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Equipes buscam nova entrada para resgatar homens presos em caverna no Laos

Equipes de resgate no Laos redirecionam, nesta segunda-feira (1º), a busca por dois homens desaparecidos há cerca de 15 dias em uma caverna inundada. O trabalho agora se concentra em encontrar novas entradas na montanha, após as chuvas tornarem inviável o mergulho no interior da cavidade.

Corrida contra o tempo em Xaysomboun

A operação se desenrola na província de Xaysomboun, no centro do país, e envolve mergulhadores e especialistas de vários países. O grupo original era formado por sete homens, surpreendidos por uma inundação repentina enquanto caçavam morcegos e buscavam ouro em antigas áreas de mineração subterrânea. Cinco deles foram encontrados com vida na semana passada, a cerca de 300 metros da entrada da caverna.

Um dos sobreviventes foi retirado por mergulhadores estrangeiros na sexta-feira (29), após dias de bombeamento de água. Os outros quatro conseguiram deixar o local por conta própria no sábado (30), apoiados por equipes médicas e socorristas posicionados na entrada. Os dois restantes, porém, seguem desaparecidos em trechos mais profundos, hoje completamente alagados.

O relato de um dos resgatados, identificado como Laen, ajuda a reconstruir o início da tragédia. Em entrevista à mídia estatal, ele conta que o grupo entrou na caverna para complementar a renda com a caça de morcegos e a busca por ouro. “A chuva chegou e a caverna inundou. Fomos em busca de comida e pensamos que, se pudéssemos ganhar dinheiro, por que não? É assim que vivemos na aldeia”, disse.

A combinação de pobreza rural e mineração artesanal expõe moradores a riscos extremos. Em Xaysomboun, região marcada por antigas frentes de extração, túneis abandonados se misturam a cavernas naturais, sem sinalização ou monitoramento. A chuva intensa das últimas semanas transformou esse labirinto subterrâneo em um ambiente instável, com passagens estreitas, desmoronamentos e águas turvas.

Tecnologia avançada em cenário hostil

Com as galerias inundadas, o centro da estratégia muda de posição. As equipes deixam de apostar apenas na progressão subaquática e passam a explorar a encosta da montanha, em busca de fendas que levem a câmaras secas. O finlandês Mikko Paasi, mergulhador veterano do resgate de 12 adolescentes em uma caverna na Tailândia em 2018, afirma que a instabilidade das passagens internas obriga o grupo a procurar “pistas promissoras” a partir da superfície.

O Laos repete, em menor escala, a mobilização internacional vista há oito anos no país vizinho. Técnicos estrangeiros ajudam a operar equipamentos de alta precisão, incluindo radares de satélite capazes de identificar cavidades e túneis ainda não mapeados. A ideia é desenhar, em tempo real, um mapa subterrâneo mais fiel e localizar eventuais espaços onde os dois desaparecidos possam ter se abrigado.

O socorrista tailandês Kengkard Bonggawong explica que o esforço se divide entre tecnologia e trabalho braçal. “Estamos correndo contra o tempo para bombear a água e instalar linhas de ar para garantir a respiração de possíveis sobreviventes”, afirma. Mangueiras, compressores e cilindros são deslocados por trilhas escorregadias, enquanto engenheiros monitoram, em telas e notebooks, imagens e leituras de sensores.

Novas frentes de exploração surgem a cada dia. O mergulhador japonês Yoshitaka Isaji relata ter identificado uma fenda na montanha que pode permitir uma descida de cerca de 100 metros por cordas. Em outra frente, o tailandês Manat Artmongkron conta que ouviu sons de “batidas” ao chegar a uma câmara após um rapel de 70 metros, indício de que alguém, em algum ponto do sistema de túneis, tenta se comunicar.

Os relatos renovam o ânimo das equipes, mas não eliminam a pressão das horas. A estimativa é que os dois homens estejam presos há aproximadamente duas semanas, período em que a sobrevivência depende de bolsões de ar, água não contaminada e algum tipo de alimento. O uso de linhas de ar e o bombeamento contínuo procuram ampliar essa margem.

Impacto global e debate sobre segurança

A operação em Xaysomboun se torna um novo teste para o modelo de resgate internacional em ambientes extremos. O caso ganha repercussão mundial por reunir especialistas de diferentes países, técnicas desenvolvidas em operações anteriores e uma situação de alto risco humano. O resultado terá efeito direto sobre a confiança em respostas rápidas a emergências em cavernas, minas e outras áreas confinadas inundadas.

A presença de moradores pobres em antigas áreas de mineração escancara um problema estrutural. Famílias que dependem da caça de morcegos e da busca informal por ouro trabalham sem protocolos de segurança, equipamentos de proteção ou planos de evacuação. Organizações humanitárias e especialistas em trabalho de campo defendem que tragédias como a de Xaysomboun levem governos da região a rever regras de exploração e oferecer alternativas econômicas às comunidades.

O uso de radares de satélite e mapeamento subterrâneo em tempo real tende a influenciar futuras operações. Ferramentas que hoje aparecem como apoio emergencial podem se tornar padrão em planos de defesa civil. A experiência no Laos deve alimentar manuais, treinamentos e protocolos internacionais, com potencial de reduzir o tempo de resposta em desastres semelhantes.

Se os dois homens forem encontrados com vida, o resgate se consolidará como uma vitória humanitária e tecnológica. Mesmo em caso de desfecho trágico, a análise técnica do que funciona ou não em ambientes de alta complexidade já começa a ser incorporada por equipes de salvamento da Ásia e de outros continentes.

Próximos passos na montanha e no subsolo

Os próximos dias devem concentrar esforços em três frentes: a abertura de novas entradas na montanha, o avanço cauteloso por fendas já identificadas e a manutenção do bombeamento para reduzir o nível da água. Cada nova chuva forte, prevista com frequência nesta época do ano no Sudeste Asiático, pode atrasar trabalhos e obrigar a revisão de rotas.

Autoridades locais, pressionadas pela atenção internacional e pela angústia das famílias, evitam anunciar prazos. Socorristas repetem que, enquanto houver sinais, a busca continua. A operação em Xaysomboun se desenha, assim, como um marco: caso termine em resgate bem-sucedido, reforçará a aposta na combinação de tecnologia de ponta e conhecimento de campo; se não, deixará como herança a pergunta sobre quanto o mundo está disposto a investir para que a próxima equipe chegue mais rápido e com mais segurança a quem espera por socorro no escuro.

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