Advogado deixa defesa de Daniel Vorcaro após recusa de delação pela PF
O principal advogado de Daniel Vorcaro deixa a defesa do banqueiro após a Polícia Federal rejeitar a primeira proposta de delação premiada. A ruptura, registrada nesta sexta-feira, 22 de maio de 2026, expõe uma crise na estratégia jurídica do dono do Banco Master.
Crise na estratégia e desgaste nas negociações
A decisão do criminalista, confirmada por pessoas que acompanham o caso, encerra semanas de impasse entre a defesa de Vorcaro e a cúpula da Polícia Federal. Investigadores classificam, nos bastidores, a proposta inicial de delação como “genérica” e “pouco útil” para avançar nas apurações sobre o Banco Master e eventuais esquemas financeiros ligados ao banqueiro.
Vorcaro tenta, há pelo menos dois meses, construir um acordo de colaboração que reduza riscos de condenação e preserve parte de seu patrimônio. A rejeição formal da primeira minuta, apresentada à PF em meados de maio, derruba a principal aposta da defesa. Sem perspectiva clara de reabertura imediata das conversas, o advogado opta por se afastar do caso, esvaziando a linha de frente jurídica do banqueiro.
Impacto sobre o Banco Master e o sistema financeiro
A saída do defensor não atinge só a biografia de Vorcaro. A instabilidade em torno do dono do Banco Master pressiona o ambiente interno da instituição, que administra carteiras bilionárias de crédito e investimentos. Analistas ouvidos reservadamente afirmam que a combinação de investigações federais, recusa de delação e mudança de defesa “acende alerta” no mercado, sobretudo entre grandes clientes corporativos e fundos que operam com o banco.
Órgãos de controle financeiro acompanham o caso com atenção redobrada. Técnicos avaliam possíveis impactos sobre liquidez, governança e apetite de risco do Banco Master, em um momento em que o setor bancário já lida com aumento de inadimplência e ambiente macroeconômico instável. Qualquer sinal de fragilidade regulatória ou de exposição a práticas irregulares tende a ser punido rapidamente por investidores, que reagem a rumores e relatórios com movimentos de retração de crédito ou revisão de limites.
Repercussão jurídica e próximos passos da investigação
O rompimento com o advogado deve atrasar a linha do tempo do processo. Um novo defensor precisará se inteirar das peças, revisar estratégias e decidir se tenta retomar as tratativas de colaboração ou se parte para confronto direto, com questionamentos formais aos autos e possível contestação de provas. Procuradores e delegados ouvidos sob reserva avaliam que a recusa da primeira proposta não fecha a porta para novos entendimentos, mas eleva o preço de qualquer acordo futuro.
Sem uma delação aceita, Vorcaro enfrenta maior risco de responder a eventuais denúncias em condições mais duras, com penas que podem somar décadas de prisão, dependendo da configuração final dos crimes atribuídos. A mudança na defesa também tende a aumentar o interesse do Congresso e de comissões de fiscalização, que enxergam no caso uma oportunidade para discutir falhas de supervisão no sistema bancário. As próximas semanas devem ser decisivas: ou o banqueiro apresenta uma nova proposta de colaboração, mais robusta e alinhada às exigências da PF, ou o caso entra em uma fase de embate judicial prolongado, com desdobramentos que podem redesenhar seu futuro empresarial e testar a resiliência do Banco Master.
