Ultimas

Tiroteio perto da Casa Branca deixa suspeito morto e aumenta alerta

Um tiroteio a poucos metros da Casa Branca deixa um suspeito morto e um transeunte ferido em estado grave na noite deste sábado (23/5), em Washington. Agentes do Serviço Secreto reagem após um homem sacar uma arma e abrir fogo na região da rua 17 com a Pennsylvania Avenue, onde a segurança do presidente Donald Trump está reforçada.

Tiros ao lado do centro do poder americano

O relógio marca pouco depois das 18h, horário local, quando a rotina de um fim de tarde em Washington é rompida por uma sequência de disparos. No cruzamento da rua 17 com a Pennsylvania Avenue, um homem de 21 anos tira uma arma de dentro de uma bolsa e aponta na direção de agentes do Serviço Secreto, que fazem a guarda do entorno da Casa Branca.

Em segundos, a troca de tiros se espalha pela área em frente ao complexo presidencial. Entre 15 e 30 disparos ecoam, segundo fontes de segurança ouvidas pela emissora CBS News. Turistas, jornalistas e funcionários correm para se proteger. Dentro da sede do governo, repórteres são conduzidos às pressas para a sala de imprensa, enquanto agentes ordenam que todos se afastem das janelas.

O suspeito é identificado pela CBS como Nasire Best, morador de Washington há cerca de 18 meses. Ele já é conhecido tanto pelo Serviço Secreto quanto pela polícia metropolitana. Registros apontam histórico documentado de problemas de saúde mental, episódios de comportamento violento e uma tentativa de acesso indevido à Casa Branca em julho de 2025, quando acaba preso nas proximidades e passa depois por uma instituição psiquiátrica.

Desta vez, Best vai além das tentativas de aproximação. Ao sacar o revólver e disparar em direção aos agentes, força uma resposta imediata da equipe encarregada de proteger o presidente e o complexo. Os agentes revidam e atingem o atirador, que é levado a um hospital da região. As autoridades confirmam a morte pouco depois. Um possível transeunte também é baleado e internado em estado grave.

Jornalistas presentes relatam pânico e confusão. Selina Wang, repórter da ABC News, se abaixa no meio de uma gravação para redes sociais quando ouve as rajadas. “Pareciam dezenas de tiros”, conta. “Mandaram que corrêssemos até a sala de coletiva de imprensa, onde estamos agora.” Aaron Navarro, da CBS, diz que está no gramado norte da Casa Branca quando escuta os disparos. “Assim que ouvimos os tiros, nos abaixamos e começamos a ver outros jornalistas correndo. Logo depois, ouvimos agentes do Serviço Secreto gritando ‘entrem, entrem’.”

Lockdown, medo e pressão por mais segurança

O impacto imediato é um lockdown na Casa Branca. Portões se fecham, acessos são bloqueados e o entorno é tomado por carros de polícia e equipes de emergência. O bloqueio dura cerca de uma hora e é suspenso por volta das 19h, quando o Serviço Secreto afirma que não há mais ameaça em curso. Agentes que participam da ação são examinados no local, mas não precisam de atendimento hospitalar.

Trump está no prédio durante o ataque, segundo o Serviço Secreto, mas o órgão garante que “nenhum protegido ou operação é impactado”. Ao cair da noite, o presidente usa sua rede Truth Social para agradecer à “ação rápida e profissional” dos agentes e de outras forças de segurança. Ele descreve o atirador como alguém com “histórico violento” e possível “obsessão” pela Casa Branca e volta a defender o reforço da proteção física do complexo.

Em sua mensagem, Trump cita o projeto de construção de um novo salão de eventos no terreno presidencial e afirma que a Casa Branca precisa se tornar “o espaço mais seguro e protegido de seu tipo já construído em Washington”. O episódio alimenta o debate, já intenso na capital americana, sobre como blindar áreas de alta vulnerabilidade em um momento de crescente polarização política e aumento de incidentes com armas de fogo.

O diretor do FBI, Kash Patel, confirma que o órgão assume a investigação. Agentes federais buscam reconstruir passo a passo a movimentação de Nasire Best antes dos disparos e entender se ele age sozinho. Uma fonte ouvida pela CBS diz que o suspeito usa um revólver. As motivações ainda não estão claras, mas o histórico psiquiátrico do jovem e as tentativas anteriores de aproximação da Casa Branca colocam em evidência a dificuldade de monitorar indivíduos com transtornos mentais que transitam perto de áreas sensíveis.

O tiroteio ocorre apenas um mês depois de outro ataque nos arredores do poder em Washington. Em 27 de abril, um homem identificado como Cole Tomas Allen, de 31 anos, abre fogo próximo ao jantar anual da Associação de Correspondentes da Casa Branca. Trump precisa deixar o evento, que reúne centenas de jornalistas e figuras públicas, enquanto agentes dominam o atirador perto de uma escadaria que leva ao salão de baile. Na ocasião, um agente federal é atingido, mas sobrevive graças ao colete à prova de balas.

Escalada de episódios e dúvidas sobre resposta do sistema

Dois ataques armados em pouco mais de 30 dias, ambos próximos ao presidente e a eventos de alta visibilidade, intensificam a sensação de fragilidade. A segurança em torno da Casa Branca já é uma das mais rigorosas do mundo, com múltiplos anéis de proteção, monitoramento eletrônico e equipes armadas. Ainda assim, episódios recentes expõem brechas em áreas abertas ao público e em zonas de trânsito intenso, como o entorno da Pennsylvania Avenue.

Para o Serviço Secreto e o FBI, o caso Nasire Best se torna um teste sobre a integração entre segurança presidencial, policiamento local e rede de saúde mental. O suspeito tem histórico conhecido, passa por uma instituição psiquiátrica e mesmo assim circula novamente nas proximidades do principal endereço político do país. A investigação precisa detalhar se houve falhas de comunicação entre autoridades e serviços de saúde, e em que medida alertas prévios poderiam ter evitado a tragédia.

O debate atinge também o Congresso e grupos de direitos civis, que costumam se dividir entre a defesa de protocolos mais rígidos e o temor de estigmatização de pessoas com transtornos mentais. Especialistas lembram que a imensa maioria desses pacientes não é violenta, mas reconhecem que casos como o de Best pressionam por mecanismos de alerta precoce e por critérios mais claros para restringir o acesso a armas de fogo.

A rotina de quem vive e trabalha em Washington sente o abalo de forma imediata. A região da Casa Branca volta a ser palco de sirenes, barreiras improvisadas e rotas desviadas. Equipes de TV permanecem de prontidão, enquanto curiosos se acumulam atrás de faixas de isolamento. A cena remete a outras crises recentes, de atentados a ameaças de bomba, que transformam o coração político dos Estados Unidos em uma zona de vigilância permanente.

Os próximos dias devem trazer respostas parciais, com laudos balísticos, análise de imagens de segurança e depoimentos de familiares e conhecidos de Nasire Best. O FBI tenta estabelecer uma linha clara entre doença mental, eventual radicalização e eventual fixação pela figura do presidente ou pela Casa Branca. Permanecem em aberto duas perguntas centrais: até que ponto o sistema consegue identificar um risco antes que o gatilho seja puxado e qual nível de restrição a sociedade americana está disposta a aceitar para evitar que cenas como a deste sábado voltem a se repetir.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *