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Polícia de NY investiga grupos que descem a esgotos em busca de valores

Grupos de homens vêm sendo flagrados por câmeras de vigilância, nas últimas semanas, entrando no sistema de esgoto de Nova York em busca de objetos de valor. A polícia concentra as investigações em bairros de Brooklyn e Queens, onde os suspeitos removem tampas de bueiros, desaparecem no subsolo e retornam horas depois.

Caçadores de tesouro sob as ruas de Nova York

As imagens, analisadas desde o fim de maio de 2026, mostram uma rotina que inquieta autoridades e moradores. Em um dos vídeos, gravado em uma rua residencial do Brooklyn, pelo menos três homens chegam durante a madrugada, levantam a pesada tampa de ferro de um bueiro, descem um a um e deixam apenas o buraco aberto por alguns segundos. Horas mais tarde, emergem cobertos de sujeira e entram em um carro que parte sem ser identificado.

A polícia de Nova York confirma que recebeu relatos semelhantes em diferentes pontos de Brooklyn e Queens na última semana. Em nota enviada à BBC, o Departamento de Polícia de Nova York afirma que “vários indivíduos não identificados” são vistos removendo tampas de bueiros, entrando no sistema de esgoto e saindo depois em um veículo sem placas visíveis. “Não houve feridos. Não há prisões, e a investigação permanece em andamento”, diz o texto.

Fontes policiais ouvidas por veículos como CBS News e BBC descrevem os homens como “caçadores de tesouro” e exploradores urbanos em busca de qualquer objeto que possa ser revendido. A suspeita é que eles estejam atrás de joias, relógios, celulares e até dinheiro perdido, levados pela água da chuva para o intrincado labirinto de galerias subterrâneas. Ainda não está claro se se trata de uma única quadrilha se deslocando entre bairros ou de pequenos grupos que imitam o mesmo método.

O caso chama atenção em uma cidade acostumada a números expressivos de furtos de rua e roubos de carros, mas pouco habituada a ver a criminalidade se deslocar para o interior da rede de esgoto. O que hoje aparece em poucos vídeos pode ser o sinal mais visível de uma prática que, segundo investigadores, pode acontecer há mais tempo, longe das câmeras. Em um ambiente onde cada esquina costuma ser vigiada, o subsolo surge como fronteira menos controlada.

Risco extremo, impacto público e brecha de segurança

O Departamento de Proteção Ambiental da cidade (DEP), responsável pelos esgotos, reage com preocupação. “Entrar no sistema de esgoto é tanto ilegal quanto extremamente perigoso”, afirma um porta-voz à BBC. Ele enumera riscos que vão muito além da sujeira. “Os esgotos podem conter inúmeros perigos, incluindo gases nocivos e potencialmente mortais, superfícies instáveis, riscos de inundação e espaços confinados”, diz. A recomendação é direta: “Por essas razões, membros do público nunca devem entrar em um tubo, ralo, bueiro ou emissário de esgoto.”

A legislação de Nova York prevê punições para quem danifica ou manipula infraestrutura pública, incluindo tampas de bueiro e redes de esgoto. Se houver intenção de subtrair bens, a conduta abre espaço para acusações de roubo. Fontes citadas pela CBS indicam que, caso identificados, os exploradores subterrâneos podem responder por múltiplos crimes, o que eleva penas potenciais e dificulta acordos judiciais rápidos.

As cenas também tocam em uma preocupação simbólica e prática para uma metrópole de mais de 8 milhões de habitantes. A cidade investe bilhões de dólares por década em redes de esgoto, drenagem e contenção de enchentes. A entrada irregular em galerias pode danificar tampas, comprometer estruturas e expor o sistema a riscos adicionais, em um cenário em que chuvas intensas e eventos climáticos extremos se tornam mais frequentes.

A circulação dos vídeos nas redes sociais alimenta uma curiosidade conhecida sobre a “cidade invisível” sob Manhattan, Brooklyn e Queens, onde túneis, passagens técnicas e canos de grande porte se cruzam há mais de um século. Explorações clandestinas desse mundo subterrâneo não são novidade, mas, agora, o foco se desloca de uma aventura marginal para uma prática que se aproxima do crime organizado, com logística, veículos de apoio e rotas planejadas de fuga.

Moradores relatam desconforto ao ver tampas de bueiro sendo erguidas por desconhecidos em vias residenciais. Em bairros que ainda se recuperam de ondas de criminalidade pós-pandemia, qualquer sinal de vulnerabilidade urbana vira combustível para discussões sobre policiamento, câmeras extras e mais barreiras físicas. A sensação de que a cidade está sob ataque por baixo do asfalto mexe com a percepção de segurança cotidiana.

Pressão por respostas e o que pode mudar

Investigações em curso tentam cruzar imagens, horários e placas de veículos para identificar padrões. Especialistas em segurança urbana ouvidos pela imprensa local defendem que a cidade use a própria malha de vigilância como aliada, ampliando o monitoramento em pontos onde tampas de bueiro foram violadas e mapeando reincidências de ocorrências desde o início de 2026. A hipótese de que os autores conheçam bem o traçado das galerias, ou tenham acesso a plantas antigas, também está na mesa.

O episódio reacende debates sobre controle de acesso à infraestrutura subterrânea, tema que costuma aparecer após acidentes ou panes, mas raramente entra na pauta de segurança pública. A simples troca de tampas mais antigas por modelos com travas ou sensores de abertura, por exemplo, envolve custos elevados e obras em larga escala, em uma cidade que ainda equilibra o orçamento pós-pandemia. Cada nova frente de risco disputa espaço com demandas urgentes de moradia, transporte e policiamento de superfície.

Enquanto não há prisões nem denúncias formais, a imagem dos homens que desaparecem nos buracos do asfalto alimenta tanto a imaginação quanto o temor. Para as autoridades, o desafio imediato é conter a prática antes que alguém morra no subsolo ou que a busca por “tesouros” vire moda entre grupos dispostos a trocar segurança por dinheiro fácil. Para os moradores, a pergunta que fica é se a cidade conseguirá fechar mais essa fronteira de risco em uma paisagem urbana que insiste em abrir novas fissuras.

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