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Benedita lidera corrida ao Senado no RJ e expõe crise do PL

A deputada federal Benedita da Silva (PT-RJ) larga na frente na disputa pelo Senado em 2026 no Rio de Janeiro, segundo levantamento da Paraná Pesquisas. Os cenários testados mostram vantagem da petista e aprofundam a crise do PL após o desgaste do ex-governador Cláudio Castro com o caso Master.

Desgaste de Castro abre caminho para Benedita

A pesquisa encomendada para mapear possíveis substitutos de Cláudio Castro revela uma reacomodação acelerada das forças políticas no estado. O levantamento, realizado em 2024, testa diferentes nomes para a única vaga em disputa ao Senado em 2026 e indica que o PL ainda não encontra um sucessor competitivo para o ex-governador.

Benedita lidera em dois dos três cenários avaliados pelo instituto. No terceiro, aparece em empate técnico com o ex-prefeito do Rio Marcelo Crivella (Republicanos), apoiado pelo pastor Silas Malafaia, um dos principais nomes do eleitorado evangélico no estado. A informação é antecipada pela colunista Bela Megale, de O Globo, que teve acesso aos números detalhados do estudo.

O foco do levantamento é medir o tamanho do estrago político causado ao grupo de Castro após a revelação de sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro e os investimentos bilionários do Rioprevidência no Banco Master. O caso, exposto ao longo de 2023 e 2024, afasta o ex-governador das articulações eleitorais e o retira do tabuleiro como opção viável ao Senado.

Assessores e aliados admitem, em reservado, que o cenário atual é bem diferente do calculado há menos de um ano, quando Castro ainda era tratado como candidato natural para 2026. O avanço das investigações sobre os aportes do fundo de previdência dos servidores estaduais no Banco Master, que somam cifras na casa dos bilhões de reais, altera o clima no grupo e deixa aberta a sucessão na chapa majoritária.

PL perde protagonismo e vê base dispersa

Os dados revelam um ponto sensível para o PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, que tenta manter o Rio de Janeiro como um de seus principais redutos eleitorais. No teste com nomes do partido, a Paraná Pesquisas coloca na disputa o deputado federal Carlos Jordy e o senador Carlos Portinho. Nenhum dos dois alcança lugar entre os quatro primeiros colocados em qualquer cenário, sinal claro de dificuldade de empolgar o eleitor neste momento.

Outro nome influente da legenda, o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante, nem sequer aparece entre os testados. A ausência impede medir em números o potencial do deputado, mas indica que o partido ainda não define uma estratégia consolidada para a vaga no Senado. A falta de um quadro competitivo contrasta com a votação expressiva de Bolsonaro no estado em 2018 e 2022 e expõe a erosão do capital político da sigla.

Benedita, por outro lado, se beneficia de uma trajetória longa e conhecida pelo eleitor fluminense. Ex-governadora, ex-senadora e figura histórica do PT, ela mantém presença constante nas periferias e em movimentos sociais, o que ajuda a explicar a vantagem inicial. A pesquisa aponta que, mesmo em um cenário polarizado, a petista mantém desempenho suficiente para dividir a liderança com Crivella, que traz consigo o peso da máquina das igrejas neopentecostais e o apoio explícito de Silas Malafaia.

O pastor, um dos principais aliados de Bolsonaro, já atua publicamente para fortalecer o nome de Crivella, com discursos em templos e nas redes sociais. A equação coloca de um lado uma liderança de esquerda consolidada, ligada a movimentos populares, e de outro um ex-prefeito alinhado ao bolsonarismo e amparado por uma estrutura religiosa robusta. O eleitorado fluminense assiste à construção de uma disputa marcada por identidades políticas e religiosas bem definidas.

Cenário aberto e disputa por alianças

A leitura interna no PT é que os números da Paraná Pesquisas consolidam Benedita como opção prioritária na montagem da chapa de 2026, especialmente se o partido mantiver a intenção de disputar com força o governo do estado. Dirigentes avaliam que a liderança em dois cenários e o empate técnico com Crivella no terceiro criam um ponto de partida confortável, mas não garantem vitória. A avaliação é que a campanha tende a endurecer à medida que o PL definir um nome competitivo ou buscar alianças fora da sigla.

No campo de Castro, a pesquisa funciona como um alerta definitivo. A ligação do ex-governador com o caso Master torna mais difícil a tarefa de emplacar um sucessor direto, seja no PL, seja em partidos aliados. Sem números animadores para Jordy e Portinho e sem testar Sóstenes, o levantamento reforça a percepção de que o grupo precisa se reorganizar e talvez recorrer a um nome de fora do círculo mais próximo do ex-governador para escapar do desgaste.

Em Brasília, estrategistas ligados ao PL monitoram o avanço de Crivella nas simulações da Paraná Pesquisas. Embora o ex-prefeito esteja filiado ao Republicanos, ele transita com relativa facilidade entre partidos do campo conservador e mantém diálogo com bolsonaristas. A possibilidade de uma aproximação mais formal entre Republicanos e PL no Rio entra no radar das conversas para 2026, em especial se a pesquisa de intenção de voto continuar indicando fragilidade dos nomes da legenda.

A disputa pela vaga no Senado ganha relevância adicional porque o mandato em jogo dura oito anos, entre 2027 e 2035, atravessando ao menos dois governos federais. A cadeira fluminense tem peso direto nas articulações em Brasília, tanto na formação de blocos partidários quanto na negociação de recursos para o estado. Controlar esse posto é garantir voz ativa em temas como segurança pública, crise fiscal e investimentos em infraestrutura, pontos sensíveis no Rio de Janeiro.

Próximos movimentos até 2026

Os próximos meses devem trazer novos levantamentos quantitativos e qualitativos, com testes de rejeição, potencial de crescimento e avaliação de cenário com candidatos ao governo. A Paraná Pesquisas prepara novas rodadas até o fim de 2024 para medir o impacto de eventuais denúncias, alianças e mudanças de partido. A tendência é que Benedita, Crivella e os nomes do PL voltem a ser testados com combinações variadas de palanques presidenciais e estaduais.

No curto prazo, o PL precisa decidir se insiste na construção de uma candidatura própria ao Senado ou se aposta em uma composição com aliados, cedendo espaço em troca de palanques fortalecidos para a Câmara e para a Assembleia Legislativa. O PT, por sua vez, tenta transformar a liderança numérica de Benedita em palanque para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e para candidaturas locais, numa eleição em que a polarização nacional continua a influenciar o voto regional.

A única certeza, por ora, é que o afastamento de Cláudio Castro da disputa rearranja o xadrez político no Rio. O caso Master, que começou como um episódio circunscrito às finanças do Rioprevidência, agora redesenha alianças, desmonta planos e cria oportunidades inesperadas. A pesquisa da Paraná Pesquisas não fecha o jogo, mas oferece um retrato nítido de um cenário ainda em construção, em que Benedita da Silva assume a dianteira e obriga o PL a repensar seu papel no tabuleiro fluminense.

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