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Monique passa mal com fotos da necropsia de Henry e deixa júri

Monique Medeiros passa mal e deixa o plenário do Tribunal do Júri, no Rio, na tarde desta sexta-feira (29), durante a exibição das fotos da necropsia do filho, Henry Borel. A sessão é interrompida enquanto a ré recebe atendimento médico fora da sala de julgamento.

Julgamento é marcado por tensão e forte carga emocional

O mal-estar de Monique ocorre no momento em que o Ministério Público projeta, em um telão, imagens do laudo que detalha as lesões do menino de 4 anos, morto em 8 de março de 2021. As fotos, consideradas decisivas para a acusação, mostram hematomas e ferimentos descritos pelos peritos como compatíveis com agressões sucessivas, e não com um simples acidente doméstico.

Testemunhas presentes na sala relatam que Monique leva as mãos ao rosto, chora e, poucos minutos depois, pede para sair. Agentes de segurança e servidores a acompanham até uma área reservada do fórum, onde recebe atendimento. A juíza suspende a sessão por alguns minutos, enquanto a defesa avalia se ela terá condições de retornar ao plenário ainda hoje.

O episódio evidencia o clima de tensão que domina o julgamento, iniciado no começo da semana no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, no centro da cidade. O caso mobiliza a opinião pública há mais de três anos, desde que a morte de Henry, então com 4 anos, foi registrada inicialmente como acidente e, depois, tratada como homicídio qualificado pela polícia e pelo Ministério Público.

Monique responde ao júri popular ao lado do ex-vereador Jairo Souza Santos, o Dr. Jairinho, apontado pela acusação como autor das agressões que teriam causado a morte da criança. O Ministério Público sustenta que a mãe se omite, consente e ajuda a sustentar a versão de acidente, mesmo após relatos anteriores de violência. A defesa nega as acusações e insiste que não há provas de que o casal tenha matado o menino.

Imagens técnicas expõem a brutalidade do caso

A exibição das fotos da necropsia ocorre na fase de instrução do júri, quando os jurados têm contato direto com o conteúdo do processo. As imagens fazem parte de um laudo elaborado pelo Instituto Médico-Legal em 2021, que descreve mais de 20 marcas no corpo de Henry. Entre elas, equimoses em diferentes regiões, lesões internas e sinais de forte impacto.

Peritos ouvidos na investigação afirmam que o padrão das lesões é incompatível com queda da cama, versão apresentada pelo casal na madrugada da morte do menino. Ao projetar as fotos, o promotor reforça essa tese e aponta o que considera contradições nos depoimentos de Monique e de Jairinho. A defesa tenta limitar o tempo de exposição das imagens, alegando que o material é chocante e pode influenciar emocionalmente os jurados.

A reação de Monique, que já chora em outros momentos do julgamento, ganha novo peso nesse contexto. Para a acusação, as lágrimas não alteram o conteúdo do laudo nem a sequência de fatos que, segundo o Ministério Público, demonstram que a mãe tinha ciência das supostas agressões anteriores. Para os defensores, o colapso emocional reforça a imagem de uma mãe devastada pela perda, alvo de um processo que, na avaliação deles, mistura dor pessoal e condenação antecipada pela opinião pública.

O caso se torna símbolo de debates sobre violência doméstica contra crianças no Brasil. Organizações de proteção à infância acompanham o julgamento desde o primeiro dia e apontam falhas nos sistemas de denúncia e de resposta do poder público. A morte de Henry impulsiona novas discussões em conselhos tutelares, escolas e unidades de saúde sobre como identificar sinais de agressão e acionar a rede de proteção com mais rapidez.

Pressão sobre jurados, sistema de justiça e políticas públicas

O colapso de Monique mexe com o ritmo do julgamento e obriga a juíza a calibrar, em tempo real, a condução da sessão. Em um processo que já soma mais de 1.000 páginas e dezenas de oitivas, cada interrupção aumenta a tensão em torno do veredicto, que pode resultar em penas superiores a 30 anos de prisão para os réus, caso sejam condenados por homicídio qualificado e outros crimes correlatos.

Jurados leigos, escolhidos por sorteio, precisam equilibrar a força das imagens e da comoção com a obrigação de decidir com base em provas e na lei. Advogados criminalistas ouvidos ao longo do caso destacam que episódios como o de hoje pressionam ainda mais o conselho de sentença, que enfrenta a tarefa de separar, na prática, emoção e responsabilidade penal.

Fora do fórum, a repercussão é imediata. Nas redes sociais, o nome de Monique volta ao topo dos assuntos mais comentados poucas horas após a suspensão temporária da sessão. Grupos que cobram punição exemplar falam em “teatro” e “encenação”, enquanto defensores de garantias legais lembram que qualquer acusado, mesmo em casos de grande comoção, tem direito a um julgamento técnico e sem interferência de linchamentos virtuais.

A morte de Henry, em 2021, já provoca mudanças concretas. Estados reforçam campanhas de denúncia, o Disque 100 registra aumento de relatos de violência contra crianças, e projetos de lei no Congresso propõem regras mais rígidas para a investigação de mortes infantis em contexto doméstico. Especialistas em direitos da criança, porém, alertam que nenhuma mudança normativa substitui a necessidade de investimento contínuo em equipes de assistência social, psicólogos e conselheiros tutelares.

Próximos passos do júri e questão em aberto

Com o retorno de Monique ao plenário ainda incerto, a juíza avalia, junto às partes, se a sessão será retomada no fim da tarde ou adiada. A eventual ausência temporária da ré, por motivo de saúde, pode levar a ajustes no cronograma, mas não deve anular os atos já realizados, segundo especialistas em processo penal consultados ao longo da cobertura.

O julgamento segue sem data exata para terminar, mas a expectativa é de que o conselho de sentença se pronuncie ainda nos próximos dias, após a fase de debates entre acusação e defesa. Enquanto o tribunal decide o destino de Monique e de Jairinho, o caso de Henry continua a expor, diante das câmeras e das ruas, uma pergunta que o País ainda não responde com segurança: quantas crianças em situação de risco serão ouvidas a tempo de escapar de um desfecho parecido.

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