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Netanyahu ordena ocupação de 70% de Gaza e amplia guerra com Hamas

Benjamin Netanyahu ordena nesta quinta-feira (28) que o Exército de Israel ocupe cerca de 70% da Faixa de Gaza, em nova escalada militar contra o Hamas. A decisão atinge áreas densamente povoadas e pressiona as negociações de cessar-fogo em curso.

Ordem direta e recado político

A orientação do primeiro-ministro chega por meio de ordem direta ao comando militar, segundo fontes envolvidas na operação. Generais descrevem a medida, em conversas reservadas, como a fase mais ampla da ofensiva iniciada meses atrás, desta vez com presença permanente de tropas terrestres em grande parte do território costeiro.

A ocupação de cerca de 70% da faixa, que tem apenas 365 km², redesenha o mapa do conflito. Bairros inteiros passam a ter tanques, blindados e pontos de controle israelenses. Em áreas já marcadas por destruição intensa, a circulação de civis fica ainda mais restrita, com bloqueios sucessivos e revistas constantes.

Netanyahu apresenta a ofensiva como resposta necessária à ameaça do Hamas. Em pronunciamentos recentes, insiste que Israel precisa manter “pressão máxima” para garantir segurança às cidades do sul israelense. Assessores próximos afirmam que o gabinete de guerra vê a presença física em solo como forma de “esvaziar as capacidades de comando” do grupo palestino.

A decisão, no entanto, tem forte componente político. Ao ampliar a ofensiva justamente quando mediadores tentam destravar a segunda fase de um cessar-fogo, o premiê reduz o espaço para concessões. Membros da coalizão de direita que sustenta o governo exigem publicamente que qualquer trégua só ocorra depois da “derrota total” do Hamas.

Conflito se aprofunda e crise humanitária se agrava

A ocupação de grande parte de Gaza ocorre em um momento em que organismos internacionais alertam para o colapso dos serviços básicos. Relatórios recentes falam em hospitais operando com menos de 30% da capacidade, redes de água e energia destruídas e mais de 1 milhão de pessoas deslocadas internamente, amontoadas em escolas e abrigos improvisados.

Diplomatas que acompanham as conversas de cessar-fogo veem a ordem de Netanyahu como sinal de endurecimento. “Essa decisão torna politicamente mais custoso para o governo israelense aceitar uma retirada rápida”, afirma um negociador ocidental. Na avaliação dele, Israel procura criar “fatos consumados em campo” antes de qualquer novo compromisso formal.

A estratégia mira áreas consideradas chaves para o Hamas. Militares israelenses falam em túneis, centros de comando subterrâneos e depósitos de armamentos espalhados em zonas urbanas. O preço, porém, recai principalmente sobre civis que vivem em prédios danificados, cercados por escombros e sem garantia de corredor seguro para fugir.

Organizações de direitos humanos temem aumento nas mortes de civis, que já somam dezenas de milhares desde o início da campanha militar israelense, segundo autoridades de saúde em Gaza. “O risco de uma catástrofe ainda maior cresce a cada dia de operação terrestre intensificada”, alerta um relatório recente de uma ONG internacional que atua na região.

Pressão internacional e incerteza nas negociações

Capitais ocidentais avaliam novas medidas de pressão diplomática. Governos europeus discutem, de forma reservada, condicionar parte do apoio político e militar a Israel a avanços concretos na proteção de civis e na retomada do processo de cessar-fogo. Em Washington, parlamentares de partidos governistas e de oposição ampliam questionamentos sobre o alcance da ofensiva e cobram prazos mais claros.

“Uma ocupação tão extensa de Gaza não oferece, por si só, uma saída política estável”, diz um analista de Oriente Médio ouvido pela reportagem. Ele lembra que incursões anteriores, mesmo quando atingiram objetivos militares imediatos, não resolveram disputas de fundo sobre fronteiras, autodeterminação palestina e segurança de longo prazo para israelenses.

No curto prazo, a nova ordem pode paralisar tentativas de avançar para a segunda fase do cessar-fogo, que incluía discussões sobre troca de prisioneiros e retirada gradual das forças israelenses. Negociadores sob mediação de países árabes e de potências globais trabalhavam com janelas de 30 a 60 dias para consolidar um acordo mais robusto. Com tanques e tropas entrando em novos bairros, esse cronograma se torna incerto.

A população de Gaza enfrenta o avanço da ofensiva com pouca previsibilidade. Famílias que já foram obrigadas a se deslocar duas ou três vezes em menos de um ano agora se veem encurraladas em zonas que, até poucos dias atrás, eram consideradas relativamente menos expostas. A cada novo mapa militar divulgado, a geografia de “áreas seguras” encolhe mais um pouco.

Risco de guerra prolongada e cenário aberto

No campo militar, a ocupação de 70% do território indica que Israel se prepara para uma presença longa, com operações de busca, patrulhamento e controle de acesso que podem durar meses. Especialistas recordam que manter um contingente significativo em área densamente povoada consome recursos, desgasta tropas e aumenta a probabilidade de confrontos diários.

Na frente política, Netanyahu aposta que o endurecimento garante apoio da base mais à direita e enfraquece críticas internas sobre sua capacidade de conduzir a guerra. Parte da oposição, porém, acusa o premiê de subordinar decisões estratégicas à sobrevivência do próprio governo, às vésperas de possíveis comissões de inquérito e de novos protestos.

Diplomatas na região veem dois cenários principais para as próximas semanas. Em um, a pressão internacional e o custo humanitário forçam alguma forma de acomodação, com pausas localizadas nos combates e retomada gradual das conversas de cessar-fogo. No outro, a ocupação se consolida, o Hamas adapta sua atuação à nova realidade e a guerra entra em fase prolongada, marcada por ataques pontuais e instabilidade crônica.

Com a maior parte de Gaza sob controle militar israelense e sem um horizonte político definido, a pergunta que permanece é por quanto tempo a região aguenta essa combinação de devastação, incerteza e ausência de um plano claro para o dia seguinte.

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