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Argélia surpreende Holanda e estraga retorno de Memphis Depay

A Argélia vence a Holanda por 1 a 0, em Roterdã, nesta quarta-feira (3), e estraga o retorno de Memphis Depay à seleção holandesa. Hadj Moussa marca um golaço aos 40 minutos do segundo tempo e garante a vitória africana no último teste antes da Copa do Mundo de 2026.

Golaço no fim muda clima na reta final pré-Copa

O amistoso no estádio Feyenoord, em Roterdã, começa como um roteiro conhecido: domínio holandês, chances em sequência e a sensação de que o gol é questão de tempo. A Argélia resiste, se apoia em grande atuação do goleiro Luca Zidane e espera o momento certo para golpear. Quando o relógio marca 40 minutos do segundo tempo, Moussa recebe pela direita, corta para dentro e acerta o ângulo de Roefs. O estádio silencia; o placar, não.

O resultado chega a oito dias do início da Copa de 2026 e expõe a fragilidade da Holanda na definição das jogadas. A seleção de Ronald Koeman cria pelo menos quatro chances claras, acerta a trave aos 7 minutos, coloca a bola na rede em lance anulado por impedimento e para repetidamente em Luca Zidane. Do outro lado, a Argélia faz o que as equipes em crescimento no cenário mundial precisam fazer: se defende com disciplina, aproveita o erro rival e decide em uma bola.

Em campo, o amistoso vale mais do que a etiqueta de jogo-treino. A Holanda chega à Copa com a expectativa de repetir campanhas recentes de quartas de final e sonhar com uma semifinal. Uma derrota em casa para um adversário fora do eixo tradicional europeu acende alertas. A Argélia, que desembarca no Mundial para encarar logo de cara a campeã Argentina, ganha um argumento poderoso para acreditar em algo além da sobrevivência na fase de grupos.

Memphis volta, mas não resolve a Holanda

Memphis Depay, hoje atacante do Corinthians, entra em campo apenas depois do intervalo. O técnico Ronald Koeman já havia sinalizado que não garantiria sua titularidade, mesmo após a recuperação de uma lesão na coxa direita que o afastou por dois meses. O camisa 10 volta à seleção em 2026 depois de fazer apenas dois jogos oficiais pelo clube brasileiro em maio, numa espécie de corrida contra o relógio para chegar inteiro à Copa.

O maior artilheiro da história da equipe laranja procura o jogo, se movimenta entre as linhas e tenta acelerar triangulações com Gakpo e Justin Kluivert. Finaliza apenas duas vezes. Em uma, tem o chute bloqueado pela linha defensiva argelina. Na outra, acerta o alvo, mas Luca Zidane defende sem sustos. O melhor momento vem em um passe de primeira para Gakpo, que aciona Kluivert na área; o atacante aparece livre, mas erra o golpe de pé, quase de bico, e desperdiça jogada bem construída.

A atuação de Memphis não empolga, mas também não preocupa a comissão técnica. O jogo desta quarta funciona como termômetro físico. Ele completa 45 minutos, não sente a coxa e deixa a impressão de que pode suportar a sequência do torneio. O desafio, agora, é recuperar ritmo de competição em poucos dias. A Holanda ainda tem mais um amistoso, contra o Uzbequistão de Fábio Cannavaro, na segunda-feira (8), antes da estreia na Copa diante do Japão, em 14 de junho.

No primeiro tempo, sem Memphis, a Holanda martela. Summerville conduz contra-ataque pela direita e encontra Malen na entrada da área logo aos 7 minutos. O atacante da Roma gira e bate cruzado, mas a bola explode na trave direita. Dois minutos depois, Gakpo lança Summerville com um toque sutil por cobertura; o camisa 24 cruza de primeira para Reijnders empurrar para o gol vazio, mas o auxiliar marca impedimento na origem da jogada.

Malen simboliza a noite de frustração holandesa. Aos 19, recebe cruzamento rasteiro de Summerville, livre, cara a cara com Luca Zidane. Perde o equilíbrio no momento do chute e não pega em cheio na bola. No início do segundo tempo, ganha outra chance pela direita, limpa o marcador, se vê em boa posição para finalizar e manda para fora, à esquerda do gol argelino. A cada erro, o clima no estádio esfria um pouco mais.

Do outro lado, a Argélia é precisa. Amoura rouba a bola de Van Hecke e arma contra-ataque que só não termina em gol porque Van de Ven trava o chute na hora certa. Pouco depois, Gakpo fica cara a cara com Luca Zidane e bate fraco, reforçando o roteiro da noite: a Holanda cria, a Argélia sobrevive. Quando Moussa recebe pela direita e corta para finalizar no ângulo, a sensação é de que a seleção africana escreve um resumo cruel da partida em um único lance.

Vitória eleva Argélia e expõe dúvidas na Holanda

A vitória argelina em pleno estádio Feyenoord, com Van Dijk em campo e a Holanda praticamente completa, não é apenas um detalhe estatístico. O 1 a 0 coloca a seleção do técnico Vladimir Petkovic em outro patamar de confiança na reta final da preparação. Em menos de duas semanas, a Argélia estreia na Copa contra a Argentina, atual campeã mundial, no dia 16. Passa a chegar ao jogo não só como azarão, mas como time capaz de competir com nações de primeira linha.

O resultado também reforça a narrativa recente da ascensão africana nos grandes torneios. A campanha de Marrocos na Copa de 2022, com semifinal histórica, abre um caminho simbólico. A Argélia, agora, tenta ocupar esse espaço de protagonista surpresa, com elenco que mistura nomes experientes, como Mahrez e Bentaleb, e uma geração mais jovem, representada por Moussa, Amoura e Gouiri. A tabela ainda reserva Jordânia, no dia 23, e Áustria, em 27 de junho, pela fase de grupos.

Na Holanda, a derrota acende questionamentos sobre a eficiência ofensiva e a dependência de Memphis. O time cria, pressiona, recupera bolas no campo rival, mas vacila quando precisa transformar volume em gol. Koeman ainda tem tempo para ajustar a engrenagem, mexer nas combinações de ataque e testar alternativas como Weghorst e Koopmeiners, que entram no segundo tempo. A dúvida é se uma semana basta para converter boas jogadas em números concretos no placar.

O impacto anímico também pesa. Perder em casa, às vésperas de uma Copa, sempre deixa marcas. A comissão técnica tenta tratar o tropeço como alerta útil, não como desastre. Em público, a leitura tende a ser pragmática: melhor errar agora do que na estreia contra o Japão, em 14 de junho, pelo Grupo F, que ainda tem Suécia, no dia 20, e Tunísia, em 25.

Últimos testes e a pergunta que acompanha Memphis

O calendário é apertado para os dois lados. A Argélia encerra sua série de amistosos com a vitória em Roterdã e entra em regime total de Copa, com foco na preparação específica para a Argentina. Cada sessão de treino passa a mirar Messi e companhia, mas também os duelos diretos com Jordânia e Áustria, que podem definir quem avança às oitavas de final. A vitória fora de casa, diante de um europeu tradicional, fornece munição para o discurso interno de que é possível ir além das previsões conservadoras.

A Holanda ainda tem uma oportunidade para reorganizar a casa. O duelo com o Uzbequistão, na segunda (8), ganha peso de ensaio geral. Koeman precisa decidir se aumenta a carga de minutos de Memphis ou se preserva o atacante do Corinthians para a estreia. A principal incógnita, no entanto, é menos física e mais simbólica: o maior artilheiro da seleção está pronto para liderar um time que ainda busca um rosto para chamar de seu em 2026?

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