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Bolsonaro é internado em Brasília para cirurgia no ombro

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) é internado na manhã desta sexta-feira (1º) no Hospital DF Star, em Brasília, para uma cirurgia no ombro direito. O procedimento é marcado para ocorrer por volta das 10h, após autorização dada na noite de quinta-feira (30) pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A equipe médica busca reparar lesões no manguito rotador, estrutura que sustenta os movimentos do ombro, causadas por uma queda em janeiro deste ano, na sede da Polícia Federal em Brasília.

Cirurgia combina rotina hospitalar e decisão do STF

Bolsonaro chega ao hospital nas primeiras horas da manhã acompanhado da esposa, Michelle Bolsonaro. Por volta das 6h, a ex-primeira-dama publica em uma rede social que o casal está a caminho da unidade de saúde. “Que Deus abençoe o nosso dia, amados! Já estamos a caminho do hospital”, escreve, em mensagem dirigida aos apoiadores.

No DF Star, Bolsonaro passa por uma bateria de exames preparatórios ao longo da manhã. A equipe checa condições cardíacas, pressão arterial e parâmetros laboratoriais antes da anestesia. O ortopedista Alexandre Firmino, responsável pelo caso, informa ao g1 que a cirurgia está prevista para as 10h, horário que mantém a rotina de centros cirúrgicos de grande porte em Brasília.

A necessidade de autorização judicial revela o entrelaçamento, hoje quase permanente, entre a vida pessoal do ex-presidente e o Supremo. Moraes, relator de inquéritos que investigam Bolsonaro, libera o procedimento ainda na noite de quinta-feira, após receber o pedido da defesa. A decisão permite a internação e fixa a permanência do ex-presidente na capital durante a recuperação, sob acompanhamento médico e também sob o radar da Justiça.

O quadro clínico remete a um episódio de janeiro de 2026, quando Bolsonaro sofre uma queda na Superintendência da Polícia Federal em Brasília. A visita à PF ocorre em meio a investigações sobre sua atuação à frente do governo e em manifestações antidemocráticas. A queda, inicialmente descrita como um acidente sem gravidade, evolui para dor persistente e perda de mobilidade no ombro, até a indicação cirúrgica.

Lesão no manguito rotador e impacto político imediato

A cirurgia de manguito rotador, apesar de frequente em hospitais ortopédicos, não é um procedimento simples. O manguito é formado por um conjunto de tendões que permite levantar e girar o braço. Quando há ruptura, o paciente sente dor intensa, dificuldade para erguer o membro e pode perder força. Em muitos casos, a recuperação completa exige meses de fisioterapia diária e limitação de movimentos.

No caso de Bolsonaro, a operação mira não apenas o reparo do tendão principal, mas também lesões associadas, que se formam como consequência do impacto da queda e do desgaste de articulações já submetidas a esforço. O ex-presidente acumula um histórico de intervenções médicas desde a facada que sofre em setembro de 2018, durante a campanha presidencial. Desde então, passa por ao menos quatro cirurgias abdominais em pouco mais de três anos, algumas delas em caráter de urgência.

A internação desta sexta-feira tem peso político imediato. Bolsonaro segue como principal nome da oposição ao governo Lula e mantém agenda intensa com aliados do PL em Brasília e nos Estados. A cirurgia deve forçar a suspensão de viagens e aparições públicas por algumas semanas, em um momento em que partidos do centrão e da direita tentam organizar palanques para as eleições municipais e já testam arranjos para 2028.

Assessores próximos admitem, em conversas reservadas, preocupação com a necessidade de conciliar o tratamento médico com audiências judiciais, depoimentos e eventuais deslocamentos determinados pelo STF. A autorização de Moraes para a cirurgia, embora técnica, reforça a centralidade do ministro em qualquer movimento de Bolsonaro fora de casa ou de Brasília. O Judiciário monitora deslocamentos desde que avançam inquéritos sobre tentativa de golpe de Estado, uso da máquina pública e ataques ao sistema eleitoral.

Recuperação, agenda e pressão sobre a saúde do ex-presidente

Especialistas em ortopedia consultados por nossa reportagem, que não participam do tratamento de Bolsonaro, explicam que a recuperação de uma cirurgia de manguito rotador costuma levar de três a seis meses, a depender do tipo de lesão e da resposta do paciente. Nas primeiras semanas, o braço permanece imobilizado em tipoia e atividades simples, como dirigir, apertar mãos em eventos ou subir em palanques, tendem a ser restringidas.

Esse horizonte afeta diretamente a estratégia política do ex-presidente, que acostuma basear sua força na presença física em motociatas, cultos religiosos, encontros com apoiadores e transmissões ao vivo em ritmo quase diário. Qualquer redução de agenda abre espaço para que outros nomes da direita e da extrema direita se projetem, inclusive dentro do próprio PL. Ao mesmo tempo, a exposição da rotina hospitalar pode mobilizar apoiadores, como já ocorre em internações anteriores, com correntes de oração e caravanas em frente a hospitais.

Nas redes sociais, a informação sobre a internação circula desde as primeiras horas da manhã. Aliados compartilham a mensagem de Michelle e pedem orações. Críticos questionam o histórico de saídas médicas em momentos de maior pressão judicial. O tema volta a acender debates sobre transparência na divulgação de boletins médicos de autoridades e ex-autoridades, em um país que ainda lembra a opacidade em torno do estado de saúde de presidentes no passado.

O hospital, até o momento, não divulga boletim detalhado sobre a operação, mas a expectativa da equipe é de que Bolsonaro permaneça internado ao menos por 24 a 48 horas após o procedimento. Depois disso, a recuperação tende a seguir em casa, com retorno periódico ao DF Star e sessões de fisioterapia programadas. A defesa do ex-presidente aguarda a evolução do quadro para informar ao STF sobre prazos e limitações de deslocamento.

A cirurgia desta sexta-feira marca mais um capítulo na combinação entre saúde e política que acompanha Bolsonaro desde 2018. A cada nova internação, a discussão sobre sua capacidade de manter protagonismo de rua se mistura às batalhas judiciais que definem se ele poderá ou não disputar novas eleições. A evolução da recuperação no ombro, nas próximas semanas, ajuda a indicar até que ponto o ex-presidente continuará presente em palanques físicos ou concentrará sua atuação em redes sociais e articulações de bastidor.

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