Ancelotti marca data de exame e projeta volta de Neymar aos treinos
O técnico Carlo Ancelotti confirma, nesta sexta-feira (5), que Neymar fará ressonância magnética na próxima segunda (8) para tentar ser liberado para treinos coletivos. O atacante se recupera de lesão muscular na panturrilha direita e ainda não trabalha com o grupo. A definição é tratada como decisiva para a participação do camisa 10 na Copa do Mundo de 2026.
Neymar corre contra o tempo antes da Copa
A entrevista acontece na sede da Seleção Brasileira, durante a reta final de preparação para o Mundial. Neymar está afastado dos treinos coletivos desde que foi diagnosticado com lesão de grau 2 na panturrilha direita, problema que costuma exigir de duas a quatro semanas de recuperação em atletas de alto rendimento. No caso do astro, cada dia conta.
Ancelotti adota tom confiante ao detalhar o plano médico traçado para o atacante. O treinador explica que o jogador cumpre uma rotina intensa de trabalhos individuais no campo e na academia, sempre monitorado pelo departamento médico. O objetivo é preservar a musculatura lesionada e, ao mesmo tempo, evitar perda de condicionamento físico às vésperas de uma competição que dura pouco mais de um mês.
O comandante italiano descreve a situação como um processo em fases. Primeiro, fisioterapia e fortalecimento específicos, sem contato com bola. Em seguida, corridas controladas, arrancadas curtas e mudanças de direção com limite de carga. Por fim, a transição para o treino com o grupo, etapa que ainda depende da liberação após os exames.
Na coletiva, Ancelotti deixa claro que o caso está sob controle e que não há improviso na programação. “Acho que a situação do Neymar está bastante clara. Está fazendo um ótimo trabalho individual, vai fazer uma ressonância e, depois, se tudo sair bem, pode treinar com o grupo já na próxima semana”, afirma. A frase sintetiza o clima interno: cautela médica, mas expectativa de ter o camisa 10 à disposição em breve.
Impacto na Seleção e no plano de jogo
A possível volta de Neymar mexe diretamente com o desenho tático da Seleção. Ancelotti trabalha, desde o início da preparação, com um sistema ofensivo que prevê o atacante como peça central na criação das jogadas. Sem ele, a equipe distribui responsabilidades entre os meias e pontas e testa variações com maior mobilidade no ataque.
O amistoso contra o Egito, marcado para este sábado (6), às 19h (de Brasília), vira o último ensaio sem a presença do craque. Enquanto o restante do elenco encara o adversário africano, Neymar permanece em rotina específica, com treinos individuais e avaliações diárias. A comissão técnica trata o jogo como laboratório para ver alternativas reais caso a recuperação não avance como o previsto.
O departamento médico monitora dois marcos importantes neste fim de semana. Ainda no sábado (6), estão previstos novos testes de campo para medir força, potência e resposta da panturrilha em ações mais intensas. Se esses indicadores apontarem evolução satisfatória, o exame de segunda-feira (8) tende a confirmar a cicatrização do músculo e a liberação para treinos coletivos.
O cenário oposto também está mapeado. Qualquer sinal de edema, inflamação ou falha na cicatrização pode adiar a volta de Neymar ao grupo e forçar mudanças profundas no plano de jogo. Nesse caso, Ancelotti teria de consolidar uma formação sem seu principal articulador ofensivo logo na largada da Copa, o que altera hierarquias dentro do elenco e redistribui protagonismo entre os atacantes.
Exame define próximos passos na reta final
O cronograma da Seleção até a estreia no Mundial transforma a ressonância magnética de segunda-feira em ponto de virada. Se vier a liberação, Neymar passa a integrar as atividades táticas já na próxima semana e ganha, na prática, alguns treinos completos com o grupo antes da viagem para a cidade da primeira partida. A comissão avalia que até dez dias de trabalho cheio bastam para recolocá-lo em ritmo competitivo, desde que não haja recidiva.
O histórico recente do atacante, marcado por problemas físicos em grandes torneios, pesa na tomada de decisão. A comissão médica evita qualquer risco de antecipar etapas e vê na transparência de Ancelotti uma forma de blindar o jogador de cobranças precipitadas. Ao expor o calendário de exames e condicionar a volta ao resultado da ressonância, o treinador divide com a ciência o papel de juiz final.
O torcedor acompanha esse processo com uma mistura de ansiedade e esperança. A presença de Neymar em campo ainda simboliza, para boa parte do público, a chance de o Brasil voltar a disputar o título mundial depois de fracassos em 2014, 2018 e 2022. A ausência prolongada nos treinos coletivos acende o alerta, mas o discurso otimista da comissão técnica renova as expectativas a cada atualização.
A Seleção encerra o último amistoso sem seu principal jogador e espera, agora, a imagem precisa da panturrilha direita do camisa 10. Entre as salas de fisioterapia e o centro de ressonância, o Mundial de 2026 começa, silenciosamente, a ser decidido. A segunda-feira coloca em números e laudos aquilo que hoje ainda é projeção: quanto de Neymar o Brasil terá em campo quando a bola, enfim, rolar.
