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Novo pedido de impeachment contra Osmar Stabile amplia crise no Corinthians

Um grupo de conselheiros e associados do Corinthians protocola, nesta quarta-feira (3), um novo pedido de impeachment contra o presidente Osmar Stabile. O documento acusa a gestão de irregularidades em contratações de empresas de segurança e controle de acesso, já investigadas pelo Ministério Público de São Paulo.

Documentos, investigações e uma gestão sob pressão

O requerimento chega ao Conselho Deliberativo em um momento em que a presidência já lida com investigações formais sobre contratos emergenciais e pagamentos sem respaldo documental. Os autores afirmam que a soma de episódios recentes expõe um padrão de decisões que fere o Estatuto Social do clube e normas da legislação esportiva e civil.

O principal eixo da peça é o caso da Mega Assessoria Operacional, empresa que presta serviços de controle de acesso para o Parque São Jorge, o CT Joaquim Grava e a Neo Química Arena entre setembro e outubro de 2025. A Mega atua sem contrato formal assinado com o Corinthians, situação que aciona o Ministério Público de São Paulo e levanta dúvidas sobre a forma como o dinheiro do clube é administrado.

Documentos já revelados mostram que o Corinthians paga cerca de R$ 676 mil à Mega nesse período. Notas fiscais emitidas para justificar parte dos pagamentos apresentam inconsistências e, segundo registros internos, precisam ser substituídas. Esse conjunto de dados embasa a apuração conduzida pelo promotor Cassio Roberto Conserino.

Em despacho ao qual a reportagem tem acesso, Conserino registra surpresa ao constatar que a empresa contratada pertence a Fernando José da Silva, apontado pelo próprio Corinthians como um dos responsáveis pela escolha emergencial da Mega. O Ministério Público cobra novos documentos sobre os pagamentos e determina diligências para esclarecer o papel de cada envolvido no processo.

O pedido de impeachment sustenta que a contratação da Mega ignora exigências básicas de governança interna. Os conselheiros afirmam que comissões e instâncias previstas no estatuto para acompanhar despesas relevantes não são acionadas. Para os autores, isso abre espaço para decisões concentradas em poucos dirigentes, sem transparência para o conselho e para os associados.

Contratos sob suspeita, confiança em xeque

O documento não se limita à Mega. O grupo também aponta a Bear Security Ltda., empresa de segurança sediada no Rio de Janeiro, que passa a prestar serviços ao Corinthians já na gestão de Osmar Stabile. A contratação, afirmam os oposicionistas, ocorre sem concorrência formal e sem registro administrativo claro do processo de escolha.

Os autores dizem que a Bear recebe aproximadamente R$ 586 mil do clube, mesmo sem possuir, à época, regularização perante a Polícia Federal para atuar em segurança privada, exigência para empresas do setor. Eles alegam ainda que a empresa presta serviços à família de Stabile antes de ser contratada pelo Corinthians, o que, na visão do grupo, reforça um potencial conflito de interesses.

A narrativa dos conselheiros é de que esses episódios não são pontuais, mas indicam uma forma de governar o clube em que controles internos são atropelados em nome de decisões rápidas e concentradas. Para a oposição, o resultado é um ambiente de desconfiança, em que associados, torcedores e possíveis patrocinadores passam a questionar a segurança na aplicação dos recursos.

As primeiras informações sobre a Bear aparecem no site Sport Insider. Ao veículo, o Corinthians afirma que a contratação segue os protocolos de compliance internos e diz que a escolha se baseia na relação de confiança com os profissionais da empresa. O posicionamento é incorporado ao debate político: para oposicionistas, reforça a ideia de que a atual gestão se apoia mais em laços pessoais do que em critérios técnicos e concorrenciais.

O novo pedido de impeachment pressiona também o Conselho Deliberativo, que precisa decidir se aceita a abertura do processo contra o presidente. O grupo de signatários inclui o ex-vice-presidente Antonio Roque Citadini e ex-dirigentes como Fernando Perino, Marcelo Mandel e Yun Ki Lee, nomes conhecidos na política interna alvinegra e críticos declarados da atual administração.

O que pode mudar no clube e os próximos passos

Caso o Conselho receba o pedido, Stabile passa a responder a um processo político interno que pode levar à sua destituição. O rito envolve análise preliminar, formação de comissão, produção de relatório e votação em plenário, etapas que costumam expor ainda mais as fraturas entre governo e oposição no clube.

Os autores também pedem que o Conselho comunique formalmente os fatos ao Ministério Público de São Paulo, ampliando o escopo das investigações já em curso sobre a Mega Assessoria Operacional. A solicitação inclui a contratação de uma auditoria independente focada em contratos emergenciais e pagamentos feitos sem contrato formal, com o objetivo declarado de mapear riscos e responsabilidades.

Se a auditoria sair do papel, o Corinthians pode ter de revisar acordos recentes, reavaliar processos de compras e contratações e reforçar mecanismos de controle interno. A medida tende a afetar diretamente a cúpula administrativa, fornecedores e executivos ligados às áreas de segurança, gestão de arenas e finanças.

O clima político no Parque São Jorge, já tenso desde o início das apurações sobre a Mega, ganha novo patamar com o pedido de impeachment. A discussão extrapola o terreno técnico de contratos e notas fiscais e atinge a imagem institucional do Corinthians num momento em que o clube busca manter receitas, atrair patrocinadores e preservar sua marca.

Osmar Stabile, até aqui, enfrenta questionamentos sem ter contra si uma decisão definitiva da Justiça ou do próprio clube. O avanço do pedido de impeachment, a resposta do Conselho Deliberativo e o andamento das investigações do Ministério Público definem não apenas o futuro imediato do presidente, mas também o modelo de gestão que o Corinthians pretende adotar nos próximos anos.

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