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Pentágono estima em US$ 25 bi custo inicial da guerra contra o Irã

O Pentágono revela que a guerra dos Estados Unidos contra o Irã já consome cerca de US$ 25 bilhões, segundo estimativa apresentada ao Congresso nesta semana. É a primeira avaliação oficial do custo do conflito desde o início das operações, no fim de fevereiro.

Conta da guerra chega ao Congresso

A cifra de US$ 25 bilhões expõe a velocidade com que a nova frente militar se torna um fardo para o orçamento americano. O número surge num momento em que o apoio popular ao conflito perde força e o debate eleitoral nos Estados Unidos ganha temperatura, a poucos meses das urnas.

O valor é apresentado pelo responsável interino pelo orçamento do Departamento de Defesa, Jules Hurst, durante audiência no Comitê de Serviços Armados da Câmara dos Representantes. Ele afirma que a maior parte do gasto está ligada ao uso intenso de munições de alta precisão, além de custos de operação diária, manutenção e reposição de equipamentos empregados no campo de batalha.

O secretário de Defesa, Pete Hegseth, comparece à sessão para seu primeiro depoimento ao Congresso desde o início da campanha militar, no fim de fevereiro. Diante dos parlamentares, ele justifica o gasto elevado como parte de um objetivo estratégico mais amplo: “Impedir que o Irã desenvolva armas nucleares vale cada dólar investido nesta operação”, diz.

Hegseth adota tom de confronto com críticos da guerra. Ele acusa opositores de colocar a segurança nacional em risco e de “enfraquecer o esforço de guerra” com questionamentos públicos sobre o rumo da operação. A postura acirra o clima na comissão, dominada por um Congresso polarizado e atento ao impacto político e econômico do conflito.

Pressão econômica e desgaste político

A revelação do custo inicial vem acompanhada de projeções ainda mais ambiciosas. Segundo integrantes do Pentágono, a equipe de Hegseth já avalia pedir ao Congresso um pacote adicional de recursos que pode superar US$ 200 bilhões, valor destinado a sustentar operações futuras e recompor estoques de armamentos.

Estimativas divulgadas nos primeiros dias de combate indicam que mais de US$ 11 bilhões são gastos quase de imediato, impulsionados por uma ofensiva baseada em armamentos de alta tecnologia. O novo número de US$ 25 bilhões, acumulado em poucos meses, confirma a escalada e reforça a percepção de que a guerra tende a se prolongar, mesmo sob um cessar-fogo frágil em vigor no campo de batalha.

Parlamentares, em especial do Partido Democrata, exploram essa brecha. Eles cobram transparência maior sobre metas, cronograma e saída política para o conflito. Questionam também o impacto econômico sobre famílias americanas que lidam com juros altos, inflação ainda sensível e incerteza no mercado de trabalho. “Não é possível escrever cheques em branco enquanto a população sente a conta no supermercado e na bomba de gasolina”, protesta um congressista democrata.

Analistas lembram que guerras longas costumam deixar marcas duradouras nas finanças públicas dos EUA. A invasão do Iraque, em 2003, e a permanência no Afeganistão por duas décadas somam trilhões de dólares em despesas diretas e indiretas. A nova campanha contra o Irã reacende esse histórico e levanta dúvidas sobre a disposição do país em sustentar mais um esforço militar prolongado.

O que está em jogo e o que vem pela frente

O custo direto de US$ 25 bilhões é apenas parte da conta. A ofensiva afeta preços de energia, pressiona cadeias logísticas globais e alimenta incerteza em mercados já sensíveis a choques geopolíticos. Cada ataque em território iraniano, cada movimento no Golfo Pérsico, entra na conta de investidores que precificam risco em contratos de petróleo e fretes marítimos.

Empresas de defesa e fornecedores militares despontam como vencedores imediatos, com novas encomendas de mísseis, drones e sistemas de comunicação. Contribuintes, consumidores e setores dependentes de energia barata aparecem do outro lado da balança, sujeitos a cortes de orçamento doméstico, reajustes e volatilidade cambial. A discussão, porém, ultrapassa a esfera econômica e se torna teste direto para a política externa americana em ano eleitoral.

Dentro do Congresso, a divulgação do número oficial abre uma nova fase do debate. A partir de agora, cada pedido adicional de recursos deve ser medido contra a resistência crescente de parte do eleitorado a compromissos militares abertos, sem prazo claro para terminar. A promessa de que US$ 200 bilhões podem ser necessários para manter a campanha coloca pressão extra sobre a Casa Branca e sobre líderes partidários.

O cessar-fogo no campo de batalha não reduz a conta, apenas desacelera a queima de recursos. Estoques precisam ser recompostos, equipamentos caros exigem manutenção e tropas seguem mobilizadas. O Pentágono, ao quantificar publicamente o custo inicial da guerra, reconhece que a fatura está longe de fechar. A questão que permanece é por quanto tempo o país aceita pagar essa conta, em dinheiro e em desgaste político, para tentar impedir que o Irã avance em seu programa nuclear.

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