Rússia lança ataque massivo à Ucrânia e mata ao menos 13 em Kiev
As forças armadas da Rússia lançam, na madrugada de 2 de junho de 2026, um ataque massivo com mísseis e drones contra Kiev e outras cidades da Ucrânia. Ao menos 13 pessoas morrem e mais de 100 ficam feridas, segundo autoridades locais.
Madrugada sob mísseis e drones
A capital ucraniana desperta com explosões sucessivas, sirenes de alerta aéreo e incêndios em diferentes bairros. Moradores relatam janelas estilhaçadas, fachadas destruídas e ruas cobertas por destroços. Equipes de resgate trabalham entre escombros de prédios residenciais atingidos por estilhaços, enquanto bombeiros combatem focos de fogo em depósitos e instalações industriais.
O Ministério da Defesa da Rússia afirma que o ataque é uma resposta direta ao que chama de “atos terroristas do regime de Kiev”. Em comunicado divulgado durante a manhã, a pasta declara que “as forças armadas da Federação Russa realizaram um ataque maciço utilizando armamento de alta precisão e longo alcance, baseado em aeronaves, terra e mar”. Moscou diz que mira apenas infraestrutura militar e estratégica.
Autoridades ucranianas descrevem um dos bombardeios mais intensos das últimas semanas. Segundo o governo em Kiev, os ataques atingem não só a capital, mas também cidades em diferentes frentes do país. Hospitais recebem um fluxo constante de feridos, muitos com lesões provocadas por estilhaços de metal e vidro. Parte das vítimas sofre queimaduras graves após explosões em depósitos de combustível.
Retaliação e escalada na guerra
O Kremlin sustenta que o ataque desta terça-feira é uma retaliação a operações ucranianas em territórios ocupados pela Rússia. Moscou afirma ter usado mísseis hipersônicos e drones contra sete regiões da Ucrânia, incluindo Kiev, Zaporíjia e Kharkiv, e diz ter atingido “com sucesso” instalações de combustível, infraestrutura de transporte e aeródromos militares considerados vitais para o Exército ucraniano.
Na semana anterior, o governo russo já havia avisado que passaria a realizar “ataques sistemáticos” contra alvos em Kiev. A ameaça vem após um ataque com drones em Luhansk, cidade controlada pela Rússia no leste da Ucrânia, que deixa 21 mortos em um dormitório estudantil, segundo a versão de Moscou. A Ucrânia responde que o alvo é um centro de comando de drones na região, não estudantes.
O presidente Vladimir Putin acusa Kiev de “abrir uma nova página em uma série de crimes” com a ação em Luhansk e com um ataque posterior a um prédio residencial em área ocupada na região de Kherson. O governo ucraniano nega atacar civis deliberadamente e insiste que mira apenas estruturas militares russas ou de apoio à ocupação.
Combates intensos persistem desde a invasão em larga escala da Ucrânia pela Rússia, em fevereiro de 2022. Moscou controla atualmente cerca de um quinto do território ucraniano e proclamou, ainda em 2022, a anexação de quatro regiões: Donetsk, Luhansk, Kherson e Zaporizhzhia. As frentes no leste registram avanços graduais das tropas russas, enquanto Kiev aposta em ataques de desgaste em profundidade dentro do território russo.
A Ucrânia intensifica o uso de drones de longo alcance contra refinarias, depósitos de combustível e infraestrutura logística na Rússia. O objetivo declarado é enfraquecer a máquina de guerra de Moscou, elevando o custo econômico da ofensiva. Drones ucranianos atingem, nas últimas semanas, ao menos uma refinaria e um grande depósito de combustível em território russo, segundo fontes locais e imagens verificadas por autoridades ucranianas.
Civis sob pressão e corrida por defesa aérea
O ataque desta madrugada expõe mais uma vez a vulnerabilidade das cidades ucranianas ao poder aéreo russo. Mesmo com sistemas de defesa fornecidos por países ocidentais, Kiev ainda depende de munição antiaérea e de reforços tecnológicos para conter mísseis de cruzeiro, drones de baixa altitude e projéteis hipersônicos, capazes de manobrar em alta velocidade.
O presidente Volodimir Zelensky pressiona aliados por mais defesas. Em apelos recentes, ele direciona pedidos aos Estados Unidos, pedindo reforço urgente em baterias antiaéreas e mísseis interceptores. Washington já é o principal fornecedor de ajuda militar à Ucrânia e calcula que cerca de 1,2 milhão de pessoas tenham sido mortas ou feridas desde o início da guerra, número que inclui civis e militares dos dois lados.
O conflito acumula milhares de mortos entre civis, com a maioria das vítimas em território ucraniano. Organismos internacionais e grupos de direitos humanos documentam ataques a áreas residenciais, escolas, hospitais e infraestrutura energética desde 2022. Rússia e Ucrânia rejeitam a acusação de atacar deliberadamente civis e culpam o adversário pela destruição em zonas urbanas.
No campo diplomático, cresce a pressão externa por algum tipo de negociação. Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, afirma publicamente que busca um acordo capaz de encerrar a guerra em pouco tempo e faz gestos para aproximar posições, ainda sem detalhes concretos divulgados. Parceiros europeus observam com cautela qualquer iniciativa que implique concessões territoriais da Ucrânia ou redução da pressão sobre Moscou.
Risco de nova rodada de escalada
O ataque russo com mísseis e drones contra Kiev e outras cidades coloca a guerra em um novo ponto de tensão, após meses de avanços limitados no campo de batalha. Ao escolher mirar depósitos de combustível, aeródromos e infraestrutura logística, Moscou tenta reduzir a capacidade de resposta ucraniana e impor custos imediatos à população civil, que enfrenta apagões, interrupções de transporte e hospitais sobrecarregados.
A reação de Kiev aos ataques desta madrugada pode definir o ritmo da escalada nas próximas semanas. Novas incursões ucranianas em território russo, especialmente contra refinarias e depósitos estratégicos, tendem a alimentar a lógica de retaliação mútua que marca o conflito desde o início. A incógnita, agora, é até que ponto as duas capitais e seus aliados aceitam correr o risco de um confronto ainda mais amplo, sem que um canal de negociação consistente esteja, de fato, aberto.
