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Ancelotti abre treino em New Jersey e testa Paquetá e Igor Thiago

A seleção brasileira realiza nesta quarta-feira (3) um treino aberto em New Jersey, nos Estados Unidos, comandado por Carlo Ancelotti. A atividade, com cerca de 90 minutos de duração, testa novos nomes do elenco, entre eles Lucas Paquetá e o centroavante Igor Thiago. O objetivo é dar ao técnico uma leitura prática das opções para os próximos compromissos internacionais.

Ancelotti mira respostas imediatas em campo

O treino ocorre em um período de ajustes finos na seleção, a pouco mais de um mês da próxima janela oficial de jogos da Fifa. Ancelotti trabalha com cerca de 23 jogadores no gramado do centro de treinamento em New Jersey e organiza o trabalho como se fosse um jogo: aquecimento curto, exercícios táticos e um coletivo em campo inteiro. O foco está em entender, em tempo real, como peças recém-convocadas se encaixam em um modelo de jogo que exige intensidade com e sem a bola.

Lucas Paquetá volta a ganhar espaço no meio-campo e atua em diferentes alturas, ora próximo dos volantes, ora circulando mais perto do centroavante. Igor Thiago, de 25 anos, é observado como referência de área, com atenção especial aos movimentos de pressão na saída adversária e às jogadas aéreas. Ancelotti conversa à beira do campo, corrige posicionamentos a cada interrupção e cobra tomada de decisão rápida nas trocas de passes.

O clima no treino é de observação permanente. Integrantes da comissão técnica circulam com tablets e anotações em mãos, registrando dados de distância percorrida, acelerações e participação em finalizações. A ideia é sair de New Jersey com um relatório objetivo sobre o desempenho de cada jogador em condições próximas às de um jogo oficial, ainda que sem a pressão do placar.

Renovação em marcha e disputas por posição

A escolha por um treino aberto, com acesso controlado a torcedores e imprensa, sinaliza confiança de Ancelotti no estágio atual do trabalho. O treinador entende que expor o grupo a um ambiente mais ruidoso, ainda que em atividade de preparação, ajuda a testar o comportamento emocional dos atletas. Torcedores brasileiros que vivem nos Estados Unidos marcam presença nas arquibancadas, muitos com camisas da seleção usadas na Copa do Mundo de 2002 e da edição de 2014, lembrando que o time carrega um jejum de mais de duas décadas sem título mundial.

Desde que assume o comando, Ancelotti repete em conversas reservadas que não trabalha com "time titular fixo", mas com um núcleo de cerca de 15 a 16 jogadores que se alternam conforme o adversário. O treino de New Jersey funciona como peneira fina para esse grupo. Paquetá tenta se firmar novamente como opção de criatividade no meio, enquanto Igor Thiago disputa espaço em um setor historicamente pressionado, o do camisa 9.

O movimento atual parte de uma leitura feita pela comissão técnica após os últimos amistosos de 2025, quando o Brasil apresenta irregularidade ofensiva e dificuldade para quebrar defesas fechadas. O treino aberto desta quarta funciona como laboratório para correções táticas, com variações entre um 4-3-3 mais agressivo e um 4-2-3-1 que dá liberdade ao meia central. A intensidade das disputas de bola, em alguns momentos, se aproxima do ritmo de competição, com divididas firmes e comemoração em gols marcados no coletivo.

Ancelotti mantém o discurso de que "ninguém tem vaga garantida", inclusive entre os mais experientes. A presença de atletas em diferentes fases da carreira, alguns com menos de 10 jogos pela seleção principal, aumenta a sensação de disputa interna. Jogadores conversam em pequenos grupos ao fim das atividades físicas, cientes de que cada treino, a partir de agora, pesa na avaliação final da comissão técnica para os jogos oficiais.

Pressão por desempenho e próximos passos

A movimentação em New Jersey não interessa apenas a quem está dentro de campo. Dirigentes da CBF acompanham a atividade da beira do gramado, atentos às reações da torcida e ao comportamento coletivo do time. A seleção chega aos Estados Unidos sob cobrança pública crescente desde a eliminação nas quartas de final da última Copa do Mundo e sem levantar um troféu relevante desde a Copa América de 2019, há sete anos.

Especialistas analisam cada escalação de treino como pista para o que Ancelotti planeja nos próximos meses. A decisão de testar Paquetá e Igor Thiago ao mesmo tempo indica busca por maior presença ofensiva, com um meia capaz de acelerar o jogo por dentro e um centroavante forte fisicamente para segurar zagueiros. Se a combinação funciona em New Jersey, aumenta a chance de ambos aparecerem entre os 11 iniciais nos amistosos da próxima Data Fifa.

O treino aberto também alimenta o interesse midiático. Imagens da atividade circulam em tempo real nas redes sociais e em programas esportivos, ampliando o alcance de cada gesto técnico e de cada conversa entre jogadores e treinador. O engajamento digital cresce, mas a cobrança acompanha o movimento: parte da torcida quer ver em campo, ainda em 2026, sinais claros de um time capaz de brigar de igual para igual com as principais seleções europeias.

Ancelotti volta ao hotel em New Jersey com uma missão concreta: transformar as anotações do treino em decisões de escalação, cortes e convocações futuras. A comissão técnica deve fechar nas próximas semanas uma lista preliminar de cerca de 30 nomes para os próximos compromissos oficiais, número que será reduzido poucos dias antes da apresentação. O treino de hoje entra nesse cálculo como peça importante de um quebra-cabeça ainda em montagem. A dúvida que permanece, dentro e fora do campo, é quantos dos testados em New Jersey estarão de fato em campo quando a bola rolar em jogos que valem título.

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