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Trump diz estar perto de acordo com Irã para encerrar guerra e travar bomba nuclear

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirma neste sábado (30) que está perto de fechar um acordo com o Irã para encerrar a guerra iniciada em fevereiro e travar de vez a ambição nuclear do regime em Teerã. O entendimento, segundo ele, teria como contrapartida o compromisso iraniano de não desenvolver nem comprar armas atômicas.

Negociação em meio a bloqueio e cessar-fogo frágil

Trump usa uma entrevista à Fox News para apresentar o possível acordo como a saída diplomática para um conflito que começa em 28 de fevereiro de 2026, quando Estados Unidos e Israel lançam bombardeios contra alvos iranianos. Desde então, a escalada militar fecha o Estreito de Ormuz, estrangula o fluxo de petróleo e ameaça a estabilidade de todo o Golfo Pérsico.

O presidente descreve negociações duras, conduzidas sob o peso de um bloqueio naval imposto por Washington aos portos iranianos desde 17 de abril. O estreito, por onde passa cerca de um quinto do petróleo transportado por navios no mundo em tempos normais, permanece praticamente paralisado. A interrupção do tráfego pressiona preços de combustíveis, amplifica temores de desabastecimento e alimenta a volatilidade nos mercados globais de energia.

Trump admite em rede nacional que equilibra a conversa diplomática com a ameaça de força. “Vamos fazer com que (o acordo) seja ótimo. A outra opção seria apenas voltar atrás e resolver isso militarmente. Mas o acordo seria mais rápido. Provavelmente, é melhor do ponto de vista humano”, afirma à entrevistadora Lara Trump, dirigente do Partido Republicano e integrante de seu círculo político mais próximo.

O cessar-fogo em vigor desde 7 de abril reduz o ritmo dos combates, mas não encerra a guerra. O armistício é descrito por autoridades dos dois lados como frágil, condicionado ao avanço das negociações. Há conversas sobre uma prorrogação por mais 60 dias, período que funcionaria como janela final para definir o futuro do programa nuclear iraniano e do bloqueio naval.

Condição central: Irã sem bomba nuclear nem compra de armamento

Trump coloca no centro do possível acordo uma cláusula clara: o Irã não poderá ter armas nucleares em nenhuma circunstância. Ele relata que a discussão evolui de uma promessa inicial de Teerã de não desenvolver ogivas atômicas para um compromisso mais amplo, que inclui a proibição de compra de tecnologia pronta em outros mercados.

“Eles diziam inicialmente que não desenvolveriam armas nucleares. Eu disse: ‘Mas e se vocês comprá-las?’ Agora eles afirmam que não vão desenvolver o armamento e nem comprá-lo em hipótese alguma. Essa é uma grande diferença”, relata. A fala mira uma preocupação antiga em Washington e em capitais europeias: a possibilidade de o regime contornar sanções e restrições técnicas recorrendo a fornecedores clandestinos, como fez o Paquistão no passado.

O presidente americano afirma que Teerã já aceita a exigência, embora não detalhe o formato jurídico do compromisso nem mencione inspeções internacionais. Tudo indica que qualquer entendimento terá de dialogar com o histórico acordo nuclear de 2015, abandonado unilateralmente pelos EUA em 2018, e com o papel da Agência Internacional de Energia Atômica na verificação de instalações e estoques de urânio.

Trump também vincula o eventual acordo ao destravamento imediato do Estreito de Ormuz. “O acordo permitirá a reabertura imediata do Estreito de Ormuz”, diz. A promessa interessa diretamente a exportadores de petróleo do Golfo, como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Iraque, e a importadores pesados da Europa e da Ásia, que sofrem com fretes mais caros e prêmios de risco elevados desde o fechamento da rota em fevereiro.

