Fluminense perde do Mirassol em casa e segue longe da liderança
O Fluminense perde para o Mirassol por 1 a 0, em casa, neste sábado (23), pelo Campeonato Brasileiro, e desperdiça chance de encostar em Palmeiras e Flamengo. O resultado mantém o time de Fernando Diniz com 30 pontos, na terceira posição, ainda distante da dupla que dita o ritmo na parte alta da tabela.
Primeiro tempo apático cobra preço alto
O jogo no estádio do Fluminense começa com o roteiro invertido em relação ao que se espera de um candidato ao título diante de um rival ameaçado de rebaixamento. O Mirassol assume o controle das ações desde os minutos iniciais, pressiona a saída de bola tricolor e encontra espaços demais entre as linhas cariocas.
Aos poucos, o domínio se transforma em chances claras. Logo no início, Alesson é lançado na direita, briga pela bola no fundo e acha Denílson na entrada da área. O volante domina e finaliza colocado no canto direito de Fábio, com perigo, rente à trave.
Aos 18 minutos, o Mirassol volta a testar o goleiro tricolor. Reinaldo cruza da esquerda, Alesson se antecipa à zaga e cabeceia forte. A bola vai no peito de Fábio, que espalma no reflexo e segura na sequência, evitando o gol em cima da linha.
O Fluminense, travado no meio-campo, erra passes simples e demora a encaixar a movimentação ofensiva. Ganso recebe pouco, Soteldo se isola pelas pontas e John Kennedy quase não toca na bola dentro da área. A torcida, que chega animada com a possibilidade de reduzir a distância para a liderança, começa a se impacientar.
O castigo vem aos 35 minutos. Carlos Eduardo recebe aberto pela direita, encara Renê, aplica um drible seco e vai à linha de fundo. O cruzamento sai na medida para a confusão na área. Samuel Xavier falha no corte pelo alto, Jemmes não consegue completar, e a bola sobra viva na meia-lua. Denílson emenda de primeira, firme, no canto direito de Fábio, que salta, toca nela, mas não evita o 1 a 0.
O gol, que poderia servir de alerta, não desperta o Fluminense. O time segue desencontrado, sem intensidade na marcação e previsível no ataque. Nos acréscimos, uma rara chegada gera polêmica. Soteldo vai ao fundo pela esquerda e cruza para John Kennedy. O atacante cabeceia, a bola desvia no pé de Samuel Xavier, marcado por Reinaldo, e sobra de novo na área. No choque seguinte, o árbitro vê um puxão do lateral do Mirassol sobre o companheiro de time e marca pênalti.
A comemoração dura pouco. O VAR entra em ação, revisa o lance e anula a marcação, entendendo que o contato não é suficiente para a penalidade. O estádio explode em vaias, e o intervalo chega com o Mirassol em vantagem e o Fluminense envolto em dúvidas.
Mirassol controla o placar, Flu erra e aumenta pressão
O retorno do intervalo sugere um cenário de pressão tricolor, mas o que se vê em campo é outra coisa. O Mirassol mantém a organização defensiva, adianta a marcação em momentos estratégicos e volta a ameaçar em erros do adversário. A torcida, que espera o abafa, assiste a um time lento e sem conexão entre os setores.
Aos 7 minutos, Bernal escorrega na saída de bola, entrega nos pés de Denílson e quase complica ainda mais a noite. O volante avança sem ser incomodado e solta uma bomba da meia-lua. Fábio voa no canto direito e espalma, evitando o segundo gol com uma defesa plástica que segura o time no jogo.
O Fluminense adianta as linhas, mas produz pouco. As tentativas de triangulação por dentro esbarram na boa recomposição do Mirassol, e os cruzamentos da lateral encontram a zaga bem posicionada. Faltam infiltração, velocidade e surpresa. Sinais de irritação surgem nas arquibancadas a cada passe para trás ou inversão sem objetividade.
Com o passar do relógio, o Mirassol entende que o desespero está do outro lado. O time passa a valorizar a posse, cadencia o jogo quando necessário e explora o contra-ataque em transições rápidas. Aos 34, Reinaldo cobra falta rasteira, forte, e obriga Fábio a mais uma boa defesa, espalmando para escanteio.
A reta final se transforma em um ataque contra defesa mais pela urgência do Fluminense do que pela qualidade das investidas. O time empilha escanteios, tenta finalizações de média distância e lança bolas na área, mas não consegue tirar Walter da zona de conforto. O goleiro do Mirassol fecha a noite sem grandes sustos.
O apito final sela uma derrota que pesa mais pelo contexto do que pelo placar. Com 30 pontos, o Fluminense permanece em terceiro e vê Palmeiras e Flamengo abrirem margem na disputa pelo topo. O Mirassol, com 16 pontos, ganha fôlego na parte de baixo e se aproxima de deixar a zona de rebaixamento, transformando três pontos improváveis em combustível para a sequência da temporada.
Derrota liga alerta antes de decisão continental
A noite ruim em casa estoura no vestiário e na agenda do clube. O resultado aumenta a pressão sobre o elenco às vésperas de compromissos decisivos nos torneios continentais. O Mirassol, já classificado na Sul-Americana, vira a chave para a próxima terça-feira (26), às 19h, quando enfrenta o Lanús em busca de assegurar a primeira colocação do grupo, posição que garante vantagem importante no mata-mata.
O Fluminense encara cenário oposto. Ainda luta pela sobrevivência na Libertadores e chega pressionado para a quarta-feira (27), às 21h30, no Maracanã, contra o Deportivo La Guaira, da Venezuela. A missão é clara: vencer, ultrapassar o Bolívar na segunda colocação e carimbar a vaga nas oitavas de final. O tropeço diante do Mirassol, porém, deixa uma pergunta no ar para o torcedor tricolor: o time consegue reagir sob pressão antes que a disputa pelo título nacional e pela classificação continental escapem ao mesmo tempo?
