Israel amplia ofensiva contra Hezbollah no sul do Líbano com aval dos EUA
Israel anuncia que vai intensificar ataques aéreos e terrestres contra a infraestrutura do Hezbollah no sul do Líbano após uma nova leva de drones e foguetes lançados pelo grupo. A escalada ocorre nesta segunda-feira (25), em meio a negociações delicadas de paz e a um cessar-fogo frágil, e conta com apoio explícito de Washington.
Escalada em meio a cessar-fogo instável
Os novos bombardeios atingem alvos no sul do Líbano e se estendem para o Vale do Becaa e outras áreas do país, segundo o Exército israelense. As operações miram infraestrutura usada pelo Hezbollah para lançar drones explosivos e foguetes contra o território israelense.
Desde 17 de abril de 2026, o fronte norte de Israel vive uma escalada constante. De acordo com uma autoridade americana, o Hezbollah dispara mais de mil drones e mais de 700 foguetes nesse período, numa tentativa declarada de inviabilizar as negociações entre Líbano e Israel. “A situação atual é insustentável”, afirma o representante, sob condição de anonimato.
Os ataques desta segunda ocorrem apesar de um cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos, que tenta conter a guerra regional. A Agência Nacional de Notícias do Líbano (NNA) informa que, apenas nesta manhã, os bombardeios israelenses no sul do país matam pelo menos três pessoas. Não há confirmação oficial sobre se as vítimas são civis ou combatentes.
No lado israelense da fronteira, as Forças Armadas relatam uma série de drones explosivos lançados pelo Hezbollah durante a madrugada. Os artefatos atingem diferentes pontos próximos às posições militares e comunidades do norte do país. Um dos drones cai no sul do Líbano, em área hoje controlada por tropas israelenses. Até o início da noite, não há registro de feridos.
No domingo (24), o chefe do Exército israelense, Eyal Zamir, afirma ter aprovado novos planos para a “continuação dos combates no norte”. A declaração sinaliza que a campanha contra o Hezbollah não é episódica, mas parte de uma estratégia mais ampla de pressão militar, em paralelo às conversas diplomáticas.
Pressão militar com apoio dos EUA e risco regional
Uma autoridade dos Estados Unidos deixa claro que Washington apoia a continuidade das operações israelenses. “Israel jamais deverá ser obrigado a absorver passivamente ataques contra suas forças e civis”, declara nesta segunda-feira. Segundo ele, “o Hezbollah é totalmente responsável pela situação atual”.
O mesmo funcionário afirma que o grupo libanês rompe o cessar-fogo em 2 de março e tenta, desde então, sabotar qualquer saída negociada. “O grupo rompeu o cessar-fogo em 2 de março e agora tenta impedir que o povo libanês tenha um caminho para a paz e a reconstrução”, diz. O posicionamento alinha a Casa Branca a Tel Aviv num momento em que o Irã, principal patrocinador do Hezbollah, cobra o fim da guerra no Líbano.
As declarações americanas ocorrem enquanto negociadores tentam encerrar a guerra no Irã e costurar um arranjo mais amplo de segurança para a região. Teerã exige o fim dos bombardeios no Líbano e critica o que chama de excesso de força israelense, mas enfrenta pressão interna e externa para conter seus aliados armados.
Os confrontos ao longo da fronteira entre Israel e Líbano deixam um rastro de destruição desde meados de abril. Vilarejos do sul libanês sofrem com danos a casas, estradas e redes de energia. Infraestruturas militares e depósitos de armas do Hezbollah se tornam alvos constantes, segundo o Exército israelense, que busca degradar a capacidade de ataque do grupo.
Do lado israelense, cidades do norte convivem com sirenes quase diárias, abrigos lotados e deslocamento de famílias. A população civil dos dois países paga o preço direto da disputa, enquanto líderes políticos tentam manter espaço de manobra nas mesas de negociação.
Negociações sob fogo e próximos passos
A continuidade dos ataques ameaça o frágil equilíbrio construído desde o início das conversas de paz. Diplomaticamente, a pressão recai sobre os mediadores americanos, que buscam garantir a Israel segurança na fronteira norte e, ao mesmo tempo, oferecer ao Líbano condições mínimas para reconstrução e estabilidade política.
Se a ofensiva israelense se intensificar e o Hezbollah mantiver o volume de disparos, cresce o risco de alargamento do conflito para além da fronteira. Países alinhados a Teerã podem ver na escalada uma oportunidade para aumentar sua influência, enquanto aliados ocidentais de Israel tentam conter novos focos de guerra.
Nos próximos dias, diplomatas avaliam que qualquer gesto de trégua, ainda que limitado geograficamente ou por poucas horas, pode servir como teste para um cessar-fogo mais duradouro. Israel, porém, sinaliza que só reduz a pressão quando considerar neutralizada a capacidade de ataque imediato do Hezbollah.
Para o Líbano, a conta da guerra se acumula em infraestrutura destruída, economia paralisada e desconfiança em relação às promessas de reconstrução. Para Israel, a fronteira norte segue como um ponto vulnerável, com impacto direto na política interna e na sensação de segurança da população.
Entre ataques e negociações, a questão central permanece aberta: até que ponto os atores envolvidos aceitam recuar militarmente em troca de garantias políticas e de segurança que ainda não estão claramente definidas na mesa de negociação.
