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Filho de brasileiro, Samuele Inácio é convocado pela seleção da Itália

O atacante Samuele Inácio, de 18 anos, é convocado pela primeira vez para a seleção principal da Itália para amistosos em 3 e 7 de junho de 2026. Promessa do Borussia Dortmund e filho do ex-jogador brasileiro Inácio Piá, ele escolhe defender, ao menos por agora, o país onde nasceu.

Renovação em meio a nova ausência em Mundial

A convocação de Samuele chega em um momento sensível para o futebol italiano. Pela terceira vez consecutiva, a Itália está fora de uma Copa do Mundo e tenta reconstruir a seleção com um elenco jovem, sem grandes estrelas além do goleiro Gianluigi Donnarumma. Os amistosos contra Luxemburgo, em 3 de junho, e Grécia, em 7 de junho, ambos em solo italiano, viram espécie de laboratório para um novo ciclo.

Entre apostas ainda pouco conhecidas do grande público, o nome de Samuele se destaca. O atacante emerge como um dos símbolos dessa guinada geracional promovida pelo técnico interino Silvio Baldini, que praticamente abre mão da velha guarda da Azzurra. Na lista, Donnarumma é o único remanescente de campanhas recentes que terminaram em frustração nas eliminatórias.

Samuele chega à equipe principal embalado por uma sequência que chama atenção. No Borussia Dortmund, rompe a barreira da base e passa a integrar o elenco profissional ainda antes da maioridade, em um clube que historicamente aposta em jovens, como fez com Erling Haaland e Jude Bellingham. Pela seleção italiana sub-17, assume o número 10 no Mundial da categoria e conduz o time ao terceiro lugar, superando o Brasil na decisão.

O desempenho no torneio sub-17, com participação direta em gols decisivos e protagonismo em momentos de pressão, acelera o interesse das duas federações. Brasil e Itália passam a monitorar cada passo do atacante. Em conversas internas, dirigentes da CBF admitem que veem em Samuele um projeto de camisa 9 ou ponta móvel para médio prazo. Do lado italiano, Baldini enxerga uma peça capaz de oferecer mobilidade, velocidade e presença de área em um ataque em reconstrução.

Escolha de país e disputa entre Brasil e Itália

Samuele é filho de Inácio Piá, ex-atacante brasileiro que constrói toda a carreira profissional na Itália. Cresce no país europeu, mas é elegível também para o Brasil por sua origem familiar. Essa dupla nacionalidade alimenta, por anos, a dúvida sobre qual camisa o garoto vestiria no nível mais alto. A convocação para os amistosos de junho não encerra, do ponto de vista regulatório, a questão. Como não se trata de competição oficial, as regras da Fifa ainda permitem uma futura mudança de federação.

O movimento, porém, soa como uma tomada de posição. Pessoas próximas ao jogador relatam que ele já indica preferência clara pela Itália e vê na convocação a chance de se firmar no projeto de renovação da Azzurra. A presença de Samuele na lista não é um gesto isolado. Baldini chama uma seleção com média de idade muito abaixo da habitual e inclui nomes como os atacantes Francesco Camarda e Matías Soulé Esposito, além do ítalo-nigeriano Samuel Ekhator e de jovens meias como Cesare Casadei Ndour e Pisilli.

O pacote deixa um recado também ao futebol brasileiro. Em um cenário de globalização e formação cada vez mais internacionalizada, a disputa por talentos de dupla nacionalidade se intensifica. O caso de Samuele lembra situações recentes em que a seleção brasileira perdeu atletas nascidos ou formados na Europa para rivais históricos. Federados com outras camisas, esses jogadores ganham visibilidade em grandes centros sem passar pela estrutura de base da CBF.

No mercado europeu, a notícia reforça o peso do Borussia Dortmund como vitrine. A convocação agrega valor a um atleta que já é visto como ativo importante dentro do clube alemão. Em negociações futuras, cada minuto em campo pela seleção italiana principal tende a contar. A simples presença na primeira lista de Baldini coloca Samuele em outro patamar de exposição, com impacto direto em eventual renovação de contrato ou interesse de outros gigantes do continente.

Impacto imediato e próximos passos

Os amistosos de 3 e 7 de junho ganham contornos maiores do que o placar pode sugerir. Para a Itália, representam o início prático de um ciclo que mira o próximo ciclo de Eurocopa e, mais à frente, a tentativa de voltar a um Mundial após 2026. Para Samuele, são a porta de entrada em um ambiente de pressão alta e cobrança permanente. Cada atuação, mesmo em jogos sem peso classificatório, pode consolidar ou retardar sua permanência na equipe principal.

Do lado brasileiro, a convocação funciona como alerta. A CBF observa com atenção o desenrolar da história, ciente de que a janela para uma eventual mudança de federação não será eterna. Se decidir assumir publicamente a escolha pela Itália, Samuele afasta, na prática, a possibilidade de vestir amarelo em torneios oficiais. A seleção de Tite, ou de quem estiver no comando em 2026, perde um nome promissor em uma posição em que a concorrência ainda é grande, mas vive fase de transição após a geração de Neymar.

O desfecho da aposta italiana sobre o filho de Inácio Piá ainda é imprevisível. As próximas atuações em Dortmund e na seleção dirão se se trata apenas de uma aposta pontual ou do início de uma carreira internacional de longa duração com a camisa azul. Entre a expectativa de um país em reconstrução e o olhar atento de outro que não quer perder mais um talento, Samuele entra em campo em junho carregando um peso raro para alguém de 18 anos: a sensação de que sua escolha individual ajuda a redesenhar fronteiras no futebol de seleções.

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