Mulher é resgatada após dois dias à deriva em passeio de jet ski
Uma mulher é resgatada com vida após desaparecer durante um passeio de jet ski com o companheiro, na tarde de domingo (24), em Ponta das Canas, litoral de São Paulo. Ela é encontrada dois dias depois, à deriva entre 5 e 10 milhas náuticas da costa da Ilha de Búzios, após uma operação que mobiliza bombeiros e equipes aéreas.
Resgate em alto-mar após 48 horas de incerteza
O vídeo do momento em que os bombeiros puxam a vítima para dentro da embarcação corre as redes sociais desde a manhã desta terça-feira (26). As imagens mostram a mulher visivelmente exausta, flutuando em alto-mar, enquanto é cercada por agentes do Grupamento de Bombeiros Marítimo (GBMar). A CNN Brasil borra o rosto e parte do corpo dela para preservar seu estado físico e emocional.
O desaparecimento começa por volta das 16h de domingo, 24 de maio de 2026. A mulher e o companheiro deixam uma embarcação onde participam de uma confraternização com amigos, nas proximidades da Praia de Ponta das Canas, em uma moto aquática. O grupo percebe que o casal não retorna ao ponto de origem e aciona a emergência marítima, iniciando uma corrida contra o tempo em uma das áreas mais movimentadas do litoral paulista.
Equipes de busca varrem o mar durante a noite e ao longo de toda a segunda-feira (25). Helicópteros do GBMar sobrevoam a região, enquanto embarcações percorrem a faixa entre a costa e a Ilha de Búzios. Na tarde de segunda, os bombeiros localizam parte da moto aquática, afundada, o que permite delimitar um novo perímetro de buscas. A partir daí, a estratégia se torna mais precisa.
A confirmação de que a mulher está viva vem apenas no segundo dia de buscas. Segundo os bombeiros, ela é encontrada entre 5 e 10 milhas náuticas da costa da Ilha de Búzios, o equivalente a cerca de 9 a 18 quilômetros de distância, à deriva. A posição fica a aproximadamente 18 quilômetros do ponto de partida, em Ponta das Canas, o que indica que as correntes e o vento empurram a vítima para mar aberto ao longo das quase 48 horas em que permanece no mar.
Após o resgate, a vítima é encaminhada ao Hospital Municipal de Ilhabela, onde passa por avaliação médica. As autoridades não divulgam o estado de saúde detalhado, mas confirmam que ela chega consciente ao atendimento. A identidade da mulher e do companheiro não é informada até o momento da publicação desta reportagem.
Risco em passeios de jet ski e operação de busca em curso
O caso expõe, mais uma vez, os riscos de passeios de jet ski sem planejamento detalhado ou comunicação clara da rota. Segundo o Grupamento de Bombeiros Marítimos, o casal deixa a embarcação de amigos sem avisar para onde pretende seguir com a moto aquática. A ausência de um trajeto combinado dificulta os primeiros momentos da operação, quando cada minuto é decisivo para o desfecho.
Um vídeo que circula nas redes sociais mostra o homem conduzindo o jet ski minutos antes do desaparecimento. Ele aparece em velocidade moderada, com a passageira na garupa. O registro, feito ainda próximo da área de confraternização, se torna uma das últimas referências visuais do casal em segurança. A partir daí, os bombeiros passam a trabalhar com relatos de testemunhas, dados de corrente marítima e ventos para traçar a provável deriva da moto aquática.
De acordo com relatos colhidos pelo GBMar, o celular de uma das vítimas é encontrado dentro da moto aquática, já com a bateria em nível baixo. A descoberta reforça a hipótese de que o casal perde o controle do veículo ou é surpreendido por uma situação de risco antes de conseguir pedir ajuda. Parte da estrutura do jet ski acaba localizada na tarde de segunda-feira, reforçando a suspeita de que a moto tenha afundado ou se desintegrado sob impacto das ondas.
Especialistas em segurança náutica ouvidos rotineiramente por autoridades reforçam que o uso de colete salva-vidas homologado, equipamentos de comunicação em bom estado e o planejamento prévio da rota reduzem de forma significativa o risco de tragédias. No litoral paulista, boletins da Marinha e dos bombeiros alertam com frequência para a combinação de mar agitado, mudança rápida de tempo e excesso de confiança em passeios recreativos com motos aquáticas.
A repercussão do resgate nas redes sociais é imediata. Internautas compartilham o vídeo da operação e enviam mensagens de solidariedade à mulher e à família. Usuários também cobram mais fiscalização sobre o aluguel e o uso de jet skis em áreas turísticas, além de reforço em campanhas educativas. O caso reacende discussões sobre a responsabilidade de condutores, marinas e empresas de turismo náutico na prevenção de acidentes.
Buscas continuam e caso entra na mira das autoridades
As equipes dos bombeiros seguem em busca do companheiro da mulher, que continua desaparecido até o fechamento desta reportagem. As ações se concentram em um raio ampliado a partir do local onde a vítima é resgatada e do ponto onde a moto aquática é encontrada parcialmente submersa. Em operações desse tipo, as primeiras 72 horas são consideradas cruciais para a localização de sobreviventes.
A Marinha deve abrir um inquérito para apurar as circunstâncias do desaparecimento, o estado da moto aquática, as condições de navegação na tarde de domingo e eventuais responsabilidades. Investigações desse tipo costumam analisar se o veículo tinha registro regular, se havia manutenção em dia, quais eram os equipamentos de segurança a bordo e se o condutor estava habilitado para a condução de moto aquática.
O histórico recente do litoral brasileiro mostra que acidentes envolvendo jet skis e embarcações de turismo se tornam pauta constante. Em diferentes pontos da costa, casos de colisão, desaparecimento de banhistas e condutores inexperientes alimentam discussões sobre regras mais rígidas e maior presença de fiscalização em áreas de lazer aquático. O episódio em Ponta das Canas se soma a esse cenário e amplia a pressão por respostas.
Enquanto a mulher se recupera em Ilhabela, famílias e amigos aguardam novas informações sobre o paradeiro do companheiro. A continuidade das buscas, a análise das condições do mar e os depoimentos de quem participa da confraternização devem ajudar a entender como um passeio de fim de tarde, em um domingo de maio, se transforma em uma operação de resgate que mobiliza helicópteros, lanchas e centenas de milhares de espectadores diante das telas. A principal pergunta agora é se o mar ainda guarda alguma chance de devolver o homem desaparecido com vida.
