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Trump avalia ordem para ofensiva militar dos EUA contra Cuba

O governo Donald Trump mantém no Caribe, neste fim de maio de 2026, uma força naval, aérea e terrestre em prontidão à espera de autorização presidencial para agir contra Cuba. A estrutura, centrada no porta-aviões USS Nimitz, permite desde ataques pontuais até uma invasão limitada à ilha, segundo fontes ouvidas pela imprensa americana.

Tensão máxima a 145 quilômetros da Flórida

A movimentação militar transforma o entorno de Cuba na maior concentração de meios navais dos Estados Unidos fora do Oriente Médio. Um grupo de ataque em torno do USS Nimitz, destróieres e cruzadores com mísseis guiados percorre a região há meses, enquanto drones e aeronaves de vigilância monitoram o território cubano de forma quase contínua.

A informação ganha força após reportagem publicada em 27 de maio pelo site Politico, em Washington, que descreve um aparato pronto para ser acionado assim que Trump der a ordem. O texto indica que a Casa Branca discute cenários que vão de bombardeios cirúrgicos a operações especiais contra integrantes da cúpula do governo comunista em Havana.

O secretário de Estado, Marco Rubio, filho de imigrantes cubanos, assume na reunião de gabinete desta quarta-feira (27) o papel de maior voz política a favor de uma linha dura. “Ter um Estado falido a 145 quilômetros de nossas costas é uma ameaça à segurança nacional dos Estados Unidos”, afirma, ao defender que a proximidade geográfica transforma Cuba em problema imediato para Washington.

Aposta em pressão máxima sobre Havana

O reforço militar coroa meses de asfixia econômica e diplomática contra o regime cubano. Sanções, restrições a remessas de dólares e corte de canais de negociação apertam a economia da ilha desde o início de 2026, após Washington acusar Havana de aprofundar vínculos com rivais estratégicos da Casa Branca na América Latina e fora dela.

A atual presença no Caribe é ligeiramente menor do que o dispositivo mobilizado em janeiro, na operação que resultou na captura de Nicolás Maduro, então líder venezuelano. Mesmo assim, interlocutores do Departamento de Defesa descrevem um leque amplo de opções para Trump. Ataques a baterias antiaéreas, destruição de centros de comando e ações de elite em Havana entram na lista de possibilidades estudadas pelo Pentágono.

O analista Mark Cancian, ex-funcionário do próprio Pentágono e hoje pesquisador do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais, avalia que o Nimitz opera, por ora, como peça de dissuasão. “É provável que o Nimitz esteja lá principalmente para intimidar, embora possa ser usado em uma operação militar, se necessário”, diz. Segundo ele, “ataques aéreos são possíveis para destruir suas defesas antiaéreas e permitir operações aéreas mais amplas ou, talvez, destruir sua liderança com a intenção de estabelecer uma relação semelhante à que temos com a Venezuela. Raúl Castro seria o primeiro alvo deles”.

O cálculo militar, porém, esbarra em limites concretos. Uma invasão terrestre de grande escala exigiria o envio de dezenas de milhares de soldados adicionais, acima das tropas hoje em alerta. Parte dos navios já excede o período usual de operação contínua no mar, o que aumenta o desgaste das tripulações e pressiona a manutenção, num momento em que a frota também atua em frentes simultâneas no Oriente Médio.

Risco de escalada na América Latina

A montagem do dispositivo contra Cuba acende um sinal de alerta em toda a região. Uma eventual ofensiva americana na ilha, ainda que limitada, tem potencial para redesenhar alinhamentos diplomáticos e reabrir feridas históricas da Guerra Fria, mais de 60 anos depois da crise dos mísseis de 1962. Governos latino-americanos acompanham com preocupação a possibilidade de um novo foco de conflito armado no entorno imediato da região.

Especialistas em segurança hemisférica veem na operação uma mensagem dupla. Para Havana, o recado é de que o ciclo de sanções pode avançar para o uso da força. Para outros países, a movimentação reforça a disposição dos Estados Unidos de intervir militarmente para moldar cenários políticos considerados hostis, como ocorreu recentemente na Venezuela. Em paralelo, organizações de direitos humanos alertam para o risco de mortes civis, fluxos de refugiados e repressão interna ainda maior na ilha caso os bombardeios comecem.

Dentro dos próprios EUA, o debate se divide. Setores ligados à comunidade cubano-americana na Flórida defendem abertamente uma ação que acelere a queda da liderança comunista. Militares da ativa e da reserva, no entanto, ponderam o custo de longo prazo de mais uma frente de conflito, numa estrutura já pressionada por operações contínuas desde o início dos anos 2000.

Decisão nas mãos de Trump

A Casa Branca, questionada pelo jornal americano que revelou a mobilização, encaminha todas as perguntas ao Pentágono. O Departamento de Defesa mantém silêncio sobre o desenho preciso da operação, enquanto a Marinha e o Comando das Forças Navais do Sul evitam qualquer comentário público sobre os destacamentos atuais.

O impasse se concentra agora no timing político. Uma ordem de ataque em pleno ano eleitoral interno pode redesenhar a campanha de Trump, especialmente na Flórida, estado-chave com forte presença de exilados cubanos. Aliados enxergam na ofensiva uma vitrine de força; críticos falam em aposta de alto risco, com potenciais sanções internacionais e condenações em organismos multilaterais.

A decisão final, contudo, continua restrita a um círculo pequeno no governo. Enquanto navios cruzam o Caribe e drones vigiam o céu sobre a ilha, Havana aguarda para saber se o que hoje funciona como demonstração de força permanecerá como gesto de intimidação ou se marcará o início de uma nova intervenção militar americana no coração do Caribe.

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