Carlos Vinícius perde três pênaltis e Grêmio só empata com Palestino
Carlos Vinícius vive noite dramática em Santiago e perde três pênaltis na mesma partida, nesta quarta-feira, em empate sem gols do Grêmio com o Palestino pela Sul-Americana. O centroavante ainda vê um gol ser anulado nos minutos finais, e o time gaúcho deixa o Estádio Municipal de La Cisterna sob pressão crescente no Grupo F.
Sequência inédita marca atuação e trava o Grêmio
O jogo começa com o Grêmio dominante, tecnicamente superior e empurrando o Palestino para o próprio campo. Aos 8 minutos, Tetê é puxado na área e o árbitro equatoriano Guillermo Guerrero marca pênalti sem hesitar. A partir daí, a noite se transforma em pesadelo particular para Carlos Vinícius.
O camisa 95 encara Sebastián Pérez pela primeira vez e vê o goleiro chileno defender a cobrança. O VAR intervém e aponta adiantamento do goleiro, obrigando a repetição. Na segunda batida, o roteiro se repete: nova defesa de Pérez, nova checagem do vídeo e nova ordem para voltar, outra vez por invasão do arqueiro. Na terceira cobrança, com os pés sobre a linha, o goleiro acerta o canto do meio e segura a bola firme, consolidando uma sequência raríssima de três penalidades defendidas em menos de cinco minutos.
O episódio desorganiza emocionalmente o Grêmio. O time de Luís Castro perde o ritmo, afrouxa a marcação e passa a sofrer com a reação do Palestino. Aos 39 minutos, César Munder aproveita cruzamento, emenda de voleio e obriga Weverton a fazer grande defesa para evitar o gol chileno. O 0 a 0 no intervalo expõe a frustração gremista e devolve confiança ao adversário, que começara a noite encurralado.
O técnico português, insatisfeito com o desempenho, mexe pesado no retorno para o segundo tempo. Noriega, Arthur e Enamorado entram para dar velocidade e maior controle de bola. O ajuste surte efeito parcial: o Grêmio volta mais agressivo, ocupa o campo ofensivo e cria chances, mas esbarra em falhas de definição. Tetê, aos 11, recebe em ótimas condições e finaliza fraco de direita, desperdiçando outra oportunidade clara.
Grupo embolado, confiança abalada e VAR decisivo
O empate em Santiago leva o Grêmio aos 4 pontos em três rodadas, na vice-liderança do Grupo F. O cenário se complica com a vitória do Deportivo Riestra sobre o City Torque, que embaralha a disputa pela vaga às oitavas da Copa Sul-Americana. Cada ponto desperdiçado ganha peso maior em um grupo que se mostra mais equilibrado do que o previsto no sorteio.
O desempenho de Carlos Vinícius, titular da função de centroavante, entra no centro do debate interno e externo. O atacante, que recebe a confiança da comissão técnica para ser referência de área, sai de campo visivelmente abatido, após também ter um gol anulado na etapa final por toque de mão de Riquelme no início da jogada, identificado pelo VAR. A combinação entre pênaltis perdidos e o impedimento do gol agrava a sensação de que o time deixa escapar uma vitória que parecia encaminhada logo no início.
O Palestino, por outro lado, se apoia na atuação segura de Sebastián Pérez para sustentar o ponto conquistado em casa. O goleiro se torna personagem da noite ao defender as três cobranças dentro da regra e ainda controlar cruzamentos e chutes de média distância. A defesa chilena, reorganizada após o susto inicial, consegue neutralizar Tetê, Willian e, depois, Braithwaite, que entra na tentativa de quebrar o bloqueio adversário.
A partida também reforça a centralidade do VAR na arbitragem sul-americana contemporânea. As duas repetições de pênalti e a anulação do gol no segundo tempo mostram como a tecnologia passa a interferir diretamente no roteiro dos jogos. Sem o vídeo, o resultado possivelmente seria outro, com desfecho definido ainda no começo do confronto. Com o protocolo aplicado à risca, o Grêmio precisa lidar com o próprio desperdício.
Pressão imediata e resposta urgente no Brasileirão
O empate sem gols em Santiago aumenta a cobrança sobre o elenco e sobre Luís Castro. O treinador tenta explicar a queda de rendimento após o início promissor, enquanto avalia ajustes para os próximos compromissos. A necessidade de resposta é imediata: no sábado, às 20h30, o Grêmio enfrenta o Athletico-PR na Arena da Baixada, em Curitiba, pelo Campeonato Brasileiro.
A comissão técnica deve monitorar de perto o impacto emocional da noite em Carlos Vinícius, que volta ao Brasil com a confiança em xeque e sob olhar crítico da torcida. A tendência é de debate sobre eventuais mudanças na escalação e sobre a hierarquia nas cobranças de pênalti, tema que costuma ser tratado como detalhe, mas ganha importância depois de um episódio tão marcante.
A sequência da temporada coloca o clube diante de escolhas estratégicas. A Sul-Americana segue aberta, mas o espaço para novos tropeços diminui a cada rodada. O Brasileirão exige regularidade imediata para evitar que o time se afaste do bloco de cima ainda em maio. Entre a necessidade de proteção ao centroavante e a obrigação de resultados, o Grêmio chega ao próximo jogo com uma pergunta no ar: como transformar uma noite traumática em ponto de virada, e não em início de crise?
