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Neymar sofre lesão na panturrilha e vira dúvida para estreia do Brasil

Neymar sofre lesão muscular de grau dois na panturrilha direita e vira dúvida para a estreia do Brasil na Copa do Mundo de 2026. O atacante, de 34 anos, começa tratamento intensivo na Granja Comary nesta quinta-feira (28).

Lesão confirmada e corrida contra o relógio

O diagnóstico chega por ressonância magnética feita no complexo da Granja Comary, em Teresópolis, na região serrana do Rio de Janeiro, onde a Seleção se concentra desde quarta-feira (27). O exame aponta uma lesão muscular de grau dois na panturrilha direita, com previsão de recuperação entre duas e três semanas, prazo que empurra o camisa 10 para uma corrida contra o relógio até o dia 13 de junho, data da estreia contra o Marrocos.

O médico da Seleção, Rodrigo Lasmar, confirma a gravidade moderada do problema e adota discurso cauteloso. “A ressonância magnética identificou uma lesão muscular de grau dois. Nossa expectativa é que em um prazo de duas ou três semanas esteja liberado”, afirma. Ele ressalta que o atacante já inicia um protocolo de tratamento intensivo, com sessões diárias e acompanhamento próximo da comissão técnica.

Neymar se apresenta à concentração atendendo a um pedido direto do técnico Carlo Ancelotti, mas sequer vai a campo no primeiro treino com o elenco. O roteiro contrasta com o otimismo recente no Santos, seu clube atual, onde o técnico Cuca havia descrito o problema como uma “lesão leve”, resultado de uma pancada. Na prática, a avaliação da Seleção desmonta a ideia de algo simples e recoloca o atacante no centro de uma preocupação conhecida: a gestão física às vésperas de grandes torneios.

Baixa em amistosos e impacto no planejamento da Seleção

A confirmação da lesão impede Neymar de atuar nos dois últimos testes antes da Copa. Ele está fora do amistoso contra o Panamá, no domingo (31), no Rio de Janeiro, e não viaja para enfrentar o Egito, em 6 de junho, em Cleveland, nos Estados Unidos. O plano inicial de Ancelotti era usar esses jogos para ajustar o sistema ofensivo com o camisa 10 em campo, o que incluía testar formações com Neymar mais recuado na criação ou aberto pela esquerda.

Sem o maior artilheiro da história da Seleção, com 79 gols marcados, o treinador precisa redesenhar o ataque. A tendência é que outras peças ganhem protagonismo imediato nos treinos fechados em Teresópolis, numa disputa silenciosa por espaço no time titular caso a recuperação não acompanhe o calendário do Mundial, que vai de 11 de junho a 19 de julho, em Estados Unidos, México e Canadá.

A convocação de Neymar já havia causado surpresa entre analistas e torcedores. O atacante não joga pela Seleção desde outubro de 2023, quando sofre grave lesão no joelho em partida contra o Uruguai, pelas Eliminatórias da América do Sul. O retorno só se consolida agora, pouco antes da Copa, em um cenário que mistura expectativa técnica e incerteza física.

Nos bastidores da CBF, a presença de Neymar é tratada como ativo esportivo e comercial. A imagem do jogador estampa campanhas de patrocinadores, ativações em redes sociais e ações planejadas para o período do Mundial. A possibilidade de o principal nome do elenco iniciar a Copa no banco ou fora da estreia obriga ajustes em contratos, roteiros de mídia e estratégias de engajamento com a torcida.

Risco na estreia, pressão por respostas e próximos passos

O prazo de duas a três semanas coloca a estreia contra o Marrocos na fronteira entre o otimismo médico e a prudência esportiva. Qualquer contratempo no processo de recuperação, como dor persistente ou resposta lenta ao fortalecimento, pode tirar Neymar não só da primeira partida, mas também do segundo jogo da fase de grupos. O estafe da Seleção evita projeções públicas mais detalhadas, mas admite, nos bastidores, que a ideia de “forçar” o retorno está descartada diante do histórico recente de lesões do jogador.

Rodrigo Lasmar insiste na evolução dia a dia. “Ele está passando por tratamento intensivo e sua evolução será avaliada diariamente”, diz o médico. O protocolo prevê controle rigoroso de carga, fisioterapia em período integral e exames de imagem adicionais se houver qualquer sinal de desconforto. A comissão técnica acompanha de perto cada etapa, ciente de que uma recaída em plena Copa teria impacto esportivo ainda maior.

A lesão também reacende o debate sobre a preparação física de jogadores decisivos às vésperas de grandes competições. Neymar chega à Granja após ter perdido as últimas partidas pelo Santos, em reta final de temporada, e a divergência inicial entre o diagnóstico do clube e o da Seleção alimenta questionamentos sobre comunicação e transparência entre departamentos médicos. Para a CBF, o foco oficial é blindar o ambiente interno e evitar que a situação se transforme em novela diária.

Ancelotti, por enquanto, trabalha com dois cenários paralelos: um Brasil com Neymar, ainda que sem ritmo ideal, e outro com o time ajustado para jogar sem o camisa 10. A forma como a Seleção reage a esse primeiro teste de pressão, antes mesmo do pontapé inicial do Mundial, ajuda a medir a maturidade de um grupo que mistura veteranos e novatos. A resposta começa a ser dada nos treinos fechados desta semana e deve se refletir nas escolhas da comissão técnica para os amistosos.

O futuro imediato de Neymar na Copa depende de detalhes invisíveis ao olho do torcedor: o resultado de cada exame, a dor relatada em cada sessão, a confiança em cada arrancada. A Seleção inicia sua caminhada rumo ao Mundial em um clima de expectativa contida, na esperança de que o tempo, pela primeira vez em muito tempo, jogue a favor do seu principal craque.

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