Espanha domina Peru em Puebla e fecha preparação com vitória por 3 a 1
A Espanha vence o Peru por 3 a 1, nesta segunda-feira (8), em Puebla, no México, e encerra o último amistoso antes da Copa de 2026 em alta. O time de Luis de la Fuente controla o jogo do início ao fim, explora a fragilidade peruana na saída de bola e conta com falha decisiva do goleiro Pedro Gallese.
Gol relâmpago dita o ritmo e expõe diferença técnica
O relógio mal passa de dois minutos quando Mikel Oyarzabal encontra espaço entre as linhas peruanas, recebe passe de Cubarsí e arrisca de fora da área. A bola viaja forte, rasteira, e supera Gallese, silenciando a torcida peruana que faz barulho nas arquibancadas do Estádio Cuauhtémoc, em Puebla.
O gol cedo não muda apenas o placar. Ele define a geografia do jogo. A Espanha se instala no campo ofensivo, mantém a posse com trocas rápidas e força o Peru a correr atrás da bola. Mano Menezes, em seu quarto jogo no comando, assiste de perto ao abismo técnico entre uma seleção pronta para jogar um Mundial e outra que ainda procura uma identidade para o ciclo de 2030.
Ferrán Torres e Álex Baena aparecem logo na sequência, alternando infiltrações e finalizações. A defesa peruana recua, tenta compactar a área, mas abre espaço nos lados do campo. Oyarzabal perde chance clara dentro da área, mandando por cima, e dá novo aviso de que o placar poderia ser ainda mais duro.
Aos 31 minutos, a superioridade se traduz em construção coletiva. Rodri recebe de Ferrán Torres por dentro, ergue a cabeça e acha um passe por cima da defesa para o próprio Ferrán, que chega à linha de fundo. O cruzamento rasteiro encontra Pedri em velocidade. O meia apenas desvia para o gol e faz 2 a 0, coroando um domínio que, àquela altura, parece treino de ataque contra defesa.
O Peru reage tardiamente na etapa inicial. Ugarriza fica cara a cara com Unai Simón, dribla o goleiro, mas se vê sem ângulo e finaliza para fora. Vidales também encontra espaço entre os zagueiros e obriga nova intervenção espanhola. São lampejos isolados de um time que sofre para encaixar passes sob pressão alta.
Erro de Gallese vira símbolo de um Peru em reconstrução
O intervalo traz mudanças pontuais, mas não altera o roteiro. A Espanha volta com David Raya no gol e mantém a mesma postura agressiva na marcação. Aos 7 minutos do segundo tempo, a noite de Gallese desanda de vez. O Peru tenta sair jogando curto dentro da área, erra na primeira construção e entrega a bola nos pés de Rodri.
O volante do Manchester City aciona Yéremy Pino na direita. O atacante vai à linha de fundo e cruza sem muita força, em bola que parecia simples para o goleiro. Gallese salta para o corte pelo alto, calcula mal a trajetória e desvia para dentro do próprio gol. O estádio reage com espanto. O 3 a 0 expõe, em um lance, o risco de insistir em um modelo de jogo que o time ainda não domina.
O erro individual pesa, mas não explica tudo. O Peru sofre com a pressão espanhola desde o início e raramente encontra saídas limpas. Mano Menezes tenta reorganizar a equipe com mexidas no meio-campo e nas pontas, apostando em maior força física e velocidade. A resposta vem aos 21 minutos, com o gol de honra.
Jairo Vélez recebe ótimo passe da esquerda, domina com liberdade dentro da área e finaliza alto, sem chance para Raya. O 3 a 1 dá algum alívio ao ataque peruano, ainda que não ameace a vantagem europeia. A Espanha administra o ritmo, roda o elenco, mexe em todas as linhas e testa alternativas para a estreia no Mundial.
Ferrán Torres ainda perde a oportunidade de transformar o placar em goleada. O atacante se antecipa à zaga após cruzamento de Gavi, mas desvia para fora. O amistoso mantém o desenho até o fim: Espanha confortável com a bola, Peru alternando entre resistência e tentativas pontuais de contra-ataque.
A partida acontece sem dois nomes que ganham espaço no noticiário pré-Copa. Nico Williams e Lamine Yamal, ambos com incômodo na coxa esquerda, nem viajam ao México. Luis de la Fuente prefere poupá-los, reforçando a ideia de preservação total às vésperas de um torneio que começa em meados de junho. “A expectativa é tê-los prontos para a estreia”, afirma o treinador, mais cedo, em entrevista antes do embarque.
Espanha chega forte ao grupo H; Peru mira 2030
O resultado em Puebla não vale pontos, mas pesa na sensação de momento. A Espanha encerra a preparação com vitória convincente, sem sustos e com protagonismo distribuído. O time agora volta o foco para o grupo H da Copa do Mundo, que reúne também Cabo Verde, Arábia Saudita e Uruguai.
A estreia está marcada para a próxima segunda-feira, 15 de junho, às 13h (de Brasília), em Atlanta, contra os cabo-verdianos. A tendência é que Luis de la Fuente tenha à disposição um elenco praticamente completo, incluindo Nico Williams e Lamine Yamal, se a recuperação muscular seguir o cronograma previsto. A atuação diante do Peru reforça a imagem de uma seleção capaz de controlar jogos, impor ritmo alto e castigar erros adversários.
O amistoso também oferece recados claros ao Peru. A equipe de Mano Menezes, que fica fora da Copa de 2026, utiliza o jogo como laboratório para um ciclo longo até 2030. A fragilidade na saída de bola, escancarada no terceiro gol, e a dificuldade em resistir à pressão mostram onde estão as urgências. A defesa precisa de mais coordenação. O meio-campo, de opções seguras para escapar da marcação. O ataque, de repertório além das bolas longas e dos lances individuais.
Gallese, um dos líderes do grupo, deixa o campo sob olhar pesado das câmeras. O erro na jogada com Yéremy Pino tende a alimentar o debate doméstico sobre o estilo de jogo da seleção. Até que ponto vale arriscar tanto na construção curta, diante de rivais fortes, com elenco ainda em formação? Mano já sinaliza que não abre mão da ideia de um Peru mais protagonista com a bola, mas sabe que a execução cobra um preço alto em noites como a de Puebla.
Amistoso fecha vitrine; Copa abre nova página
O que se vê no México é um recorte de dois momentos opostos. A Espanha se aproxima da Copa com sensação de prontidão, elenco profundo e um modelo de jogo assimilado. A vitória por 3 a 1 resume a confiança de um grupo que mira não só a classificação no grupo H, mas uma campanha longa em solo norte-americano.
O Peru deixa Puebla com lições duras e uma certeza: não há atalho na reconstrução. O amistoso revela fragilidades, mas também mostra peças promissoras, como Jairo Vélez e alguns dos jovens que entram ao longo do segundo tempo. A seleção volta para casa pensando em eliminatórias, ajustes táticos e na meta de voltar a um Mundial em 2030. Resta saber se o tropeço de Gallese e a diferença técnica exposta diante da Espanha servirão como ponto de ruptura ou como mais um alerta em um processo que ainda está só no início.
