Pesquisa Quaest mostra favoritismo do PT na disputa ao Senado na Bahia
Pesquisa Quaest realizada entre 23 e 27 de abril de 2026 aponta pré-candidatos ligados ao PT na liderança da disputa ao Senado na Bahia. Os nomes de João Roma (PL) e Angelo Coronel (Republicanos) também aparecem com força, sinalizando um cenário competitivo para a eleição de 2026.
PT se mantém à frente em cenário de disputa fragmentada
O levantamento, encomendado para mapear o humor do eleitorado baiano a dois anos da eleição, indica que o PT preserva uma vantagem importante na corrida ao Senado. Em um Estado em que o partido ocupa o governo desde 2007 e consolidou uma base eleitoral robusta, a pesquisa reforça a percepção de continuidade dessa força política, agora projetada para a vaga única em disputa em 2026.
A Quaest ouviu eleitores em todas as regiões do Estado, com margem de erro de 3 pontos percentuais. O instituto testou nomes associados ao campo governista e à oposição, medindo intenção de voto espontânea e estimulada, além de rejeição. Os números mostram que, mesmo com o desgaste natural de longas gestões, o PT ainda aparece à frente em cenários simulados, sustentado por alta lembrança de nomes ligados ao partido e pela conexão direta com o eleitorado de baixa renda.
No grupo de oposição, João Roma, ex-ministro e ex-candidato ao governo, surge como o principal pré-candidato do PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro. Ele aparece bem posicionado entre eleitores mais conservadores e em municípios onde o bolsonarismo mantém presença organizada. Angelo Coronel, senador pelo Republicanos, também é citado com frequência, beneficiado pela visibilidade no mandato atual e por redes políticas já estruturadas em cidades médias do interior.
Os dados sugerem uma disputa em três eixos: o campo governista, hegemonizado pelo PT e seus aliados; o bloco bolsonarista, capitaneado por Roma; e uma faixa intermediária em que Coronel tenta se reposicionar. Pesquisas desse tipo, mesmo preliminares, orientam conversas de bastidor, definição de alianças e movimentos internos nos partidos em direção a um nome único ou a candidaturas múltiplas.
Campanhas antecipam estratégias com base nos números
A divulgação do levantamento acende o alerta em todas as siglas. No PT, a leitura é de que a liderança numérica não garante folga. Dirigentes consideram que o cenário de 2026 tende a ser mais competitivo do que o de eleições anteriores, já que a oposição chega mais organizada e com narrativas consolidadas em segmentos específicos do eleitorado. O resultado também funciona como termômetro interno na disputa por espaço entre correntes petistas e partidos aliados da base do governador.
No PL, o desempenho de João Roma é recebido como sinal de que a estratégia de manter o ex-ministro em evidência, desde a eleição de 2022, produz efeitos. A expectativa é usar a pesquisa como argumento em negociações por apoio e construção de palanques municipais em 2024, com meta de ampliar a capilaridade do partido até 2026. Um dirigente ouvido reservadamente resume o clima: “Ninguém ganha eleição de Senado sozinho na Bahia. A pesquisa mostra que quem chegar com estrutura e discurso alinhado larga na frente”.
Angelo Coronel, que integra o Republicanos, observa o cenário com cautela. A menção ao seu nome entre os mais lembrados o coloca no radar de possíveis rearranjos na base governista e também na oposição. A posição intermediária permite conversas em mais de uma direção, em um Estado onde o histórico de alianças flexíveis costuma definir a reta final das campanhas. A pesquisa, nesse contexto, funciona menos como fotografia estática e mais como mapa de influências em disputa.
Para o eleitor comum, o impacto ainda é difuso. A eleição de 2026 parece distante, mas pesquisas como a da Quaest começam a moldar a percepção de favoritismo. No rádio, nas redes sociais e em programas locais de TV, os números são repetidos, simplificados e reinterpretados. A tendência é que os nomes em destaque ganhem exposição ainda maior, enquanto pré-candidatos pouco citados enfrentem mais dificuldade para conquistar espaço e financiamento.
Disputa ganha fôlego e redesenha xadrez político até 2026
Os resultados da Quaest devem intensificar a movimentação nos bastidores em 2024 e 2025. Partidos começam a medir o custo de lançar candidatura própria ao Senado ou de compor chapas em torno de nomes mais competitivos. Governadores, prefeitos e lideranças regionais avaliam onde concentrar recursos e tempo de campanha. Em um Estado com 417 municípios, cada ponto percentual na pesquisa não é apenas número: representa redes de apoio, cabos eleitorais e lideranças locais.
As próximas rodadas de pesquisa, previstas para os próximos meses, devem confirmar tendências ou apontar viradas. O desempenho de políticas públicas estaduais e federais na Bahia, a economia local e o clima nacional também vão pesar. Se o PT mantiver a dianteira, tende a atrair mais aliados e disputar a narrativa de continuidade. Se Roma ou Coronel encurtarem a distância, o quadro pode se cristalizar em uma disputa polarizada. No meio desse processo, permanece aberta a pergunta que guia todas as conversas políticas no Estado: quem conseguirá transformar vantagem inicial em voto real quando as urnas se abrirem em outubro de 2026?
