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Israel mata chefe militar do Hamas e destrói 11 km de túneis em Gaza

O Exército de Israel mata, nesta terça-feira (26), Mohammed Odeh, chefe militar do Hamas em Gaza, em um ataque no norte do território. Na mesma operação, forças israelenses afirmam destruir cerca de 11 quilômetros de túneis usados pelo grupo islamista para infiltrações e ataques.

Golpe na cúpula militar do Hamas em meio à guerra prolongada

A morte de Odeh ocorre em Beit Hanoun, no norte da Faixa de Gaza, região descrita por Israel como um dos principais redutos do Hamas. O anúncio é feito primeiro em uma publicação no X, antigo Twitter, em que as Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla em inglês) descrevem o militante como peça central no planejamento de atentados contra civis e militares israelenses.

“Eliminado: Mohammed Odeh, chefe da ala militar do Hamas, em um ataque no norte de Gaza”, escreve o Exército israelense na rede social. Na mesma mensagem, o comando militar afirma que ele é o responsável por coordenar a infiltração de combatentes e a escolha de alvos durante o ataque de 7 de outubro de 2023, quando grupos armados do Hamas cruzam a cerca que separa Gaza de Israel e matam centenas de pessoas em comunidades no entorno.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, também confirma publicamente a morte do dirigente. Segundo o premiê, Odeh chefiava a divisão de inteligência do Hamas na época do ataque transfronteiriço de 7 de outubro e assume, há cerca de uma semana, o comando militar do grupo após a morte de Izz al-Din al-Haddad, em 15 de maio, também em operação israelense. “Ele foi um dos arquitetos do massacre”, diz Netanyahu, em referência ao ataque de 2023.

Até o fim da tarde desta terça, o Hamas não divulga comunicado oficial sobre a morte de Odeh. Fontes próximas ao movimento, citadas por veículos regionais, evitam confirmar a nomeação recente, mas admitem que o dirigente é visto como sucessor natural de Haddad, por comandar a inteligência militar e, segundo essas fontes, possivelmente ocupar a última cadeira ainda ativa no conselho superior da ala armada.

Túneis destruídos e civis atingidos em Gaza

Além de anunciar a morte de Odeh, o Exército israelense detalha uma ofensiva subterrânea na região de Beit Hanoun. De acordo com as IDF, cerca de 11 quilômetros de túneis são desmantelados a leste da chamada Linha Amarela, faixa que, na cartografia militar israelense, marca o limite da zona de manobra terrestre na fronteira norte de Gaza.

Em outra publicação no X, o Exército descreve o trecho como “reduto terrorista central do Hamas”, sustentado por uma rede escavada sob casas, instituições públicas e estradas. “Essa infraestrutura é usada por terroristas para atacar civis israelenses e tropas das IDF”, afirma o comunicado. Imagens divulgadas por Israel exibem passagens estreitas, entroncamentos e poços de acesso destruídos por explosões controladas.

Do lado palestino, autoridades de saúde da Faixa de Gaza relatam impacto imediato sobre moradores. Segundo esses serviços, duas pessoas morrem — entre elas uma mulher — e mais de 20 ficam feridas após um ataque israelense que atinge o andar superior de um prédio residencial no bairro de Rimal, na Cidade de Gaza. O edifício fica em uma área urbana densa, distante de Beit Hanoun, mas ainda dentro do eixo de operações no norte do território.

Os números reforçam um padrão que se repete desde o início da guerra, em outubro de 2023: ofensivas dirigidas a quadros militares do Hamas acabam provocando danos significativos a estruturas civis. Enquanto Israel sustenta que os túneis e centros de comando operam sob casas e prédios públicos, organizações humanitárias alertam para o custo humano de ataques em áreas povoadas, em meio a um colapso de serviços básicos.

A destruição de 11 quilômetros de túneis representa um golpe logístico importante para o Hamas, sobretudo no norte de Gaza, região onde o grupo concentra parte das rotas usadas para deslocar combatentes, esconder armamentos e escapar da vigilância aérea. Esses corredores subterrâneos permitem, historicamente, que o movimento mantenha comando e controle mesmo após bombardeios intensos na superfície.

Escalada regional e incerteza sobre a resposta do Hamas

Horas antes de anunciar a morte de Odeh, Israel confirma a expansão de suas operações terrestres no sul do Líbano, onde enfrenta o Hezbollah, aliado do Hamas e apoiado pelo Irã. A ofensiva em múltiplas frentes reforça a percepção de que o conflito deixa de ser restrito à Faixa de Gaza e assume contornos mais amplos na fronteira norte israelense e em capitais da região, como Beirute.

Na mesma semana, autoridades israelenses atribuem a seus militares um ataque em Beirute que teria matado um dirigente do Hezbollah, parte de uma estratégia que mira simultaneamente as lideranças militares de movimentos aliados. O objetivo declarado é reduzir a capacidade de coordenação entre esses grupos e pressionar por um recuo das frentes simultâneas de combate.

A morte de Odeh, entretanto, abre uma nova fase de incerteza. A liderança do Hamas perde, em menos de duas semanas, dois quadros de alto escalão responsáveis pela inteligência e pela coordenação de operações. A sucessão se torna mais difícil em um contexto de guerra prolongada, pressão militar constante e isolamento político crescente da Faixa de Gaza.

Especialistas em segurança no Oriente Médio ouvidos por veículos internacionais avaliam que o vácuo de comando tende a gerar, no curto prazo, uma resposta simbólica do Hamas, possivelmente por meio de ataques de foguetes ou ações pontuais contra tropas israelenses dentro de Gaza. O grupo busca mostrar que mantém capacidade operacional, ainda que limitada pelo desgaste da estrutura militar e pela destruição de sua rede subterrânea.

Para Israel, o desafio é administrar o equilíbrio entre os ganhos militares e o custo diplomático e humanitário das operações. A pressão de aliados ocidentais aumenta à medida que o conflito se arrasta, com sucessivas denúncias de violações de direitos humanos e de impactos desproporcionais sobre civis palestinos. Os Estados Unidos, principal aliado de Israel, são instados por países árabes e organizações internacionais a conter a escalada.

O episódio desta terça reforça a sensação de um tabuleiro em movimento permanente, no qual avanços táticos podem não se traduzir em desescalada. A morte de mais um chefe militar do Hamas e a destruição de quilômetros de túneis mudam o cálculo de forças no norte de Gaza, mas não respondem, por si só, à pergunta central que paira sobre a região: como transformar vitórias militares em uma saída política duradoura para um conflito que, a cada novo ataque, parece mais distante de um fim negociado?

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