O presidente afirma que não tem pressa, apesar do custo econômico da paralisia. “Eu gostaria de dizer que estou com pressa porque o acordo faria os preços da gasolina despencarem. Mas, se tivermos pressa, não teremos um bom negócio”, argumenta. A insistência em negociar a partir de uma posição de força vem acompanhada de nova ameaça velada: “Estamos conseguindo o que queremos. E se não conseguirmos, vamos terminar de uma maneira diferente.”

Pressão militar no mar e impacto global do conflito

Enquanto Trump fala em paz, o Pentágono mantém a pressão nos mares. Ainda no sábado, o Comando Central dos EUA divulga que suas forças disparam um míssil contra a casa de máquinas do cargueiro Lian Star, de bandeira da Gâmbia, ao acusar a embarcação de tentar furar o bloqueio a um porto iraniano. Segundo os militares, o navio ignora mais de 20 avisos ao longo da noite antes de ser alvejado.

Com a ação, as forças americanas dizem impedir que seis navios rompam o bloqueio, dos quais apenas um recebe autorização para seguir viagem. Outros 116 cargueiros são redirecionados, num esforço para manter pressão econômica máxima sobre Teerã e, ao mesmo tempo, evitar um confronto direto com comboios militares iranianos. O bloqueio, iniciado em 17 de abril, consolida o estrangulamento dos portos do país persa e amplia a dependência de rotas alternativas, mais longas e caras.

A guerra iniciada em 28 de fevereiro já cobra um preço alto em vidas e recursos. Bombardeios em território iraniano, ataques de retaliação da Guarda Revolucionária e episódios de confronto no Golfo levam ao menos milhares de mortos e deslocam populações em áreas estratégicas ligadas à indústria de petróleo. O fechamento de Ormuz reduz de forma drástica a saída diária de milhões de barris, eleva prêmios de seguro e força governos a recorrer a estoques estratégicos.

O possível acordo muda o cálculo geopolítico na região. Uma solução negociada que congele de forma verificável o programa nuclear iraniano e alivie as sanções tende a reduzir o risco de uma corrida armamentista no Oriente Médio, onde Israel mantém o único arsenal nuclear não declarado da região. Ao mesmo tempo, rivais regionais de Teerã, como Arábia Saudita, Emirados e Turquia, acompanham cada linha do texto, temendo que o Irã ganhe espaço político e econômico com a reabertura dos portos e a normalização comercial.

Mercados, diplomacia e a dúvida sobre o desfecho

Investidores de energia, tradings de commodities e bancos seguem de perto cada declaração de Washington e Teerã. Um acordo que libere de imediato o tráfego no Estreito de Ormuz tende a derrubar a cotação do petróleo e aliviar parte da pressão sobre combustíveis, inflação e juros no mundo todo. Setores intensivos em energia, como aviação, transporte marítimo e indústria petroquímica, seriam os primeiros a sentir o alívio.

O fracasso das conversas, por outro lado, recoloca na mesa o cenário de retomada de ataques aéreos e de uma ofensiva naval mais agressiva contra a infraestrutura iraniana. Esse caminho ampliaria o risco de um choque de oferta de petróleo duradouro, reacenderia temores de descontrole no Líbano, na Síria e no Iraque e poderia empurrar para baixo o crescimento global em 2026.

Diplomatas em capitais europeias, em Moscou, em Pequim e em Brasília acompanham o processo e buscam espaço para mediar garantias de verificação nuclear e mecanismos de alívio gradual das sanções. A memória do acordo de 2015, desmontado oito anos depois por decisão unilateral de Washington, alimenta o ceticismo em Teerã e entre aliados iranianos, que cobram salvaguardas mais robustas desta vez.

A entrevista de Trump sinaliza que a decisão pode vir em poucas semanas, talvez ainda durante a atual extensão do cessar-fogo, de 60 dias. A escolha entre papel assinado e retorno às bombas não afeta apenas Washington e Teerã. O desfecho definirá o preço da energia, o grau de instabilidade no Oriente Médio e o peso da diplomacia na gestão de crises nucleares nos próximos anos.

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