje para impedir uma ameaça maior amanhã”. Aliados próximos traduzem o recado: Israel quer garantir margem para continuar a atacar ativos iranianos, mesmo que Teerã aceite um novo entendimento com Washington.

Autoridades americanas admitem, em privado, frustração com o timing da ofensiva. Um diplomata que acompanha as negociações classifica o momento como “crítico”, lembrando que os mediadores trabalham com uma janela de poucas semanas antes que a pressão política interna nos Estados Unidos, com as eleições legislativas marcadas para novembro, reduza o capital de negociação da Casa Branca. “Cada míssil lançado agora encurta o espaço político para concessões dos dois lados”, afirma.

Risco de ruptura e impacto global

No cálculo do gabinete israelense, o acordo proposto por Washington congela o enriquecimento de urânio iraniano em níveis abaixo de 20% por pelo menos cinco anos, em troca da suspensão gradual de sanções econômicas que hoje custam bilhões de dólares por ano à economia de Teerã. Jerusalém teme que esse alívio financeiro permita ao regime fortalecer milícias aliadas no Líbano, na Síria, no Iraque e no Iêmen, reduzindo o efeito dissuasório de futuras operações militares israelenses.

Analistas militares em Tel Aviv afirmam que a atual série de ataques tem caráter “cirúrgico”, com foco em radares, depósitos de munição e centros de pesquisa. Ainda assim, a escolha de alvos em regiões próximas a rotas de exportação de petróleo acende alerta nos mercados. Operadores em Londres e Nova York projetam que qualquer sinal concreto de dano à infraestrutura iraniana pode elevar o barril de petróleo em até 10% nas próximas semanas, caso o episódio se prolongue ou atinja áreas próximas ao Estreito de Ormuz, por onde passa quase 20% do petróleo mundial embarcado.

Em Teerã, a retórica endurece. Responsáveis iranianos classificam os ataques como “aventura irresponsável” e acusam Israel de tentar sabotar conversas que, segundo o governo, poderiam gerar alívio econômico já no segundo semestre. Um conselheiro próximo ao líder supremo, Ali Khamenei, diz que “qualquer acordo que ignore a segurança do povo iraniano é inaceitável” e promete resposta “no momento e no lugar apropriados”. Até o fim da tarde, porém, não há confirmação de contra-ataques diretos da parte iraniana.

No plano diplomático, cresce o desconforto. Países europeus envolvidos nas conversas, como França e Alemanha, pressionam por uma pausa na escalada. Diplomatas veem risco de que uma resposta iraniana mais contundente obrigue os EUA a tomar posição pública dura contra Israel, expondo fissuras entre aliados históricos. “Se o diálogo desandar agora, reconstruir confiança pode levar meses, talvez anos”, avalia um pesquisador em segurança regional da Universidade de Haifa.

Negociações sob tensão e cenário adiante

O avanço das negociações depende, nas próximas semanas, da capacidade de Washington de segurar os dois lados. A equipe americana trabalha com um rascunho de cerca de 40 páginas que busca amarrar cronogramas, inspeções internacionais e mecanismos de verificação. Qualquer mudança significativa exigida por Israel ou pelo Irã pode atrasar a assinatura para além de 2026 e empurrar a decisão para outro ciclo político nos EUA e no Oriente Médio.

No gabinete de Netanyahu, a avaliação é que a atual ofensiva funciona como mensagem não apenas a Teerã, mas também ao próprio presidente americano. Integrantes da coalizão governista repetem, em conversas reservadas, que Israel prefere “nenhum acordo a um acordo ruim”. Ao mesmo tempo, setores da oposição israelense alertam para o risco de isolamento internacional e temem que o país seja visto como o responsável por um eventual colapso das conversas.

Para o Irã, o cálculo também é delicado. A promessa de flexibilização de sanções, que hoje mantêm congelados cerca de US$ 60 bilhões em ativos no exterior, é vista por tecnocratas do banco central iraniano como chance rara de estabilizar a moeda e reduzir a inflação, que oscila acima de 30% ao ano. Uma resposta militar ampla pode satisfazer alas mais duras do regime, mas ameaça afastar justamente o acordo que poderia aliviar a pressão econômica interna.

O Oriente Médio entra, assim, em um novo período de incerteza. Cada ataque aéreo, cada declaração pública e cada parágrafo negociado em Genebra redefine, dia a dia, o equilíbrio de forças na região. A questão que permanece em aberto é se a diplomacia conseguirá correr mais rápido do que os jatos que cruzam o céu entre Israel e o Irã.

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