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Palmeiras perde do Cerro no Allianz e se complica na Libertadores

O Palmeiras perde do Cerro Porteño por 1 a 0 nesta quarta-feira (20), no Allianz Parque, e vê a liderança do Grupo F da Libertadores escapar. O gol do ex-vascaíno Pablo Vegetti deixa o time de Abel Ferreira pressionado para decidir a vaga contra o Junior Barranquilla na última rodada.

Cerro é cirúrgico, Palmeiras erra demais

O roteiro da noite em São Paulo não combina com o que a torcida palmeirense espera de um time acostumado a dominar a fase de grupos. A equipe chega aos 8 pontos em cinco jogos, sofre o primeiro revés em casa no torneio e permite que o Cerro, agora com 9, assuma a ponta do Grupo F justamente na reta final.

O placar nasce de um detalhe que o Palmeiras não controla. O time volta do intervalo ainda tentando se reencontrar em campo quando o Cerro encaixa o contra-ataque perfeito. Com menos de dois minutos do segundo tempo, Fabricio Domínguez dispara pela direita, recebe em velocidade e cruza rasteiro. Vegetti surge na área, se antecipa à zaga e toca de primeira, firme, no canto de Carlos Miguel.

O Allianz Parque, cheio em uma noite de quarta-feira às 21h30, demora a entender o que acontece. O Palmeiras, que passa todo o primeiro tempo com a bola, mas sem organização, volta a campo e toma o golpe no momento em que ainda ajusta a marcação. O Cerro, acuado até então, passa a ter o cenário ideal: vantagem no placar, linha baixa e pouco espaço para o time brasileiro trabalhar.

A primeira etapa já expõe o problema. O Palmeiras roda a bola, empurra o adversário para trás, mas se perde em erros de passe no último terço. Cruzamentos saem longos, tabelas se quebram na intermediária, finalizações vão fracas ou tortas. O goleiro Martín Arias vive um primeiro tempo relativamente tranquilo, protegido por um sistema defensivo compacto, bem posicionado para afastar as bolas alçadas na área.

O Cerro, dirigido por Ariel Holan, aceita ser dominado na posse, aposta em ligações diretas e em uma ou outra arrancada de Cecilio Domínguez. A estratégia não rende chances no início, mas mantém o time paraguaio vivo à espera de uma transição clara. A oportunidade aparece logo na volta do intervalo, e Vegetti transforma o plano cauteloso em vantagem real.

Defesa paraguaia brilha, ataque palmeirense falha

O gol cedo no segundo tempo muda a dinâmica emocional da partida. Abel Ferreira reage rápido, usa todas as cinco substituições e tenta aumentar o volume ofensivo. Entram Paulinho, Lucas Evangelista, Maurício e Luighi para cercar a área paraguaia, enquanto o Cerro se fecha ainda mais, protegido por Velázquez e Matías Pérez no miolo de zaga.

O Palmeiras passa a rondar a área com mais intensidade, mas esbarra na noite pouco inspirada de seus atacantes. Flaco López se movimenta, mas erra passes simples, se atrapalha em tabelas e se isola na referência. Quando enfim recebe a chance clara que o time procura durante todo o jogo, já nos minutos finais, cabeceia sozinho e vê a bola explodir no travessão de Sergio Rochet antes de sair pela linha de fundo.

A cena resume a atuação alviverde: volume, pressão, mas pouca eficiência. Andreas Pereira, que leva cartão amarelo, tenta acelerar a construção, alterna bons passes com escolhas precipitadas. Jhon Arias busca jogadas pela direita, corta para dentro, arrisca cruzamentos, mas quase sempre encontra a área congestionada. As melhores chegadas vêm em bolas levantadas e sobras na meia-lua, facilmente controladas pela defesa paraguaia.

O Cerro aceita a pressão final. Piris da Motta e Morel protegem a entrada da área, travam a circulação por dentro e forçam o Palmeiras a jogar pelos lados. A cada corte, a cada bola afastada, o relógio corre contra o mandante. Quando o árbitro argentino Yael Falcon Perez apita o fim, o time brasileiro sai de campo sob vaias e preocupação, enquanto os paraguaios comemoram a vitória que os leva à liderança.

O resultado mexe diretamente com o desenho do Grupo F. O Cerro chega a 9 pontos, deixa o Palmeiras com 8 e ainda observa de perto o duelo entre Sporting Cristal e Junior Barranquilla, que completa a quinta rodada. A combinação de resultados pode embaralhar a disputa, mas, mesmo assim, o time de Abel ainda mantém o controle do próprio destino.

Grupo indefinido e decisão sob pressão

A tabela deixa claro o tamanho da responsabilidade que espera o Palmeiras na rodada final. A equipe volta a campo sabendo que uma vitória sobre o Junior Barranquilla é suficiente para garantir a vaga nas oitavas, independentemente do que acontecer no jogo entre Cerro e Sporting Cristal em Assunção. Qualquer tropeço, porém, abre espaço para um cenário de risco inédito nas últimas campanhas sob o comando de Abel Ferreira.

O histórico recente aumenta a cobrança. O Palmeiras se acostuma a liderar grupos de Libertadores com sobras, a decidir vagas com antecedência e a usar as rodadas finais para administrar elenco. Em 2026, o roteiro é diferente. A derrota em casa obriga o time a tratar o duelo com o Junior como uma espécie de final antecipada, com impacto direto também na hierarquia do elenco, já que atuações como a de Flaco López tendem a ser discutidas internamente.

O jogo desta quarta-feira expõe pontos que a comissão técnica precisa ajustar em pouco tempo: a previsibilidade ofensiva, a dificuldade para criar contra defesas fechadas e a queda de concentração nos primeiros minutos de cada tempo. A resposta virá em um ambiente de alta pressão, com a torcida esperando reação imediata e a diretoria atenta ao peso esportivo e financeiro de uma eventual eliminação precoce.

O Cerro, por sua vez, volta ao Paraguai fortalecido. A vitória no Allianz Parque funciona como atestado de competitividade e coloca o clube em posição privilegiada para buscar a classificação em casa, diante do Sporting Cristal, na rodada derradeira. A liderança provisória do grupo também injeta confiança em um elenco que chega à reta final sabendo que já foi capaz de silenciar um dos estádios mais hostis da América do Sul.

O desfecho do Grupo F fica para a última rodada. O Palmeiras entra pressionado, mas vivo, com a obrigação de transformar posse de bola em gol e volume em classificação. A reação acontece em campo ou a Libertadores de 2026 já corre o risco de terminar antes do mata-mata.

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