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Cruzeiro eleva oferta por Gabriel Rojas e pressiona Racing

O Cruzeiro avança, em junho de 2026, nas negociações para contratar o lateral-esquerdo Gabriel Rojas, do Racing. Após oferta inicial rejeitada, o clube mineiro eleva a proposta e pressiona os argentinos por um desfecho ainda nesta janela.

Cruzeiro testa limites do Racing e mira titular da lateral

O movimento do Cruzeiro no mercado sul-americano deixa claro o tamanho da urgência na lateral esquerda. O clube já apresentou duas ofertas a Gabriel Rojas, de 28 anos, um dos principais ativos do Racing. A primeira, de 4 milhões de dólares, cerca de R$ 20,4 milhões, não passa da porta em Avellaneda. A segunda, próxima de 6 milhões de dólares, algo em torno de R$ 30,4 milhões, entra na mesa, mas ainda não atende às exigências dos argentinos.

Nos bastidores do Racing, a avaliação é pragmática. O clube admite vender o lateral, desde que o comprador alcance a faixa considerada ideal. Na Argentina, interlocutores ligados à negociação falam em 7 milhões de dólares, aproximadamente R$ 34,5 milhões, como ponto de equilíbrio para um acordo. O Cruzeiro, por sua vez, mede até onde consegue ir sem desorganizar o orçamento da temporada 2026.

A diretoria celeste age com rapidez porque o cenário da posição muda em pouco tempo. O reserva imediato, Kauã Prates, já acerta a saída rumo ao Borussia Dortmund, da Alemanha, no segundo semestre. O titular Kaiki, com contrato até o fim de 2027, vive fase de valorização, recebe sondagens e propostas de clubes europeus e dificilmente sai do radar internacional nesta janela.

Mesmo assim, dirigentes do clube repetem internamente que a chegada de Rojas não depende da venda do camisa 6. A leitura é de que o elenco precisa de duas opções fortes para competir em alto nível em todas as frentes em 2026. O alvo argentino surge como solução imediata, com rodagem continental e números que agradam à comissão técnica.

Bastidores, concorrência e reposição no mercado argentino

O interesse celeste em Rojas se consolida nas últimas semanas com viagens, reuniões e trocas de documentos. O empresário do jogador visita Belo Horizonte no último fim de semana e se reúne com integrantes da diretoria cruzeirense. O encontro serve para alinhar salários, tempo de contrato e bônus por desempenho, além de reforçar a posição do atleta.

Do lado de Rojas, o discurso é direto. O lateral e seu estafe entendem que a transferência para o futebol brasileiro representa um salto competitivo. “Enxergamos o Cruzeiro como um clube de alto nível e um passo importante para a carreira”, dizem pessoas próximas ao jogador, sob condição de anonimato. A vontade do atleta pesa, mas não resolve sozinha uma negociação dessa escala.

O Racing reage ao assédio com uma estratégia de contenção de danos. O clube já abre conversas com o Estudiantes para contratar Gastón Benedetti, também lateral-esquerdo, conforme publica o jornal argentino Olé. A busca por um substituto mostra que a diretoria de Avellaneda trabalha com a possibilidade concreta de perder o titular, desde que o Cruzeiro se aproxime da pedida.

Rojas chega ao Racing em 2023 e rapidamente se firma. Em pouco tempo, participa das conquistas da Copa Sul-Americana de 2024 e da Recopa Sul-Americana de 2025, títulos que o colocam em outro patamar no mercado. O currículo inclui passagens por San Lorenzo, no futebol argentino, Querétaro, do México, e Peñarol, do Uruguai, com 22 assistências somadas nas últimas quatro temporadas, marca considerada alta para um defensor.

Enquanto negocia o lateral, o Cruzeiro monitora também o volante Santiago Sosa, de 27 anos, outro nome valorizado do elenco do Racing. O meio-campista se destaca nas mesmas conquistas continentais e entra no radar celeste como reforço potencial para um setor que pode perder peças para a Europa. A possibilidade de um “pacote” argentino é vista com cautela, já que envolve valores altos e jogos de pressão de todos os lados.

Impacto esportivo e financeiro para Cruzeiro e Racing

A eventual chegada de Gabriel Rojas mexe com a hierarquia da lateral esquerda no Cruzeiro. Kaiki mantém o status de titular, mas passa a conviver com um concorrente de nível semelhante, o que eleva a disputa interna. Para a comissão técnica, a presença de dois jogadores consolidados na posição reduz o risco de queda de rendimento em caso de lesão, suspensão ou saída inesperada para o exterior.

O investimento entre 6 e 7 milhões de dólares representa compromisso relevante para um clube brasileiro ainda em reconstrução estrutural e esportiva. A aposta recai na combinação de experiência internacional e possibilidade de revenda futura, cenário comum no mercado sul-americano atual. Se Rojas rende em Belo Horizonte, vira ativo importante para uma negociação futura com a Europa ou com clubes dos Estados Unidos e do México.

Para o Racing, a equação é diferente. O clube perde um titular consolidado e uma referência recente em conquistas continentais, mas ganha fôlego financeiro para ajustar o elenco e investir em reposições. A movimentação por Gastón Benedetti, do Estudiantes, ilustra esse plano. A saída de um jogador valorizado abre espaço para um novo ciclo e redistribui responsabilidades dentro do elenco.

No cenário mais amplo, a disputa por Rojas reforça a ideia de que o eixo Brasil-Argentina continua central na circulação de talentos na América do Sul. Clubes brasileiros, com cotação favorável do real diante do peso argentino, conseguem oferecer salários mais altos e propostas mais agressivas. Ao mesmo tempo, enfrentam a concorrência indireta de times europeus, que seguem mapeando o continente em busca de oportunidades.

Próximos passos e a janela que dita o ritmo das negociações

Os próximos dias se tornam decisivos para o futuro de Gabriel Rojas. O Cruzeiro avalia internamente se dá mais um passo e se aproxima dos 7 milhões de dólares desejados pelo Racing. Dirigentes argentinos, por sua vez, observam o avanço das conversas com o Estudiantes por Benedetti antes de soltar definitivamente o atual titular.

A janela de transferências sul-americana impõe prazos e pressiona decisões. Se o negócio se concretiza, o Cruzeiro apresenta um reforço de impacto, anima a torcida e reforça o discurso de que volta a brigar na parte de cima do futebol brasileiro em 2026. Se a negociação emperra, a diretoria precisa buscar alternativas rápidas no mercado e lida com o risco de ver Kaiki sair sem um substituto à altura já definido.

No Racing, a eventual venda de Rojas simboliza mais um capítulo da reconstrução de elenco após títulos recentes. A aposta em Benedetti ou em outro nome da posição dirá se o clube consegue manter o nível competitivo sem o lateral que ajuda a levantar a Sul-Americana de 2024 e a Recopa de 2025. Até que a cifra final apareça no papel, a pergunta permanece aberta: quem cede primeiro na mesa de negociações, Cruzeiro ou Racing?

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