Ultimas

Rússia lança ataque massivo com mísseis e drones contra Kiev e mata 13

A Rússia lança, na madrugada desta terça-feira (2), um ataque massivo com mísseis e drones contra Kiev e outras cidades ucranianas, deixando ao menos 13 mortos e mais de 100 feridos. As ofensivas atingem instalações militares e áreas civis e marcam uma nova escalada na guerra iniciada em 2022.

Madrugada sob bombas e justificativa de retaliação

As sirenes de ataque aéreo voltam a soar por horas em Kiev, enquanto explosões iluminam o céu da capital ucraniana. Autoridades locais relatam incêndios em prédios residenciais, danos em linhas de transporte e em estruturas de energia após a sequência de impactos. Equipes de resgate trabalham entre escombros em diferentes bairros para localizar sobreviventes e contabilizar os estragos.

Em comunicado divulgado pela manhã, o Ministério da Defesa russo descreve a operação como resposta direta ao que chama de “atos terroristas do regime de Kiev”. “Durante a noite, em resposta a atos terroristas do regime de Kiev, as forças armadas da Federação Russa realizaram um ataque maciço utilizando armamento de alta precisão e longo alcance, baseado em aeronaves, terra e mar”, afirma a nota oficial. Moscou diz ter usado mísseis hipersônicos, em tese capazes de manobrar em alta velocidade, e enxames de drones guiados por coordenadas pré-programadas.

O Kremlin declara que os alvos se concentram em sete regiões ucranianas, entre elas Kiev, Zaporíjia e Kharkiv. Segundo a versão russa, as forças armadas atingem “com sucesso” instalações de combustível, estruturas de transporte e aeródromos militares considerados críticos para a logística ucraniana. As autoridades de Kiev, porém, relatam que parte dos projéteis cai em áreas residenciais e comerciais, gerando vítimas civis e novos deslocamentos de famílias.

Guerra entra em fase de escalada mútua

O ataque desta madrugada ocorre após dias de alertas de Moscou sobre planos para uma ofensiva em larga escala. Na semana passada, o governo russo havia prometido “ataques sistemáticos” contra alvos em Kiev, em retaliação a uma ação ucraniana na cidade de Luhansk, no leste, controlada pela Rússia desde os primeiros meses da guerra. Na ocasião, um bombardeio atinge um dormitório estudantil e mata 21 pessoas, segundo autoridades russas.

A Ucrânia contesta a narrativa e afirma ter mirado um centro de comando de drones usado pelas forças russas na região, não estudantes. Na noite de segunda-feira (1º), o presidente Vladimir Putin volta ao assunto e acusa Kiev de “abrir uma nova página em uma série de crimes” com o ataque em Luhansk e com um bombardeio posterior contra um prédio de apartamentos em parte da região de Kherson sob ocupação russa. Os dois lados negam ter civis como alvo deliberado, mas as cifras de mortes de não combatentes seguem em alta.

Desde a invasão em larga escala, em fevereiro de 2022, a Rússia controla cerca de um quinto do território ucraniano. Em setembro daquele ano, Putin anuncia a anexação de quatro regiões: Donetsk, Luhansk, Kherson e Zaporíjia, movimento rejeitado por Kiev e por governos ocidentais. As linhas de frente, sobretudo no leste, avançam de forma lenta, em batalhas de desgaste que consomem munição, infraestrutura e vidas em ritmo constante.

No último ano, a Ucrânia intensifica ataques em território russo, muitos deles com drones de longo alcance e mísseis adaptados. As autoridades de Kiev dizem buscar alvos militares e de logística, como refinarias, depósitos de combustível e bases de lançamento de mísseis. Nos últimos dias, drones ucranianos atingem uma refinaria e um depósito de combustível na Rússia, forçando Moscou a reforçar defesas aéreas em cidades industriais e em áreas próximas à fronteira.

O governo Putin, por sua vez, amplia o uso de mísseis de cruzeiro, munições hipersônicas e drones kamikaze contra centros urbanos e infraestrutura ucraniana. Hospitais, subestações elétricas e terminais de transporte são repetidamente danificados. Organismos internacionais estimam milhares de mortes civis desde o início do conflito, a maioria em território ucraniano. Os Estados Unidos calculam que até 1,2 milhão de pessoas estão mortas ou feridas na guerra, incluindo militares de ambos os lados, embora nem Moscou nem Kiev divulguem balanços oficiais de baixas.

Impacto humano, pressão internacional e impasse político

Os ataques desta madrugada deixam ao menos 13 mortos confirmados e mais de 100 feridos, segundo autoridades ucranianas. Hospitais em Kiev e em outras cidades registram filas de ambulâncias e atendimentos de emergência, muitos por estilhaços de vidro e desabamentos parciais de estruturas. Moradores deixam bairros atingidos às pressas, carregando o que conseguem em malas pequenas e sacolas plásticas.

A ofensiva agrava uma crise humanitária que já desloca milhões de pessoas dentro e fora da Ucrânia desde 2022. Cidades próximas à linha de frente perdem população, escolas passam a funcionar em regime parcial e abrigos subterrâneos voltam a ser rotina para crianças e idosos. Estações de trem, estradas e postos de fronteira registram novos fluxos, enquanto países europeus discutem limites de acolhimento e capacidade de integração de refugiados.

O ataque também tem impacto direto nas discussões diplomáticas. Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, pressiona por um acordo de paz que reduza o custo político e econômico da guerra para Washington e seus aliados. Lideranças europeias cobram garantias de segurança para Kiev e avaliam novos pacotes de sanções contra Moscou, ao mesmo tempo em que temem uma escalada que envolva diretamente a Otan.

O presidente Volodimir Zelensky insiste em mais sistemas de defesa aérea e mísseis de médio e longo alcance para proteger cidades e infraestrutura crítica. “Precisamos fechar o céu para impedir que novos ataques como este se repitam”, afirma, em apelos constantes aos EUA e a países europeus. O governo russo reage e acusa o Ocidente de prolongar a guerra ao fornecer armamentos modernos a Kiev.

O que pode acontecer a partir de agora

A nova onda de bombardeios indica que a guerra entra em uma fase ainda mais imprevisível, em que ataques em profundidade se tornam rotina. Cada ofensiva em larga escala aumenta o risco de erros de cálculo, amplia o desgaste das populações civis e torna mais distante a perspectiva de cessar-fogo imediato. Analistas militares apontam que a combinação de mísseis hipersônicos e drones baratos tende a se repetir nos próximos meses, com impacto direto sobre a infraestrutura energética e de transporte da Ucrânia.

No tabuleiro político, o ataque pressiona governos europeus e os Estados Unidos a definir até onde vão no apoio militar a Kiev e na tentativa de conter Moscou. Um acordo negociado parece distante, mas o custo humano e econômico da guerra cresce a cada dia, dentro e fora da região. A pergunta que permanece, enquanto os escombros ainda fumegam em Kiev, é por quanto tempo a comunidade internacional aceitará assistir a essa escalada sem um plano concreto para interrompê-la.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *