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Wesley ganha a lateral direita e muda desenho da seleção em 2026

Wesley assume a lateral direita da seleção brasileira a partir de 2026 e se firma como titular em um setor historicamente pressionado. A combinação de evolução defensiva, adaptação tática e boa fase em Roma e no Flamengo convence Carlo Ancelotti.

Da desconfiança à confiança total

A consolidação de Wesley na seleção nasce de um contraste. No Brasil, a crítica insiste em apontar falhas na marcação. Na Itália, o mesmo jogador termina a temporada de 2025/26 tratado como peça-chave da Roma. Em 39 jogos pelo clube italiano, marca cinco gols, um a mais do que fez em 139 partidas pelo Flamengo, onde balançou a rede quatro vezes.

Os números ajudam a explicar a guinada, mas não contam tudo. O lateral atravessa um processo de transformação sob o comando de Giampiero Gasperini, técnico da Roma, conhecido pela exigência extrema sem a bola. “Com Giampiero Gasperini, técnico da Roma, quem não sabe marcar, não joga”, resume o jornalista italiano Enzo Palladini, da Mediaset. A frase circula nos bastidores da seleção e chega ao ouvido de Ancelotti como um selo de garantia.

O próprio Wesley descreve a rotina em Roma como uma espécie de curso intensivo de concentração. “Gasperini sempre faz isso mesmo. Tem de olhar para o homem que está marcando e não deixar passar. Igual a um prato de comida”, diz o lateral. A metáfora, repetida em entrevistas na Itália, desmonta a ideia de que ele é apenas um lateral ofensivo distraído atrás.

Enquanto parte da opinião pública apostava em Ibañéz como substituto natural de Éder Militão na direita, o campo começa a contar outra história. Nos treinos de preparação da seleção em 2026, Ancelotti dá sequência a uma tendência que se insinua desde os primeiros amistosos do ciclo: Wesley inicia, ganha minutos, erra pouco, repete movimentos e passa a ser visto como primeiro nome da posição.

O lateral que vira ponta e abre o campo

A escolha de Ancelotti não se apoia apenas na recuperação defensiva. O técnico olha para Wesley e enxerga uma engrenagem para o sistema que planeja levar às competições oficiais. A seleção defende em um 4-4-2 compacto, mas ataca em um 3-2-5, desenho que depende de um jogador muito aberto pela direita para esticar o campo.

No papel, a engrenagem é clara. O lateral-esquerdo prende com os dois zagueiros, formando a saída de três. À frente, Casemiro atua como pivô defensivo, com Bruno Guimarães um pouco mais adiantado. Do meio para frente, cinco homens se alinham no ataque: Wesley, Lucas Paquetá, Igor Thiago, Raphinha e Vinicius Júnior. Na prática, Wesley deixa de ser apenas lateral. Vira ponta, aberto no limite da linha lateral, usando toda a largura do gramado, que mede cerca de 68 metros.

Quando a defesa adversária se comprime em 15 metros próximos da própria área, é o posicionamento extremo de Wesley que estica a marcação para o lado. Esse movimento abre corredores internos para Paquetá e Raphinha, além de atrair a atenção do lateral rival. O Brasil ganha superioridade numérica por dentro sem perder profundidade pela direita. É esse tipo de desequilíbrio que Ancelotti persegue desde que assume a seleção.

O gol deixa de ser a principal cobrança. “Quando eu cheguei à Roma, me pediram seis gols”, lembra Wesley, rindo do fato de ter parado em cinco tentos na Itália, ainda assim um a mais do que marcou no Flamengo. Na seleção, o pedido muda: não é a conclusão, mas a capacidade de alargar o campo e repetir movimentos coordenados com os meio-campistas.

A mudança pesa também na hierarquia do elenco. Jogadores que se imaginavam à frente na disputa, como Ibañéz, veem o lateral ganhar terreno jogo a jogo. A comissão técnica observa que, ao contrário de ciclos anteriores, a seleção parece disposta a aceitar um lateral de origem jogando como extrema de pé firme, sem improvisações de zagueiro ou volante na função.

Impacto na seleção e no mercado

A nova função de Wesley redesenha a lateral direita da seleção e altera o padrão que o torcedor se acostuma a ver. A posição, por anos marcada pela cobrança por solidez defensiva quase exclusiva, passa a exigir leitura de jogo, velocidade, resistência e capacidade de decisão no terço final. O titular de 2026 não é apenas o defensor responsável por fechar o lado, mas o jogador que abre caminho para os principais talentos atacarem por dentro.

Na prática, isso eleva a régua interna. Candidatos à vaga precisam mostrar que conseguem repetir o mesmo repertório: marcação intensa, entendimento de espaço e força física para percorrer a faixa inteira do campo durante 90 minutos. Quem não acompanha o ritmo, perde espaço nos treinos e nas listas de convocação seguintes.

O impacto se estende além da Granja Comary. A temporada consistente em Roma, somada à projeção internacional da seleção brasileira em ano de grandes torneios, reposiciona Wesley no mercado europeu. A combinação de 39 partidas, cinco gols, boa participação ofensiva e evolução defensiva desperta o interesse de clubes que buscam laterais capazes de se adaptar a sistemas modernos, com variação entre linha de quatro e linha de três.

Empresários próximos ao jogador já falam, em privado, sobre sondagens de times que disputam competições continentais. Mesmo sem ofertas oficiais divulgadas, a presença como titular da seleção costuma alterar valores rapidamente. Um lateral que saiu do Flamengo com quatro gols em 139 jogos chega a 2026 como ativo valorizado, com expectativa de novas negociações e contratos mais robustos.

O que vem depois da virada de chave

O próximo passo da história de Wesley na seleção se escreve nas competições oficiais que começam em 2026. A titularidade, hoje consolidada nos treinos e nos amistosos de preparação, será testada sob pressão, diante de adversários que estudam o desenho tático de Ancelotti e tentam neutralizar o lado direito brasileiro.

O desafio para o lateral é manter a curva de evolução, resistir ao desgaste físico da temporada europeia e seguir entregando consistência nas duas fases do jogo. A concorrência interna não desaparece. Ibañéz e outros candidatos seguem à espreita, prontos para aproveitar qualquer queda de rendimento. A forma como Wesley vai reagir a esse novo patamar de cobrança dirá se a lateral direita da seleção encontrou um dono duradouro ou se a posição continuará a ser, como em outros ciclos, um espelho das mudanças de humor do futebol brasileiro.

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