Fluminense empata com Cruzeiro, assume 3º lugar e vê Fábio falhar
Fluminense e Cruzeiro empatam por 1 a 1 neste domingo (31), no Mineirão, pela 18ª rodada do Campeonato Brasileiro. John Kennedy abre o placar para os cariocas, Fábio falha, e Matheus Pereira garante o empate cruzeirense.
Jogo quente, falha decisiva e tabela embolada
O empate em Belo Horizonte mexe diretamente com a parte de cima da classificação. O Fluminense chega a 31 pontos, assume a terceira posição e vai para a pausa da Copa do Mundo de 2026 instalado na zona de candidatos ao título. O Cruzeiro soma 24 pontos, cai para o 11º lugar e entra no recesso com a sensação de ter desperdiçado a chance de encostar no pelotão de frente.
A noite no Mineirão expõe como um detalhe técnico muda o rumo de um jogo de alto nível. O veterano Fábio, de 45 anos, símbolo recente do Cruzeiro e hoje dono do gol tricolor, não consegue reagir ao desvio da barreira em cobrança de falta de Matheus Pereira, aos 30 minutos do segundo tempo. A bola muda de direção, entra lenta no canto, e o goleiro apenas acompanha, atrasado. O lance apaga uma atuação até então segura e dá ao time da casa um ponto que parecia escapar.
John Kennedy decide, Otávio brilha e Matheus Pereira salva
O primeiro tempo se desenha em ritmo alto desde o início. O Cruzeiro começa mais agressivo, empurra o Fluminense para o campo de defesa e encontra espaços pelos lados. Aos 15 minutos, Arroyo recebe enfiada precisa de Matheus Pereira, invade a área pela esquerda e, pressionado, finaliza mal, direto para fora, diante de Fábio. A chance perdida antecipa a dinâmica da etapa: mineiros pressionam, cariocas esperam o erro para contra-atacar.
O Fluminense responde com velocidade. Serna se projeta pelo meio, recebe lançamento em profundidade e sai cara a cara com Otávio. O atacante finaliza firme, mas o goleiro cruzeirense espalma com a mão direita e salva o time da casa. O lance anima os visitantes, que se soltam em campo. A marcação alta começa a incomodar a saída de bola celeste e o jogo, aos poucos, se equilibra.
O gol tricolor sai aos 42 minutos do primeiro tempo e nasce de uma combinação simples, mas bem executada. John Kennedy recua alguns passos, recebe passe frontal na entrada da área, gira sobre Jonathan Jesus e ganha o corpo na dividida. O camisa 9 avança um passo e finaliza rasteiro, cruzado, no canto. A bola toca a trave antes de morrer no fundo da rede. O atacante corre em direção à bandeirinha de escanteio e comemora com os braços abertos, em imagem registrada por Gilson Lobo/AGIF, enquanto parte da torcida mineira se cala.
O Cruzeiro volta do intervalo pressionando. Artur Jorge adianta as linhas, libera Kaiki e Fagner pelos lados e busca Matheus Pereira entre as linhas do meio-campo tricolor. O camisa 10 assume o protagonismo. Em um primeiro momento, ele encontra Villarreal na área, mas a zaga corta. Em outro lance, cruza na medida para Sinisterra, que substitui Villarreal e sobe livre. A cabeçada sai forte, porém para fora, à direita de Fábio.
O empate vem em bola parada, quando o Cruzeiro já parece impaciente. Aos 30 minutos, Matheus Pereira ajeita a falta frontal, a cerca de 25 metros do gol. A batida é forte, mas não impossível. A barreira desvia levemente, a trajetória engana Fábio, que se movimenta para um lado e não consegue voltar a tempo. A bola entra no meio do gol. O próprio meia ergue os braços, aliviado. O goleiro tricolor se agacha, encara o gramado e recebe olhares de consolo dos companheiros.
O jogo se mantém aberto até o apito final. Zubeldía lança Germán Cano para tentar matar a partida. O argentino quase resolve nos acréscimos: recebe livre dentro da pequena área e finaliza de primeira, mas pega mal na bola. O chute sai fraco, à meia altura, e Otávio encaixa em dois tempos, garantindo o 1 a 1. Minutos antes, Sinisterra já havia assustado a defesa carioca em cruzamento preciso de Matheus Pereira, reforçando a sensação de que a virada celeste não seria exagero.
Flu sobe no G-4, Cruzeiro se vê no meio da tabela
O resultado consolida o Fluminense na parte de cima da tabela ao fim da 18ª rodada. Com 31 pontos, o time carioca se firma entre os quatro primeiros e termina a primeira metade do campeonato com desempenho de candidato a vaga direta na Libertadores. A equipe de Zubeldía soma nove vitórias, quatro empates e cinco derrotas até aqui, com ataque em boa fase e defesa ainda oscilante.
O Cruzeiro fecha a rodada em 11º, com 24 pontos, e sente o peso da irregularidade. Em casa, a equipe alterna atuações intensas com lapsos de concentração, como na jogada do gol de John Kennedy. A defesa vacila na marcação individual, o meio-campo se vê dividido entre pressionar a saída tricolor e proteger a frente da área, e o time paga caro por cada erro. A reação no segundo tempo, puxada por Matheus Pereira, reduz o dano, mas não evita as vaias pontuais de parte da torcida ao fim do jogo.
O protagonismo de Matheus Pereira reforça o papel do camisa 10 como termômetro cruzeirense. Sempre que ele se aproxima da área, o Cruzeiro ganha volume ofensivo e cria as melhores chances. Quando some, o time se torna previsível. Do outro lado, John Kennedy mantém a rotina de gols decisivos em jogos grandes, consolida o status de referência ofensiva e amplia o debate interno sobre sua permanência como titular mesmo com a concorrência de Cano.
Pausa para a Copa muda ritmo e prioridades
A tabela do Brasileirão agora para por quase dois meses por causa da Copa do Mundo de 2026. As equipes só voltam a campo a partir de 22 de julho, em data ainda a ser confirmada pela CBF. O período de 52 dias sem jogos oficiais oferece espaço raro para ajustes táticos, recuperação física e eventuais mudanças no elenco durante a janela de transferências do meio do ano.
No Fluminense, a pausa chega em momento favorável. O time entra no recesso em alta, consolidado no G-4 e com o ataque em evidência. A comissão técnica ganha tempo para corrigir falhas defensivas e dar mais equilíbrio ao meio-campo, onde Serna, Bernal e Martinelli ainda alternam bons momentos e apagões. A direção tricolor também pode buscar reforços pontuais para manter o ritmo na volta, ciente de que a briga pelo título passa por regularidade na segunda metade do torneio.
O Cruzeiro encara o intervalo em cenário menos confortável. A equipe precisa transformar o desempenho combativo em resultados mais consistentes, especialmente no Mineirão. A diretoria observa o mercado em busca de peças para aumentar a concorrência no ataque e dar mais opções a Artur Jorge. A falha de Fábio, embora pontual, serve de alerta para a importância da concentração absoluta em jogos equilibrados, em que um desvio na barreira pode custar dois pontos preciosos.
Quando o Brasileirão recomeçar, o Fluminense terá a missão de se manter entre os líderes, enquanto o Cruzeiro tentará provar que não é apenas um time competitivo, mas um candidato real às primeiras posições. O empate deste domingo, marcado por um gol de talento e outro de desvio cruel, deixa a sensação de que os dois clubes chegam ao recesso com mais perguntas do que respostas.
