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Articuladores de Lula admitem erro ao subestimar força de Davi Alcolumbre

Articuladores políticos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva admitem, nas 24 horas que antecedem 1º de maio de 2026, que subestimaram o poder do senador Davi Alcolumbre (União-AP). Em entrevistas e declarações públicas, eles reconhecem que erraram na escolha do cabo eleitoral em disputas-chave e acendem um alerta sobre a coordenação política do governo.

Reconhecimento público expõe fragilidade na engrenagem do Planalto

O mea culpa surge após semanas de tensão entre o Palácio do Planalto e parte do Senado, em meio à preparação para disputas eleitorais de 2026 e à negociação de projetos centrais no Congresso. Integrantes da coordenação política admitem que Alcolumbre foi tratado como coadjuvante em arranjos regionais e nacionais, embora hoje concentre influência decisiva em votações, indicações e alianças.

Um auxiliar direto de Lula resume, em caráter reservado, o diagnóstico que circula entre ministros e líderes aliados: “Avaliamos mal o tamanho do Davi. Ele monta maioria em silêncio e entrega votos. Erramos o cabo eleitoral e pagamos o preço”. O reconhecimento, ainda que sem nomes oficiais na linha de frente, ocorre em entrevistas, conversas com jornalistas e declarações on the record de coordenadores políticos, que passaram as últimas 24 horas recalibrando discursos e planos.

Erro de cálculo na escolha do cabo eleitoral reabre disputa por protagonismo

A avaliação predominante na cúpula governista é que a subestimação de Alcolumbre contaminou negociações em ao menos três frentes sensíveis: alianças regionais, composição de chapas proporcionais e formação de palanques ligados ao Senado. Ao apostar em outros nomes como fiadores de acordos locais, a coordenação política deixou o senador do Amapá fora do centro das articulações, o que reduziu o alcance da mensagem lulista em bases tradicionais.

Em uma dessas conversas, um articulador admite que o Planalto priorizou quadros com forte presença em redes sociais e palanques estaduais, mas com menor capacidade concreta de organização de votos no Legislativo. “Confundimos barulho com voto. Alcolumbre entrega voto, não necessariamente clique”, afirma. Esse descompasso se reflete na dificuldade para consolidar apoios em pelo menos cinco estados estratégicos até o fim do primeiro semestre de 2026, prazo interno considerado crítico para fechar alianças com vistas às eleições municipais e já mirar 2028.

O senador, que presidiu o Senado entre 2019 e 2021, se consolida desde então como um dos principais operadores de bastidor de Brasília. Foi peça-chave em votações relevantes, da sabatina de ministros de tribunais superiores à condução de medidas provisórias de alto impacto fiscal, algumas superiores a R$ 50 bilhões. A coordenação política reconhece que tratou esse capital como dado secundário ao escolher outros padrinhos eleitorais, o que agora é visto como erro estratégico.

Impacto no Congresso e munição para a oposição

O mea culpa tem efeito imediato na correlação de forças em Brasília. Aliados de Alcolumbre veem o recuo público como confirmação de que o senador ocupa hoje um espaço que extrapola os 81 assentos do Senado e alcança diretórios partidários, governadores e prefeitos. No curto prazo, a admissão de erro aumenta o poder de barganha do parlamentar em nomeações, liberação de emendas e definição de candidatos apoiados pelo Planalto.

No outro lado da Praça dos Três Poderes, a oposição aproveita o movimento. Deputados e senadores críticos ao governo descrevem a confissão da coordenação como prova de “amadorismo” na relação com o Congresso. Lideranças de partidos de centro calculam que, se o governo falha em medir a força de um aliado experimentado como Alcolumbre, pode também errar na leitura de blocos voláteis, como o chamado centrão, decisivo em votações com placar apertado.

Na prática, o episódio pressiona a base aliada a reorganizar prioridades. Com o calendário legislativo apertado, a equipe de Lula precisa aprovar projetos econômicos considerados vitais para manter a meta fiscal, que prevê déficit perto de 0,5% do PIB em 2026. A articulação mal calibrada, admitem auxiliares, já custou atrasos em votações que envolvem bilhões em renúncias tributárias e a distribuição de recursos para estados e municípios.

Reajuste de rota e disputa pelo protagonismo de 2026

A correção de rumo começa pelas palavras, mas não deve parar aí. A ordem de Lula aos articuladores, relatada por mais de um interlocutor, é reforçar pontes com o Senado e incluir Alcolumbre em negociações onde antes se priorizavam presidentes de partidos e líderes de bancadas. O objetivo é construir um eixo estável até o fim de 2026, período que engloba as eleições municipais e pavimenta o ambiente político para o ciclo seguinte.

A coordenação esboça um cronograma que prevê, nos próximos seis meses, encontros regionais com senadores, governadores e prefeitos de cidades com mais de 100 mil habitantes, tentando recompor alianças onde o cabo eleitoral escolhido se mostrou pouco eficaz. O cálculo é simples: cada erro de leitura em 2026 pode custar, em cascata, a perda de dezenas de prefeituras e enfraquecer palanques futuros para o próprio projeto lulista.

A admissão pública de falhas, rara em ambientes acostumados a negar problemas, é tratada por parte do governo como forma de conter danos agora para evitar crises maiores adiante. A dúvida, entre aliados e adversários, é se o movimento chega a tempo. Nas conversas reservadas que marcam os corredores do Congresso, a pergunta que ecoa é se o Planalto aprende rápido o suficiente para não voltar a errar na escolha de quem, de fato, carrega voto na próxima rodada de disputas.

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