Viveros decide no fim, Athletico vence Mirassol e se firma no G4
Kevin Viveros marca aos 43 minutos do segundo tempo, garante vitória por 1 a 0 sobre o Mirassol neste sábado (30) e mantém o Athletico no G4 do Brasileirão 2026 antes da parada para a Copa do Mundo.
Gol tardio, alívio imediato e mês sem vitória em casa encerrado
A Arena da Baixada segura o ar até o apito final. O Athletico volta a vencer diante de seus torcedores depois de um mês e seis dias, em uma tarde de tensão, impaciência e um desfecho que reforça o protagonismo de Viveros no campeonato. O atacante colombiano aparece de novo no momento decisivo, empurra a bola para a rede e transforma um jogo travado em combustível para a sequência da temporada.
O duelo abre a 18ª rodada do Brasileirão e recoloca o Furacão em um lugar confortável na tabela. O time chega a 30 pontos, assume de forma provisória a terceira colocação e atravessa a pausa da Copa do Mundo com folga no G4. O Mirassol, com 17 pontos, permanece na zona de rebaixamento, em 18º, e leva para o interior paulista a urgência por ajustes técnicos e emocionais.
O cenário contrasta com as semanas anteriores na Arena. Desde o 3 a 1 sobre o Vitória, em 24 de abril, o Athletico só coleciona empates em casa contra adversários pesados como Grêmio e Flamengo. A vitória magra deste sábado não encanta, mas cumpre função estratégica: sustenta a campanha entre os líderes, interrompe o jejum e dá lastro ao trabalho de Odair Hellmann em um momento-chave da temporada.
Jogo travado, ajustes de Odair e protagonismo de Viveros
O primeiro tempo expõe a dificuldade athleticana em furar o bloqueio paulista. O Mirassol se sente à vontade na Arena, marca alto quando pode, se compacta quando precisa e encontra espaços entre as linhas rubro-negras. O time de Rafael Guanaes controla o ritmo, varia o jogo pelos lados e deixa a torcida inquieta nas arquibancadas.
Na melhor chance antes do intervalo, já nos acréscimos, Edson Carioca ganha de Aguirre na área e finaliza forte. Santos reage rápido e evita o gol com defesa segura, em lance que escancara a vulnerabilidade defensiva em um sistema com três zagueiros que ainda parece em construção. Do outro lado, o Athletico oferece muito pouco, preso a erros de Bruno Zapelli e Steven Mendoza, que quebram ataques em sucessão.
Claudinho vira rota quase solitária de escape. Em um dos poucos momentos de clareza, ele recebe lançamento longo de Arthur Dias, domina na área e acerta a trave, no lance mais perigoso do Furacão na etapa inicial. O som metálico do chute ecoa como um aviso de que a tarde pode ser mais longa do que o esperado para o time da casa.
Odair mexe no intervalo para tentar destravar o jogo. Julimar entra na vaga de Zapelli e dá mobilidade ao ataque, mas o Athletico continua esbarrando na própria afobação. Passes curtos saem longos, cruzamentos param na defesa, finalizações sobram sem direção. O técnico então desmonta o sistema com três defensores, tira Lucas Esquivel e lança João Cruz, aproximando mais jogadores da área.
Aos poucos, o time empurra o Mirassol para o próprio campo, mesmo sem grande brilho. Riquelme e Leozinho substituem Felipinho e Mendoza, apagados, enquanto Carlos Terán ganha minutos no lugar do jovem Arthur Dias, de volta ao time após lesão muscular. O gol amadurece mais pelo volume e pela insistência do que por construção refinada.
O desfecho vem já nos minutos finais, quando o empate parece desenhado. João Cruz acha espaço e aciona Kevin Viveros na área. O artilheiro se antecipa à marcação, finaliza com frieza e define o 1 a 0 sob um coro de alívio de 27.523 pagantes, em público total de 27.927 torcedores. O colombiano chega a 11 gols e se isola na artilharia do Brasileirão, um à frente de Pedro, do Flamengo.
