Trump ameaça assumir controle de Cuba e amplia sanções em meio a crise com Irã
Donald Trump afirma que os Estados Unidos “assumirão o controle de Cuba” após o conflito com o Irã e assina, neste 2 de maio de 2026, uma nova ordem executiva que endurece sanções econômicas contra Havana. A declaração, feita em evento na Flórida, reacende temores de escalada na política externa americana na América Latina.
Discurso em clima de confronto e assinatura de sanções
O anúncio ocorre em um comício na Flórida, estado-chave para a política externa voltada ao Caribe, onde a comunidade cubano-americana tem peso eleitoral. Diante de apoiadores, Trump vincula diretamente a crise com o Irã ao futuro de Cuba. “Quando terminarmos com o Irã, vamos assumir o controle de Cuba. Eles sabem disso”, declara, sob aplausos.
Horas depois, na mesma data, o republicano assina uma ordem executiva que amplia sanções econômicas ao regime cubano. O texto, segundo assessores, mira setores estratégicos da ilha, como energia, serviços financeiros e comércio marítimo. A Casa Branca fala em “cortar fontes de financiamento de um regime que apoia inimigos dos Estados Unidos”. Não divulga, porém, números detalhados do impacto previsto, limitando-se a dizer que as novas restrições entram em vigor “imediatamente” e serão aplicadas ao longo dos próximos meses.
Cuba volta ao centro da disputa geopolítica
A ofensiva acontece em meio ao agravamento do conflito com o Irã, iniciado meses antes, que já envolve operações militares americanas no Golfo Pérsico e sanções adicionais a Teerã. Em Washington, conselheiros de segurança tratam Cuba como peça de uma disputa mais ampla, que inclui aliados de Teerã na América Latina. O governo americano acusa Havana de manter cooperação de inteligência e apoio logístico a atores hostis aos EUA, sem apresentar publicamente provas recentes.
A ilha vive sob diferentes camadas de embargo desde 1962, quando os Estados Unidos impõem o bloqueio após a Revolução Cubana de 1959 e a aproximação com a União Soviética. Tentativas de distensão, como a reaproximação diplomática de 2014, não chegam a desmontar o arcabouço de sanções. A nova ordem executiva de Trump adiciona mais restrições a um cenário já asfixiante. Especialistas calculam que o PIB cubano encolhe em torno de 11% em 2020, após choques combinados de pandemia, queda no turismo e pressão externa. O governo de Havana alega que as sanções americanas custam à economia mais de US$ 100 bilhões em seis décadas.
Impacto econômico e risco de escalada regional
A ampliação das sanções tende a atingir diretamente o cotidiano da população cubana, já afetada por falta de combustível, apagões e escassez de itens básicos. Restrições adicionais ao setor de energia podem reduzir ainda mais o fornecimento de eletricidade e elevar o custo do transporte. A limitação a operações financeiras complica o acesso de bancos estrangeiros ao mercado cubano e encarece importações de alimentos e medicamentos.
Empresas de navegação que operam no Caribe também entram no radar. Advogados especializados em comércio internacional preveem que seguradoras e armadores passem a evitar rotas ligadas a Cuba, com temor de punições secundárias dos EUA. A medida pode pressionar portos de países vizinhos, como Panamá e México, e afetar cadeias logísticas que movimentam bilhões de dólares por ano em cargas na região.
A fala de Trump sobre “assumir o controle de Cuba” gera reação imediata entre diplomatas latino-americanos, que enxergam no gesto uma ameaça à soberania da ilha e um retrocesso a uma lógica de Guerra Fria. Em off, um embaixador de país sul-americano classifica a declaração como “irresponsável e potencialmente explosiva”, alertando para risco de alinhamentos automáticos a partir de Teerã, Moscou e Pequim. “Quando se fala em controle de um país vizinho, a mensagem não fica restrita a Cuba”, afirma.
Analistas de defesa ouvidos por veículos americanos sustentam que a hipótese de uma intervenção militar direta continua improvável, mas admitem que o discurso abre espaço para aventuras retóricas e incidentes no mar do Caribe. Uma operação de bloqueio naval, por exemplo, teria impacto imediato sobre o abastecimento na ilha e poderia atrair respostas de aliados de Havana, em especial a Rússia, que mantém presença histórica no país.
Pressão externa, cálculo eleitoral e próximos passos
Na política doméstica dos EUA, o movimento de Trump fala diretamente com sua base na Flórida. Em 2024, o estado registra mais de 1,3 milhão de eleitores de origem cubana, segundo dados oficiais. Uma parte expressiva desse eleitorado apoia uma linha dura contra Havana e vê em sanções adicionais um instrumento legítimo de pressão. Assessores de campanha tratam o novo pacote como sinal de “força” em segurança nacional em um ano em que a crise com o Irã domina o noticiário internacional.
No plano externo, governos alinhados a Cuba e ao Irã devem usar a declaração americana para reforçar o discurso de cerco e justificar maior cooperação militar. Caracas, Moscou e Teerã já exploram há anos a narrativa de que Washington ameaça a soberania de regimes aliados. A perspectiva de um “controle” americano sobre a ilha tende a alimentar pedidos de apoio internacional em organismos multilaterais e a acionar reações em fóruns como a ONU e a Celac.
Diplomatas preveem uma rodada de notas oficiais, chamadas de embaixadores e debates de urgência em organismos regionais nas próximas semanas. O gesto de Trump também pressiona aliados europeus, que tentam manter canais de diálogo com Havana e Teerã enquanto equilibram sanções e interesses comerciais. Empresas da União Europeia, que investem em hotelaria, telecomunicações e infraestrutura em Cuba, aguardam detalhes das novas restrições para medir risco jurídico e financeiro.
A ordem executiva assinada na Flórida entra em vigor antes mesmo de uma discussão formal no Congresso americano, o que limita o espaço de contraponto imediato. Parlamentares democratas já falam em revisar a medida e pedem audiências públicas com o Departamento de Estado e o Pentágono. O ponto central, admitem, é descobrir até onde Trump está disposto a transformar em política de Estado uma frase de efeito de palanque.
Entre Havana, Teerã e Washington, a frase sobre “assumir o controle de Cuba” ecoa como mais do que retórica inflamada. Resta saber se ela será lembrada como um blefe em meio à crise com o Irã ou como o primeiro degrau de uma nova escalada hemisférica.
