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Brasil vira sobre a República Dominicana e soma segunda vitória na VNL

A seleção brasileira feminina de vôlei vira sobre a República Dominicana por 3 sets a 1, nesta quinta-feira (4), em Brasília, e soma a segunda vitória na Liga das Nações de 2026. O resultado mantém o time de José Roberto Guimarães em alta na busca pelo título inédito da competição.

Virada em casa, elenco rodado e confiança em alta

O Ginásio Nilson Nelson, em Brasília, vê uma noite dividida em dois roteiros. No primeiro set, o Brasil se arrasta, coleciona erros e permite que a República Dominicana imponha o ritmo. A derrota por 25 a 23, com 10 pontos cedidos em falhas brasileiras, acende o alerta e silencia parte da torcida.

A partir do pedido de tempo de Zé Roberto, com o placar em 17 a 12 para as caribenhas, o jogo muda de tom. O bloqueio começa a encaixar, o saque pressiona a linha de passe adversária e o ataque encontra mais clareza nas definições pelas pontas. O Brasil ainda encosta e vira naquele primeiro set, mas perde na reta final. A reação, porém, se transforma na base da virada que vem depois.

Sem Gabi, preservada novamente por opção da comissão técnica, a responsabilidade ofensiva recai sobre Tainara e Júlia Bergmann. Tainara responde com 20 pontos, se firma como referência de bola pesada na saída de rede e lidera a retomada de confiança da equipe. Júlia soma 16 pontos, cresce sobretudo a partir do terceiro set e assume o protagonismo em momentos de pressão no quarto.

O segundo set marca a troca de chave definitiva. O Brasil entra mais agressivo, reduz os erros e controla as ações. O bloqueio, com Julia Kudiess e Diana, passa a pontuar e desorganiza o ataque dominicano. A seleção abre vantagem confortável, chega a 25 a 17, vê um ponto anulado no desafio por toque na quadra antes da defesa de Ana Cristina, mas fecha em 25 a 18 com autoridade.

No terceiro set, a diferença técnica se escancara. O Brasil abre 6 a 0 logo no início e não permite reação consistente. Os pedidos de tempo do técnico Marcos Kwiek, brasileiro que comanda a seleção dominicana desde 2008 e já foi auxiliar de Zé Roberto, não mudam o cenário. O placar de 25 a 11 traduz a supremacia verde e amarela, com seis pontos de Julia Kudiess e seis de Tainara apenas nesse parcial.

O quarto set começa com a República Dominicana mais ligada, à frente em 8 a 7, mas o Brasil segura a ansiedade e retoma o comando. Júlia Bergmann encontra espaços na marcação, em sequência de bolas altas e diagonais longas. Em um trecho da parcial, seis dos sete pontos brasileiros saem do braço da ponteira. A seleção abre vantagem, controla o fim do jogo e fecha em 25 a 15, sem sustos.

Desempenho crescente e recado ao pelotão de elite

A vitória por 3 sets a 1, com parciais de 23/25, 25/18, 25/11 e 25/15, vem um dia depois do triunfo pelo mesmo placar sobre a Holanda, também em Brasília. Em dois jogos, o Brasil soma seis pontos, mostra evolução de um dia para o outro e começa a construir uma campanha sólida na etapa da Liga das Nações em casa.

O desempenho crescente reforça a ideia de que a comissão técnica utiliza a competição para equilibrar resultado imediato e gestão física do elenco. A ausência de Gabi em mais uma partida, por escolha do staff, e a entrada de Rosamaria apenas no terceiro set indicam que Zé Roberto preserva peças-chave e testa formações ao mesmo tempo. O time, ainda assim, se mantém competitivo e dominante a partir do segundo set.

A atuação do bloqueio, com destaque para Julia Kudiess e Diana, aparece como um dos diferenciais. A muralha montada na rede trava as principais atacantes dominicanas e permite que o sistema defensivo se organize melhor. A redução dos erros não forçados, em comparação ao primeiro set, também sustenta a virada: o Brasil passa a oferecer menos pontos de graça e força a República Dominicana a arriscar mais.

O contexto amplia o peso da vitória. A seleção chega a esta edição da VNL pressionada pelo histórico recente: são quatro vice-campeonatos, em 2019, 2021, 2022 e 2025, sempre batendo na trave. O grupo atual carrega a missão de quebrar essa sequência e transformar presença constante em finais em título. Cada jogo em casa nesta etapa funciona como teste de maturidade e ajuste fino para os momentos decisivos.

A figura de Marcos Kwiek no banco dominicano adiciona uma camada simbólica ao confronto. Ex-auxiliar de Zé Roberto, ele conhece bem a escola brasileira e a base de formação de várias jogadoras que enfrenta hoje. O duelo entre comissões técnicas revela um Brasil mais profundo em opções e mais consistente na leitura de jogo, sobretudo quando precisa reagir depois de um início ruim.

Calendário apertado e disputa por vaga no topo

O resultado desta quinta-feira deixa o Brasil em posição confortável para encarar a sequência em Brasília. No sábado, às 11h (de Brasília), a seleção enfrenta a Bulgária. No domingo, às 14h30, pega a Itália, atual campeã da Liga das Nações e algoz da final do ano passado. A combinação de dois jogos em dias seguidos e adversários de estilos diferentes exige controle físico e mental de um elenco que ainda roda peças.

O desempenho diante da República Dominicana reforça o discurso interno de evolução passo a passo. A equipe mostra capacidade de corrigir rota dentro da própria partida, reduz o volume de erros, melhora a distribuição de bolas e ganha alternativas ofensivas sem depender de uma única estrela. Para um time que mira o título inédito da VNL em 2026, essa variedade é mais do que um luxo: é uma necessidade diante do nível de Estados Unidos, Itália, Turquia e China.

A partir de 17 de junho, a seleção muda de cenário e encara a segunda etapa da fase classificatória em Ancara, na Turquia. O primeiro compromisso da nova semana será contra a França, em calendário que tende a se tornar mais pesado quanto mais o Brasil se aproxima da fase final. O desempenho em Brasília pode pesar na classificação, mas também na confiança para enfrentar ginásios hostis e viagens longas.

A noite no Nilson Nelson termina com a sensação de que o Brasil ainda está longe do teto, mas já oferece sinais concretos de crescimento. A resposta depois de um primeiro set irregular, a consistência ofensiva de Tainara e Júlia Bergmann e a solidez do bloqueio desenham um caminho promissor. As próximas rodadas dirão se essa evolução se mantém sob pressão e se, desta vez, o roteiro da Liga das Nações permite ao vôlei feminino brasileiro trocar o rótulo de vice pela foto com a taça.

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