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Kassab se diz pronto para ser vice de Caiado em 2026

Gilberto Kassab admite, neste sábado (30/5), estar à disposição para ser vice na chapa presidencial de Ronaldo Caiado em 2026, durante o Fórum de Lisboa. O presidente do PSD defende uma possível chapa puro-sangue, mas afirma que a decisão final cabe ao governador goiano.

PSD testa força com hipótese de chapa puro-sangue

A declaração de Kassab ocorre em Lisboa, diante de um público formado por ministros, magistrados, políticos e acadêmicos que acompanham o Fórum de Lisboa, evento anual organizado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes. O dirigente não apenas reage às especulações sobre seu nome, mas transforma o boato em ativo político ao se colocar oficialmente no tabuleiro da sucessão de 2026.

Nas redes sociais, Kassab escreve que uma chapa formada apenas por nomes do PSD está no horizonte, embora ainda em fase de construção. “Mesmo já tendo afirmado que uma candidatura chapa pura pode ser uma hipótese concreta, entendo que muitas etapas e entendimentos precisam ser cumpridos, dentro e fora do nosso partido, até que seja tomada uma decisão sobre o perfil da nossa chapa”, afirma. O texto circula entre parlamentares, governadores e dirigentes como um sinal de que o partido pretende testar sua musculatura nacional.

O movimento reforça a pré-candidatura de Ronaldo Caiado, anunciada para a eleição de outubro de 2026, e reposiciona Kassab no centro das articulações. Aos 64 anos, o ex-prefeito de São Paulo e ex-ministro volta a ser cotado para um cargo majoritário, depois de passar os últimos anos operando nos bastidores, como articulador de alianças que deram sustentação a governos de diferentes campos ideológicos.

No PSD, a sinalização de uma chapa puro-sangue funciona como teste de unidade interna. A sigla, que em 2022 elegeu cerca de 42 deputados federais e conquistou governos estaduais estratégicos, tenta agora decidir se lança uma candidatura competitiva própria ou se volta a ocupar o papel de fiel da balança em alianças com Planalto. A disposição de Kassab de assumir a vice reforça a primeira hipótese.

Disputa nacional, barganha regional

A entrada de Kassab no jogo nacional altera contas em diferentes estados. Até o fim de 2025, o presidente do PSD era citado como nome quase certo para a vice na chapa de reeleição do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, de quem foi secretário de Governo e Relações Institucionais. A possibilidade de migrar para uma disputa presidencial embaralha essa negociação e reduz o espaço de manobra do Republicanos e de aliados paulistas.

Uma eventual chapa Ronaldo Caiado–Gilberto Kassab também redesenha o mapa de alianças no Centro-Oeste e no Sudeste. Caiado, governador de Goiás desde 2019, tenta se consolidar como opção de centro-direita capaz de dialogar com agronegócio, conservadores e setores moderados do Congresso. Kassab oferece a essa candidatura uma rede de prefeitos, deputados e governadores que pode funcionar como estrutura de campanha em pelo menos 20 estados.

O cálculo eleitoral inclui ainda a imagem de “ponto de equilíbrio” que Kassab cultiva desde a criação do PSD, em 2011. O partido participa de diferentes coalizões, com governos do PT, do MDB, do PSDB e de legendas de direita. Uma chapa puro-sangue, nesse contexto, deixa de ser apenas afirmação de identidade e passa a representar uma tentativa de ocupar espaço próprio num ambiente de polarização. A mensagem é clara: o PSD não quer apenas compor, quer liderar.

Ao mesmo tempo, a escolha por um vice do próprio partido reduz a margem para acordos com siglas médias que tradicionalmente negociam o posto, como MDB, União Brasil e Republicanos. Dirigentes ouvidos reservadamente avaliam que a aposta só se sustenta se Caiado consolidar, até o início de 2026, intenção de voto em torno de dois dígitos e presença consistente entre os três primeiros colocados nas pesquisas nacionais.

Dentro do PSD, a movimentação também provoca reações. Setores próximos a governadores veem com cautela uma chapa que concentre tanto poder em dois nomes da cúpula. Outros avaliam que a presença de Kassab na vice pode funcionar como garantia de que interesses regionais serão preservados em eventual governo federal, inclusive na distribuição de ministérios e emendas orçamentárias a partir de 2027.

Negociações, prazos e incertezas até a convenção

O cronograma eleitoral pressiona as conversas. As convenções partidárias que oficializam candidaturas devem ocorrer entre julho e agosto de 2026, o que deixa pouco mais de 12 meses para que o PSD teste alianças, sonde outros partidos e meça o efeito de uma chapa puro-sangue junto ao eleitorado. Até lá, qualquer declaração pública ganha peso na disputa interna por espaços e posições.

Kassab deixa claro que não pretende atropelar o pré-candidato. Nas falas em Lisboa, ele insiste que a palavra final sobre o vice é de Caiado. A mensagem busca reduzir ruídos e afastar a leitura de que o presidente do PSD impõe seu próprio nome. Ao mesmo tempo, o gesto de se colocar “à disposição” sinaliza a aliados, no Brasil, que a construção da chapa entrou em fase mais objetiva.

Nos bastidores, dirigentes preveem semanas de intensa negociação com partidos que hoje compõem o arco de apoio informal ao governo federal e com legendas de oposição. O desempenho de Caiado em pesquisas qualitativas, o humor do mercado financeiro e o grau de unidade da base governista no Congresso devem influenciar a decisão final. Se a escalada de polarização se mantiver, o PSD terá de escolher entre apostar numa candidatura própria até o fim ou reabrir o jogo por uma aliança no segundo turno.

O Fórum de Lisboa, apelidado de “Gilmarpalooza” pela concentração de autoridades em um mesmo hotel, oferece a Kassab e Caiado um palco privilegiado para conversas discretas. Entre painéis sobre democracia, redes sociais e economia global, circulam cálculos eleitorais e simulações de palanque. A presença de ministros do STF, parlamentares e representantes de diferentes governos estrangeiros ajuda a medir a repercussão internacional de um eventual protagonismo do PSD em 2026.

A partir de agora, cada gesto público de Kassab e de Caiado passa a ser lido como sinal na disputa presidencial. A confirmação de uma chapa puro-sangue consolidaria o PSD como protagonista direto da sucessão e obrigaria outras siglas a reposicionarem suas apostas. A recusa, por outro lado, recolocaria o partido no papel de fiador de alianças, função que lhe rendeu influência, mas não o comando do Planalto. A dúvida que se impõe, em Lisboa e em Brasília, é se o PSD está disposto a correr o risco de disputar o poder no centro do palco ou se continuará atuando nos bastidores.

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