Viveros sai de campo abraçado pelos companheiros e ovacionado pelas arquibancadas. A fase contrasta com a ausência na Copa, tema que ele trata com naturalidade ao fim da partida. “Muita gente menospreza, mas a gente sabe a força desse time e desse clube. Meu foco é aqui e em levar o Athletico o mais alto possível”, afirma, em linha com o discurso interno de usar o Brasileirão como vitrine e objetivo principal.
Moral elevada, vitrine para Viveros e cobrança maior sobre o Mirassol
A vitória tem efeito direto no ambiente athleticano durante a pausa obrigatória. O clube já programa 16 dias de descanso ao elenco profissional, seguidos por um novo ciclo de treinamentos. O período serve para recuperar jogadores, organizar a defesa e reduzir a dependência de lampejos individuais de Viveros em jogos travados.
Os números deixam claro o tamanho da oportunidade. Com 30 pontos em 18 rodadas e uma posição sólida no G4, o Athletico se credencia a disputar vaga direta na Libertadores e mantém, ao menos no discurso, o direito de sonhar com o título nacional. A parada no calendário facilita ajustes e oferece tempo raro para um trabalho tático mais profundo em plena temporada.
O protagonismo de Viveros também projeta o clube para além das fronteiras. A sequência de gols, somada ao cenário de Copa do Mundo, amplia o interesse de outros mercados e coloca o atacante como ativo valioso no elenco. Dentro de campo, ele se torna referência técnica e emocional em um time ainda em busca de equilíbrio entre juventude e experiência.
O sábado em Curitiba ainda guarda um componente simbólico. Bento, ídolo recente da torcida e hoje no Al-Nassr, da Arábia Saudita, acompanha o jogo em camarote, ao lado da esposa e das duas filhas. Ovacionado pelos rubro-negros, o goleiro de 26 anos reforça o elo entre gerações e lembra que o Athletico já forma, há algum tempo, jogadores capazes de transitar entre o cenário local e o mundial.
O Mirassol volta para casa com outra perspectiva. O time cria, compete e por pouco não abre o placar ainda na primeira etapa, mas sofre com a falta de contundência nas duas áreas. A derrota mantém a equipe na 18ª posição, com 17 pontos, e aumenta a pressão sobre a comissão técnica para a segunda metade do campeonato. O intervalo da Copa se transforma em laboratório urgente para rever conceitos e buscar reforços que elevem o nível de competitividade na Série A.
Pausa, reencontros em julho e um G4 em disputa aberta
A interrupção do Brasileirão por conta da Copa do Mundo deixa a tabela em compasso de espera. O Athletico encerra o primeiro turno somente depois da retomada, quando visita o São Paulo, em data prevista entre 22 e 23 de julho, no Morumbi. O Mirassol recebe o Grêmio no interior paulista, em compromisso no mesmo fim de semana, ainda a ser confirmado pela CBF.
O intervalo redefine prioridades. Em Curitiba, a comissão técnica planeja aproveitar o respiro para fortalecer o modelo de jogo, calibrar o encaixe entre defesa e meio-campo e preparar a equipe para uma sequência que tende a ser mais dura, com adversários diretos pela parte de cima da tabela. Em Mirassol, a pausa funciona como chance de reorganizar o grupo e tentar evitar que a briga contra o rebaixamento se transforme em sentença antecipada.
O campeonato volta em cenário diferente, com seleções já definidas na Copa e janelas de transferências abertas. O desempenho de Viveros, a resposta do Athletico após a pausa e a capacidade do Mirassol de reagir no segundo turno ajudam a desenhar não só o G4, mas também a zona de rebaixamento. O gol nos acréscimos na Arena da Baixada se insere nesse enredo maior: um lance que vale três pontos hoje e, possivelmente, uma diferença decisiva na reta final do Brasileirão.
