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Cinco presos em caverna no Laos são achados vivos após enchente

Cinco dos sete moradores presos há uma semana em uma caverna inundada na província de Xaisomboun, no Laos, são encontrados vivos nesta quarta-feira (27). Eles continuam ilhados em uma saliência subterrânea enquanto equipes internacionais correm contra o tempo para planejar um resgate por um túnel estreito e parcialmente alagado.

Resgate reencontra sobreviventes, mas saída continua bloqueada

Os cinco homens são localizados por mergulhadores especializados em cavernas, após dias de buscas sob chuva intensa e visibilidade quase nula. As imagens gravadas dentro da gruta mostram os moradores exaustos, respondendo a perguntas sobre nomes e estado de saúde. Eles dizem que não estão doentes, mas relatam fraqueza e fome depois de sete dias isolados.

O mergulhador tailandês Kengkad Bongkawong, que integra a operação, confirma a descoberta em uma mensagem publicada às 16h30, horário local. “Cinco pessoas foram encontradas em segurança. As buscas continuam pelas duas restantes”, escreve. O grupo laosiano Rescue Volunteer for People reforça a notícia e afirma que os encontrados estão “vivos e em segurança”.

Dentro da caverna, a alegria pela localização se mistura à consciência de que o trabalho mais difícil ainda não começa. O mergulhador finlandês Mikko Paasi, veterano de operações complexas, descreve o momento nas redes sociais. “A tarefa até agora não foi nada fácil e todos os envolvidos fizeram um trabalho incrível”, escreve. Em seguida, admite que o sentimento dura pouco: “Foi apenas um breve alívio, já que o resgate ainda está pela frente e não será fácil”.

Os moradores entram na caverna na quarta-feira passada, dia 20, em busca de ouro em uma área de exploração informal. A tempestade que atinge a região provoca uma enchente repentina e transforma o acesso em um túnel escuro e parcialmente submerso. A água bloqueia a saída principal e obriga o grupo a recuar para uma parte mais alta do sistema subterrâneo, onde permanece encurralado.

Operação arriscada lembra resgate de time tailandês em 2018

A operação em Xaisomboun reúne mais de 100 pessoas entre mergulhadores, bombeiros, voluntários e autoridades locais, segundo equipes de comando. Pelo menos 15 mergulhadores experientes, incluindo especialistas que atuam no resgate do time juvenil de futebol na Tailândia em 2018, participam da ação. O caso desperta atenção internacional justamente pela semelhança com o drama vivido há oito anos na caverna de Tham Luang.

O desafio principal está concentrado em um túnel de cerca de 340 metros que separa a entrada atual da caverna do ponto onde os cinco sobreviventes são vistos. Trechos desse corredor subterrâneo têm pouco mais de 58 centímetros de largura, o que obriga mergulhadores a retirar parte do equipamento para conseguir avançar. Um dos socorristas relata que precisa tirar o cilindro das costas e empurrá-lo à frente para atravessar certos pontos.

As imagens captadas por uma câmera GoPro mostram o ambiente claustrofóbico. Em determinado momento, os socorristas alcançam o grupo e pedem calma. “Não chorem, não chorem!”, dizem, enquanto tentam avaliar rapidamente o estado físico dos moradores. A agência estatal do Laos informa que eles estão em uma “saliência elevada dentro da caverna, que se beneficia de um fluxo de ar contínuo”, condição que ajuda a manter as vítimas estáveis, apesar da espera prolongada.

Bongkawong explica à CNN que, assim que todas as pessoas forem localizadas, os socorristas farão uma avaliação física detalhada e oferecerão alimentos líquidos e em gel. A ideia é restaurar parte das forças antes de qualquer movimento pelo túnel estreito. Paasi afirma que sua missão imediata, junto de outro mergulhador, é “voltar imediatamente” levando mais suprimentos para o grupo, numa ponte aérea aquática que pode se repetir várias vezes até o resgate final.

Impacto, riscos e lições em uma região vulnerável

A mobilização em Xaisomboun expõe de forma crua a vulnerabilidade de regiões de exploração subterrânea em países do Sudeste Asiático. A combinação de mineração informal, chuva intensa e sistemas de cavernas pouco mapeados cria um cenário de alto risco. A enchente que bloqueia a saída em poucos minutos mostra como eventos repentinos podem transformar uma atividade de subsistência em uma situação de vida ou morte.

Especialistas em resgate lembram que, em 2018, o salvamento dos 12 meninos e do técnico na Tailândia exige 18 dias de trabalho, centenas de profissionais e decisões delicadas. Agora, parte dessa mesma rede de conhecimento é acionada para o Laos, com adaptação às condições locais. Cada metro do túnel de 340 metros precisa ser estudado, medido e testado antes que qualquer morador tente o retorno. A água turva, a lama e a ausência de luz ampliam o risco de desorientação e de pânico durante a travessia.

Para as famílias na província de Xaisomboun, qualquer avanço significa um fio de esperança em meio à incerteza. O anúncio de que cinco homens estão vivos muda o clima na região, mas não encerra a angústia. Faltam duas pessoas a serem encontradas, e o tempo pesa contra os socorristas, que dependem da estabilidade do nível da água e das previsões de chuva para decidir quando e como tentar a retirada.

A operação também pressiona autoridades laosianas a discutir medidas de prevenção para enchentes repentinas em áreas de garimpo e turismo subterrâneo. Sistemas de alerta, monitoramento meteorológico e protocolos de acesso a cavernas voltam ao debate, agora com o peso de um caso que ganha repercussão global. A forma como o Laos responde a esse episódio pode influenciar políticas de segurança em outros países com geografia semelhante.

Corrida contra o tempo e próximos passos do resgate

As próximas horas se concentram em duas frentes: localizar os dois desaparecidos e estabilizar a situação dos cinco já encontrados. Mergulhadores continuam entrando na caverna em turnos, apesar do cansaço acumulado e das condições climáticas desfavoráveis. Cada incursão leva novos cilindros, alimentos e comunicação básica, enquanto as equipes de superfície refinam o plano de saída.

Os comandantes da operação avaliam diferentes cenários. Um deles prevê retirar os moradores um a um, acompanhados por mergulhadores, em um percurso que pode levar horas para cada pessoa. Outro considera a possibilidade de drenar parte da água, caso o volume de chuva diminua, para alargar minimamente a passagem. Nenhuma opção é simples ou isenta de risco.

As autoridades locais evitam fixar prazo para a conclusão do resgate, mas reforçam que a prioridade é manter os moradores vivos e estáveis dentro da caverna até que seja seguro movê-los. A lembrança do resgate tailandês, em 2018, funciona como inspiração e alerta. A operação no Laos ainda está em curso e depende de decisões tomadas a cada mudança de nível da água. A pergunta que permanece é se a combinação de experiência, tecnologia e cooperação internacional será suficiente para transformar o alívio de hoje em uma saída segura para todos.

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